17
Jun 11

A todas as pessoas que leram a minha fanfic, que comentaram e que ainda hoje falam dela um GRANDE OBRIGADO. Sem vocês nada disto era possível. Deixo agora a fan fic aberta para quem tenha paciência de a ler. Foram mais de 500 comentários e mais de 50 mil visitas em pouco mais de cinco meses. Muito, muito obrigada! 

 

Para quem estiver interessado, estou a desenvolver outro projecto: http://mariailoveyou.blogspot.com/  

 

Beijinhos, Cat :) 

 

 

 

publicado por acordosteusolhos às 13:37

21
Dez 10

-Mamã, mamã, olha o que o pai deu para mim?
-É lindo filha.
-Ele também deu uma flor para ti mamã.
Disse a pequena Maria. Tinham passado 6 anos. David tinha voltado a ser campeão mais quatro vezes e tinha ganho a Liga Milionária duas vezes, agora tinha voltado ao Benfica onde queria acabar a carreira. Maria e Pedro já estavam na escola, no primeiro ano. Maria era uma óptima aluna, sossegada e vinha sempre para casa com Excelentes. Já Pedro era mais virado para o futebol, embora também fosse muito bom na escola era um pequeno terrorista. Estava agora a jogar nas Escolinhas do Benfica, para variar a sua posição favorita era o de defesa-central. Eu tinha completado o meu curso mas ainda não estava a trabalhar. Com dois filhos pequenos era complicado e David não queria que trabalhasse mas como eles estavam agora na escola tinha começado a enviar os curriculum para algumas empresas.
-Ó meu amor, dá um beijinho no pai está bem?
-Sim mamã.
Era linda, caracóis e com o cabelo cor de mel, e os seus grandes olhos verdes. Pedro tinha o cabelo mais escuro, fazia umas ondas e também tinha os olhos verdes. Como era sábado e a época ainda não tinha começado, tínhamos aproveitado o dia de verão para ir até ao jardim perto da nossa casa. Enquanto eu lia um livro, David jogava à bola com Pedro e Maria apanhava flores. Do livro pouco lia pois os meus olhos estavam vidrados na Maria e no Pedro, também no David que parecia ter ficado menos ajuizado depois de ter os filhos. Um dia, ainda em Madrid, no condomínio onde vivíamos, havia um jardim e David chegou a casa com a cabeça partida. Pois, o David, não o Pedro mas sim o David. Enquanto ia atrás do Pedro, escorregou e caiu de costas partindo a cabeça. Nada de grave mas um valente susto. Ver o David chegar a casa a jorrar sangue com o Pedro ao colo não foi nada de agradável de se ver. Neste verão, antes de virmos para Portugal fizemos a nossa “Lua-de-mel”. Pedro e Maria ficaram com os avós e nós fomos até Samána, por conselho de Sara, agora mulher de Ruben. É mais um sítio paradisíaco mas deu para passar uma semana tranquila sem nos acordarem à noite a dizer “Mamã, papai, tenho medo do escuro. Não consigo dormir”, ou então, “Mãe, debaixo da minha cama há monstros sabias?”.
-Quem quer comer um gelado?
-Eu pai! Eu! – Gritava o pequeno Pedro.
-Então vamos lá. Amor, vamos comer um gelado?
-Sim. Anda Maria…
-Como quer o seu gelado?
-Por acaso não me está apetecer um gelado mas sim um grande crepe com três bolas de gelado, uma de chocolate, outra de Leite condensado e uma de menta. Hum… Que bom…
-Não pode comer essas coisas, faz mal a você e ao bebé… - Ainda não tinha contado mas em Samaná descobri que estava grávida. Espero que não sejam gémeos…
-Não faz nada. Ele é que está a pedir.
-Mamã, o nosso irmão vai ser uma menina ou um menino?
-Não sei Maria, queres que seja uma irmã ou um irmão?
-Uma irmã… Não gosto de jogar à bola…
-Pai, pai, pai, sabes que a mana brinca com bonecas?
-Sei pois, e você quer um irmão ou uma irmã?
-Um irmão, para jogar futebol com ele. Eu quando for grande quero ser tão bom como tu és pai.
-Sabes uma coisa, vais ser ainda melhor!
Retrato de uma família feliz que iria crescer em breve.

E viveram felizes para sempre…

publicado por acordosteusolhos às 22:53

-Meu amor, vou sair. Tenho treino.
-Tão cedo…
-Já são quase dez da manhã. Não é cedo.
-Dez? Ontem só devo ter-me deixado dormir lá para as seis da manhã.
-Ainda dores nas costas?
-Cada vez piores. E os pontapés? Horríveis.
-Essa parte até é fofinha.
-Fofinha para ti, horrível para mim. Parece que querem sair “a mal” da barriga.
-Lembra do que o médico disse. Precaução. Ainda falta um mês.
-Eu sei, mas é horrível. Estas dores. Deixa-me dormir mais um pouco. Preciso de descansar.
-Claro meu amor. Venho logo.
-Teras um almoço à tua espera.
-Não é preciso, eu faço.
-Não sejas tolo. Dá-me um beijo.
David deu-me um beijo e sussurrou baixinho ao meu ouvido “Te amo”. Voltei a pôr a cabeça na almofada e tentei dormir. Ricardo tinha razão, as primeiras semanas foram horríveis. Quando David saia acho que caía num abismo sem fundo, chorava horas sem fim. Não conhecia nada nem ninguém. Quando David chegava fazia um sorriso amarelo mas ele sabia que não estava bem. Quem me ajudou e muito foi a namorada de Pepe, uma rapariga simples e espectacular. Tinha-se transformado numa grande amiga nos últimos tempos. Sempre pronta para ajudar e ouvir todos os meus problemas. Com ela ia as compras, falávamos sobre as nossas relações e quanto complicado era sair com os nossos homens. Parecia que havia fotógrafos em todo o lado. Não lhes escapava uma. A boa notícia é que o Real Madrid estava primeiro lugar e que eu já estava nos meu oitavo mês. Dores, dores e dores era o que eu sentia. Já não dormia nada de jeito à noite. Cinco, seis horas era o meu máximo de horas dormidas por noite. Parecia que tinha dois jogadores de futebol na minha barriga. Quer dizer, de futebol não. Pareciam mais lutadores de boxe! Já sabia que os próximos anos se adivinhavam difíceis. Se já andavam a praticar boxe um com o outro dentro da minha barriga então quando fossem mais velhos. Terceira Guerra Mundial na casa Marinho. Começou-se a ouvir “Dream on” dos Aerosmith, era o meu telemóvel.
-Catarina?
-Sim Ana. Bom dia.
-Bom dia! Olha, estava a pensar, hoje fazemos um almoço aqui em casa, que achas?
-Por mim… Mas quem vai?
-Tu, o David, o Ricardo e a mulher e também os filhos, o Cristiano e a Irina mais o filho e o Tiago mais a mulher.
-Toda a gente então?
-Sim. O Kaká também deve vir mas ainda não falei com a Caroline.
-Ela de certeza que vem.
-Ah, mas precisava de ajuda.
-Claro, podes contar comigo.
-Então despacha-te. Vamos às compras.
-Está bem, dá-me vinte minutos então.
-Ok minha querida. Até já.
-Até já.
Levantei-me lentamente e fui tomar um duche rápido. Não estava nada apetecer sair de casa. Estava mesmo quase a deixar-me dormir e agora vinha um almoço. Aí a minha cabeça, as minhas costas. Já para não falar das minhas pernas. A barriga estava enorme. Já não era uma barriga de grávida normal, era um barrigão! Ao fim de quarenta minutos já estávamos no Supermercado às compras.
-Coca-cola?
-Isso faz mal, leva antes sumos naturais.
-Aí.. Eu que sou a médica não me preocupo com isso e tu…
-Sabes que viver com o David tem os seus pontos positivos e ele necessita de uma alimentação equilibrada e saudável. Ele não gosta muito de coca-cola. Quer dizer, gosta, mas ele diz que muita coca-cola faz mal e prefere um suminho.
-Que mariquinhas. O Cris deve querer beber Coca-cola.
-Leva um de cada e assunto resolvido. Até parece que não sabes que eles dão a volta a todas as bebidas.
-Lá isso é verdade. A Carol sempre vai?
-Sim.
-Então trás os sumos que o Kaká e o David parecem irmãos.
-Lá nisso tens razão. Então e o que fazemos para o almoço?
-Não sei… Que estavas a pensar fazer? A cozinheira és tu.
-Eu?
-Sim. Cozinhas tão bem!
-Ó, deixa-te de coisas. Estava a pensar num bacalhau à Brás.
-Concordo.
-Então pronto, vai ser isso. Vou buscar o bacalhau.
-Ok, eu vou buscar as batatas.
-Ok querida. Encontramo-nos na zona da fruta.
-Ok.
Fui andando para as batatas. Ana era uma óptima cozinheira. Toda a gente adorava os cozinhados dela, cada um era melhor do que o outro e Bacalhau à Brás era maravilhoso feito por ela! Enchia o saco cheio de batatas. Ouvia as pessoas a falarem espanhol, nem era muito complicado. Com o hábito conseguia-se compreender bem o espanhol.
-Catarina. – uma voz feminina com um sotaque bem português chamava-me. Parecia-me Ana.
-Ana, achas que…
-Ana? Catarina já não te lembras-te de mim? – Tinha sido interrompida, como ainda não tinha virado para trás para encarar a pessoa disse que era a Ana mas estava muito enganada.
-Luísa! O que estás aqui a fazer?!
-Que barriga grande, estás de quantos meses?
-Não tens nada haver com isso. O estás aqui a fazer?
-Catarina, Catarina. Tu já sabes que eu sei à quantos meses estás grávida. E sei que nestes meses é complicado. Qualquer coisa e podes pôr em risco a vida dos bebés sabes?
-Sai da minha frente. – Tentei sair da frente dela mas ela agarrou o meu braço impedindo que eu saísse da sua frente.
-Catarina, não faças nenhuma estupidez.
-Luísa, pára! Deixa-me ir embora.
-Não, não e não. Sabes que te ando a vigiar há muito tempo? É o fim.
-O fim? Luísa, tu pareces uma lunática.
-Ele é meu! Tu sabes bem disso. O meu namorado, é meu!
-Não passas de uma doida!
-Catarina, o que preferes. O teu sofrimento ou o sofrimento do David?
-Luísa pára! – Luísa dá-me um estalo no momento em que parecia que toda a gente se tinha ido embora.
-Cala-te – disse num ar em que a raiva lhe saía até pelos olhos. – Responde, o que preferes, o teu sofrimento ou o sofrimento do David.
-O meu sofrimento! Deixa-me ir! – Luísa abriu-me o caminho e deixou-me sair.
-Catarina, sabes que é tudo mentira. – Não respondi mas ela seguiu-me e continuou a falar – ele não te ama. É tudo uma farsa. Ele precisa de alguém para aparecer ao lado nas revistas. Como já te disse tenho andado a vigiar-vos  há muito tempo. Lembras-te quando eles foram para Barcelona jogar? Sabes o que é que o David fez lá? Encontrou-se comigo. Tivemos uma noite “caliente” em Barcelona, durante duas noites. A noite antes do jogo, ele estava tão nervoso, as suas mãos tremiam e senti ele a rebentar em mim. Foi extraordinário. Há quanto tempo vocês não dormiam juntos? Ele parecia um verdadeiro louco! No segundo dia já foi de felicidade, ele tinha feito um óptimo jogo. Foi algo mais intenso, mais puro. Incrível!
-Cala-te! Não acredito em ti! Nada!
-Então acredita porque eu estou grávida minha querida e o pai é o David!
-Não! Nada disso é verdade e eu não acredito! Eu sei como é o David e ele não me fazia isso.
-Queres um teste de paternidade? Está bem, eu faço um mas é verdade! Ele ainda não sabe mas preferi contar a ti primeiro. – Senti-me tonta, cada vez mais nervosa. Tremia por todo o lado e já não sabia por onde me virar. – Catarina, estás-te a sentir bem? Já devias saber que os jogadores de futebol são assim. Ao primeiro rabo de saia de aparece eles atacam e o David já teve muitos relacionamentos desses. – Senti um pontapé enorme, nunca tinha recebido um tão grande.
-Aí! Chama uma ambulância, rápido.
-Achas que isso vai acontecer? Quero a tua morte e dos fedelhos o mais rapidamente possível.
-Por favor, ajuda-me!
-Está bem. – Aproximou-se de mim e deu-me um empurrão que me fez cair de costas sem nenhum apoio.
-Catarina! O que estás a fazer! Quem és tu! Larga-a!
-Adeus Catarina, tic-toc, tic-toc.
-Catarina – gritava Ana chocada com a situação toda, eu dava gritos no meio do supermercado, as pessoas aproximavam-se. Senti sangue a escorrer. Agora já não gritava apenas, as lágrima caiam e a dor tornava-se ainda maior. – tem calma eu vou chamar a ambulância.

 

 

É impressionante como uma pessoa a morrer só se lembra daqueles que ama. A dor não importa. Nem temos tempo para nos lembrarmos o que é a dor. Pensava no David, na minha mãe, no meu pai, nos meus amigos, nos meu filhos. Não podia morrer. Se morre-se, como ficava David? E se tivesse um aborto? Seria eu que não conseguiria viver mais. Era sufocante. Nenhuma das duas soluções era boa. Ouvia os médicos falarem espanhol mas não conseguia perceber. Não conseguia distinguir as pessoas e finalmente ficou tudo calmo. Pensei que tivesse morrido mas não, o reboliço voltou quando senti um choque a percorrer-me o corpo.
“Qué hacemos doctor?” “” consegui perceber de fundo, não podiam perguntar nada a David. Não queria que ele decidisse nada. Estava nas mãos de Deus agora. O médico saiu da sala, ouvi a porta a fechar. Os outros continuavam feitos doidos na sala de roda de mim.


Sala de Espera:

(imaginem tudo em espanhol!)
-Doutor, como é que ela está?
-David, tu és o marido dela certo?
-Sim. – As lágrimas escorriam pelos olhos de David. Ana estava de rastos agarrada a Pepe mais atrás.
-A situação de Catarina não é boa David, os bebés vão nascer agora. Vão ser prematuros e não se sabe se algum deles tem algum problema. A Catarina já perdeu muito sangue, está cansada. Ela pode não sobreviver.
-Não! Não! – gritava Ana ao mesmo tempo que Pepe afastava ela de toda aquela confusão. Os gritos dela eram assustadores. Entravam na alma de qualquer pessoa. Kaká entrou pouco depois e ficou chocado com toda a situação, percebeu logo o que se passava e segui em frente para abraçar David que chorava desconsolado.
-David, não pudemos fazer mais nada. Temos que seguir em frente.
-Não há mais nenhuma opção?
-Nada David. Tenho imensa pena. Irei fazer tudo o que está a meu alcance. – o médico retirou-se e David rendeu-se. Sentou-se na cadeira e com os cotovelos nos joelhos e as mãos na cara.
-David, vai correr tudo bem. Vai correr tudo bem…
-Você não ouviu? Ela pode morrer! Ela pode morrer! Ela não pode morrer! Ela é me tudo. Se ela morre…
-Ela não vai morrer.
-E os bebés? A Catarina não vai aguentar. Se ela sobrevive e eles morrem, a Catarina não vai aguentar.
-David, vai correr tudo bem. Deus está com ela, Ele não vai deixar que nada de mal lhe aconteça.
-Ela não pode morrer meu irmão. Não pode.

Bloco operatório:

-Catarina, consegue ouvir-me?
Abanei a cabeça acenando que sim. As dores eram angustiantes, sentia vontade de rebolar cheia de dores mas qualquer movimento para a esquerda ou para a direita doía-me ainda mais.
-Vamos fazer o parto agora.
-Os bebés.
-Como?
-Salve os bebés, não se preocupe comigo. – A minha voz era fraca. Sabia que não ia sobreviver mas ao menos morria em paz, a Maria e o Pedro iam conseguir viver e ao lado do melhor pai do mundo. O médico sorriu e disse baixinho “Força”. Era possivelmente a última palavra que ia ouvir, força. Sempre pensei em morrer velha e ao lado do homem que amava, ao lado de David. Nada de isso ia acontecer, não ia ver os meus filhos a crescerem, não ia ser mãe, não ia comprar as suas primeiras mochilas, ouvir os seus primeiros amores, conhecer as namoradas do Pedro e os namorados de Maria. Não cantar os parabéns a eles e não podia dizer quanto os amava mas sei que David ia dizer isso tudo, ia ser um óptimo pai e isso deixava-me tranquila, em paz.

Sala de Espera:

-Ela não pode desistir! Não pode. Eu preciso dela a meu lado. Eu necessito dela. Eu…
-Tem calma David.
O médico apareceu e tirou  a máscara. Andou lentamente em direcção de David, já tinha passado quase duas horas. Kaká ainda não tinha saído perto de David mas agora também lá estava Pepe. Caroline tinha levado Ana para casa. Estava abaladíssima com tudo o que se tinha passado.
-David, os bebés estão ok mas… a Catarina…

 

 

 

Ouvi o choro de Maria e depois o de Pedro. Sorri, era mágico aquele momento. As dores desapareciam e sentia-me tranquila, as imagens apareciam na minha cabeça. Todos os da momentos minha vida. Desde as traquinices em pequenina, ao dia em que tive os meus filhos. O meu coração parecia bater cada vez mais lento até que parou. A dor desapareceu mas o amor permaneceu. Ninguém me podia tirar isso pois era a única coisa que me restava, o amor que sentia por David e pelos meus dois filhos.

Sala de Espera:

David, arrebatado com toda a situação entrega-se à loucura, gritos de angustia e chorava sem parar. Caiu de joelhos e rezava a Deus para que tudo voltasse a trás, para que Deus dê-se de volta a mulher que mais amava no mundo. Kaká tentou levantar o amigo mas era impossível. Pepe não sabia que fazer. Ao ver a tristeza de David, a desilusão daquele homem ao perder a mulher sentiu-se fútil e inútil para o mundo. Compreendeu que David era capaz de trocar tudo o que tinha conseguido até hoje só para ter Catarina nos seus braços. Para David nada mais importava, só a mulher da sua vida. Ele dava tudo para ter ela de volta, os títulos de campeão, os carros, as casas, as amizades já feitas e toda a sua riqueza. Sem conseguir levantar David, Kaká fica no chão com ele, agarra nele e dá-lhe um abraço.
-Isto não pode estar acontecer! Não pode!
-Tem calma meu irmão, Deus vai resolver toda a situação.
David não conseguia dizer mais nada, só chorava e dizia que toda a situação não podia estar acontecer. Que era um pesadelo. Para ele, Catarina estava em casa a fazer o almoço e quando ele chegasse ela ia começar a falar das dores de costas que tinha. Catarina não podia estar ali, Catarina estava em casa, não no hospital. Pepe acordou do seu estado de choque e agarrou David num lado e Kaká agarrou no outro. Puxaram ele para uma cadeira e sentaram-se ao lado dele.
-David! Olha para mim! Tens que ser forte! Por ela! Pela Maria e pelo Pedro. Você sabe bem o que ela queria. – Dizia Pepe, tentando tirar David daquele estado que ainda o deixava perturbado.
-O que ela queria? Ela tinha razão! Nunca devíamos ter saído de Portugal! Nada disto teria acontecido.
-Davi, lembra do que ela quer. Ela nunca queria ver você assim, chorando.
-Ela é tudo para mim, entende? Isto é… É demais para mim.
-Então e o Pedro e a Maria? Como é que eles vão ficar? – dizia Kaká – tem que ser forte!
David acalmou-se. Ele sabia que, o que Catarina mais queria era o bem dos bebés. Nada mais. As lágrimas continuavam a cair pelo seu rosto e os olhos estavam mais vermelhos que nunca, a cara pálida e o seu corpo tremia. Todos se calaram até que Pepe interrompeu o silêncio.
-É melhor falar para sua mãe. Ela já deve ter ligado duzentas vezes.
-Não consigo, não estou pronto.
-Quer que fale?
-Não é preciso. Eu já falo, só preciso de um momento. – O médico apareceu e sorriu para David. Já David não conseguia sorrir.
-David, quer ir ver os seus filhos?
-Claro. Pepe, faz um favor. Avisa o Ruben. – David levanta-se e vai atrás do médico sem dizer mais alguma palavra. Quando chegaram à sala, o médico mostrou quais eram os seus bebés dos vinte que deviam de estar lá. David olhou para a bebé que estava com uma manta cor de rosa. Tão pequenina, tão linda, tão frágil. Ao lado estava Pedro, igual à irmã. David sabia que em bebés todos os eles era iguais mas havia uma coisa que se distinguia entre os dois. Os pequenos narizes. Maria tinha o nariz da mãe, que era pequeno e redondinho, já Pedro tinha o nariz estreito. David sorriu, lembrou-se das palavras de Catarina “Quero que o Pedro seja a tua cara”. As lágrimas desciam pela face, ele não sabia se eram de felicidade ou de tristeza. Uma mistura das duas.
-David, devia de ir para casa, descansar um pouco. Eles precisam de um pai a 100%.
David acenou a cabeça e pediu para ficar mais um pouco com eles. Olhava para a Maria e só pensava na Catarina. Era tão perfeita, os pezinhos e as mãozinhas pequeninas. Sem saber o que fazer David começou a falar para Maria.
-E agora? O que eu faço? Não sei de nada. Sua mãe é que… Ela é que ia cuidar de vocês, ia dar-vos comida, levar-vos à escola, falar de tudo com vocês. Eu não sei nada disso, nada! Tudo se vai resolver, não se preocupe Maria. Será… Será que também tem os olhos de sua mãe? São tão lindos os olhos dela. Eu vou cuidar de vocês. – David ficou a olhar para os dois pequenos bebés que tinha a seu lado. Os próximos anos eram dedicados a eles, só eles importavam. Olhou para o pequeno pé de Pedro e viu a pequena etiqueta com o nome do bebé. “Pedro Marinho”. – Vocês são os meus filhos… Onde está a vossa mãe? Eu preciso dela. Eu necessito dela aqui, agora. – dizia David ao mesmo tempo que a tristeza voltava a provocar lágrimas.

 

Kaká levou David a casa. Vieram o caminho todo em silêncio. Já era tarde, David não tinha comido nada e já estava na hora de jantar.
-David, vem comer lá a casa.
-Não Ricardo, eu preciso de estar sozinho.
-Não faz nada de parvo Davi.
-Não faço. Obrigado Ricardo.
-Vai com Deus.
David abriu a porta e colocou as chaves no móvel à entrada. No móvel estava uma foto de Catarina com David, os dois juntos com David abraçar Catarina. David agarrou na foto e levou até a cozinha. Não tinha fome, mas sabia que tinha que comer. No frigorifico estava um papel com uma nota lá escrita. “Meu amor, o almoço hoje vai ser na casa do Pepe. Fui com a Ana às compras. Quando chegares vai lá ter. Amo-te”. Agora David tinha perdido toda a vontade de comer, era a última coisa que ele queria. Puxou uma cadeira e ficou a olhar para o papel que estava nas suas mãos. David chorava mais uma vez, continuava a não acreditar que Catarina estava no hospital em coma profundo. Os médicos diziam que ela podia acordar daqui a uma semana como só podia acordar daqui a vinte anos ou então podia nunca mais acordar. Iria ser ele a cuidar de Pedro e de Maria até Catarina acordar mas o que David mais queria era que Catarina acordasse. Embora David amasse os filhos, ele sabia que não era capaz de viver sem Catarina. David agarrou na foto e levou para o quarto, deitou-se na cama onde se deitava todas as noites com Catarina. Fechou os olhos e deixou-se dormir. No dia seguinte acordou com a campainha a tocar, levantou-se e à porta. Na porta estavam dois policias que queriam pedir algumas informações a David sobre “Luísa Ferreira”.
-Porque querem saber da Luísa?
-A Sra. Catarina estava no supermercado com a Sra. Ana Sofia e ao que apuramos pelo interrogatório que fizemos com a Sra. Ana, a Sr. Luísa Ferreira estava junto dela. Vimos as imagens do supermercado, das cameras de vigilância e demos conta que Luísa Ferreira teve uma discussão com a Sra. Catarina.
-O quê?
-Podemos entrar para falarmos com mais calma?
-Claro, claro. – nisto Rúben bate à porta. – Por favor entrem e sentem-se na sala. Estejam à vontade.
-Obrigado. – David vestido com umas calças de fato-de-treino cinzentas e uma blusa comprida branca vai ao encontro de Rúben.
-Mano! Tem calma, estás bem? – David dá um abraço a Ruben e começa-lhe a contar o sucedido.
-Ruben, foi a Luísa.
-Hã?
-Entra, a policia quer falar comigo.
-Ok.
Ambos entraram na casa, David limpou os olhos e dirigiu-se para perto dos policias. Estavam os dois em pé à espera de David.
-O que é que a Luísa tem haver para a história?
-Como já lhe dissemos, a Sra. Luisa teve uma discussão no Supermercado com a Sra. Catarina e a Sra. Luísa chegou a dar-lhe um estalo e depois, já no final, deu-lhe um empurrão. A Sra. Catarina caiu e depois apareceu a Sra. Ana. Qual era a relação entre elas?
-Aquela cabra! A culpa é dela! Ela vai ficar à solta?! Como é possível!
-David, tem calma.
-Calma Ruben? Acabaste de ouvir o que eu ouvi?! A Luísa pôs em risco a vida dos meus filhos e por causa dela a Catarina está em coma!
-Sr. David precisamos da resposta. Qual era a relação entre elas?
-Não havia relação nenhuma entre elas. A Luísa é uma doida. Eu tive um relacionamento com ela mas não durou nem sequer uma semana. Ela começou a seguir-me e já fez coisas anteriormente. Nunca pensei que isto fosse acontecer! A culpa é toda minha.
-Mano, estás a gozar só pode? Como é que a culpa pode ser tua? Essa gaja é que é doida.
-O que vai acontecer agora?
-A Sra. Luísa vai ser acusada de Tentativa de Homicídio, mas ainda precisaremos de falar consigo. Entretanto, tenha cuidado com os seus filhos e restante família, ainda não capturamos a Sra. Luísa. Nós entraremos em contacto consigo, com licença.
David acompanhou os policias à porta e depois ficou sozinho com Rúben.
-Como estás?
-Nem eu sei meu irmão. Nem eu sei. Esta situação toda…
-O Pepe avisou-me ontem. Os putos estão bem?
-Sim.. A Maria e o Pedro nasceram se qualquer problema. São prematuros e vão ter que passar as duas primeiras semanas no hospital mas o médico diz que eles vão ficar bem.
-E a Catarina?
-Coma, não se sabe quando irá acordar. Meu irmão, eu não sei o que fazer… Eu não consigo viver sem ela aqui ao meu lado! Como vai ser depois? Ela precisa de acordar. Não sou capaz de fazer tudo sozinho… 
-E não vais fazer tudo sozinho, tens me a mim, a tua família. Vai ficar tudo bem.
-Todas as pessoas dizem isso mas a verdade é que não se sabe. Ela pode nunca mais acordar!
-Mas ela vai acordar. Não penses assim dessa maneira.
-Não dá. Você não imagina como estou. É como se tivessem acabado com o meu mundo.
-David, tem calma. Ela vai acordar. Ela não te ia deixar sozinho não achas?
-Eu espero que não.
-A tua mãe vem para cá amanhã. Ela vai apanhar o avião hoje.
-E tu, quando tens que voltar?
-Hoje, tenho avião marcado para as dez da noite. Mas se quiseres posso pedir ao mister para ficar cá mais algum tempo.
-Não. Não é preciso. Em que lugar vai o Benfica?
-2º. Estamos a um ponto do Porto. Vai ser um ano complicado. Mas interessante a Catarina não ter-te dito nada. Ela todos os fins-de-semana manda-me mensagens a dizer para nós ganharmos.
-Ela não fala do Benfica aqui em casa. Por causa do Real… Ela dizia que o melhor era não falar de Benfica se não a conversa acabava mal.
-Ela não gosta nada do Real pois não?
-Não… Ela vai aos jogos sem ter nada do clube e eu já lhe ofereci! Mas nada… Diz que é uma traição ao seu clube.
-Mas ela tem uma blusa do Arsenal…
-E do United. Ela diz que todos os clubes que gosta, têm vermelho. O Benfica é o seu grande amor e depois tem preferências.
-Essa Catarina…
-É perfeita, nunca se importa com o dinheiro… Só comigo. Ela tinha razão. Foi um erro vir para aqui…
-Achas que isto não acontecia lá?
-Claro que não.
-David, se a Luísa veio até Madrid para tentar acabar com vocês os dois também ia a Lisboa…
-Mas teria sido diferente. Ela sofreu muito aqui já. E agora está em coma. – David levanta-se e dirige-se para o quarto – Vou vestir alguma coisa, depois vamos ver como é que a Maria e o Pedro estão.
- Vai, eu fico aqui à tua espera.
Ruben começou a olhar para as fotos. Catarina e David, ficavam tão bem juntos e o quanto amigo tinha ficado de Catarina. Ela tinha apoiado ele muito na tentativa de relação entre ele e a Inês mas não se concretizou, mais tarde conheceu Sara que demonstrou ser a rapariga perfeita para ele. É impressionante como é que uma pessoa pode alterar a vida de tanta gente. Ruben e Gustavo iam ser padrinhos de Maria, Ladislau e João padrinhos de Pedro. Isabella e Lúcia madrinhas de Maria e Regina e Manuela madrinhas de Pedro. David dizia ser feliz só ao lado de Catarina.  Era algo extraordinário.
-Não deixes o David sozinho Catarina… - dizia Ruben num desabafo para si próprio.

**

Quarto de Hospital:

Era a primeira vez que David estava com Catarina. Ligada a monitores e com um tubo para respirar melhor no nariz, Catarina ainda estava em coma. Estava pálida e com grandes olheiras. David sentou-se a seu lado. Ruben estava à espera de David na sala de Espera. Preferiu dar alguma privacidade a eles os dois. David olhava para Catarina e fazia carícias na pele. Tentava não chorar. O médico entrou no quarto e David olhou para ele. O médico bem viu os olhos vermelhos de David, embora tivesse habituado a lidar com situações daquelas, tinha ficado chocado com a reacção de David.
-Bom dia.
-Bom dia.
-Como está? Mais calmo?
-Sim… E ela?
`-Está estável.
-E quando vai acordar?
-Sr. David, é impossível saber isso. Ela pode acordar já amanhã como pode só acordar daqui a uns anos.
-Isso não pode acontecer. Eu preciso dela. O que vai ser da Maria e do Pedro?
-Sr. David, eu sei que pode parecer estranho mas fale com ela. Falar ajuda muito e há pessoas que acreditam que eles ouvem o que nós dizemos. Por isso, fale. Até você fica melhor. Ajuda
imenso.
-Vou tentar.
-Venho mais logo ver como está. Até logo.
-Até logo.
David ficou a olhar para Catarina, tão quieta. Parecia estar a dormir normalmente.
-Catarina, se me conseguires ouvir, por favor acorda… Eu preciso de ti. Que estupidez, você não me vai ouvir. Se quando você dormia tinha um sono pesado quanto mais agora… - fez uma pausa e voltou ao seu discurso depois de um suspiro – Eles são lindos você sabe? Perfeitinhos. O Pedro parece ter um nariz igual ao meu e a Maria igual ao seu. Eu ainda não acredito que a Luísa fez-te aquilo tudo. Tu és forte. Vais superar isto tudo, tenho a certeza. Amanhã tenho que ir fazer o registo. Eu sei que gostavas que o Registo fosse feito em Portugal mas vai ter que ser assim… Ao menos é engraçado, uma portuguesa, um brasileiro e dois espanhóis. Por favor, não fica chateada comigo. Ah, acho que você fez capa de jornais em todo o lado e revistas e todas essas coisas. Tem que acordar para se chatear com eles. Fazer uma revolução qualquer. Nunca escolhemos o segundo nome dos bebés. Pedro Luiz era o que você queria não era? Fica horrível… Pedro Eduardo… Ainda pior. Pedro… Pedro Filipe? Não. Isso ia pôr o Manz todo convencido. Pedro… Samuel? E Pedro Gabriel? “Pedro Gabriel Silva Marinho”. Não fica mal de todo e tem o Gabriel que você queria. Ou então Pedro Miguel. Chegou a falar desse nome. E a Maria? Eu gostava que fosse Catarina Maria. Ficava melhor… “Catarina Maria Silva Marinho”. Você vai-me matar se eu fizer isso… Maria Inês? E Maria Gabriela? Aí… Você está a dificultar as coisas. Maria Catarina não fica bem… Maria Alice! Fica bonito não acha? Amor, você tem que me ajudar. Se eu nem consigo escolher o segundo nome sozinho quanto mais educa-los. Necessito de você… Amo-te tanto.

 

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-Bom dia meu anjo. Como é que você está? Tem que sair desse coma. Os meninos precisam da mãe. A Maria está tão linda. A minha mãe diz que ela vai ter um cabelo igual ao meu. Já imaginou? Ela vai ser linda. O Pedro é um reguila. Compramos uma “aranha” para ele e ele está sempre lá a saltar. Também já dá os seus pontapés na bola. Salta e dá um pontapé. É tão querido de se ver. O cabelo dele é loirinho. Os olhos deles são iguais aos seus. Iguaizinhos.  Eu olho para eles e vejo você. Tenho tantas saudades. Amanhã fazem sete meses. Era bonito se a mãe acorda-se. Eles amanhã vêm cá ver você. A minha mãe mandou-lhe beijinhos e meu pai também. A minha irmã foi-se embora ontem. Ela deve ter vindo cá, as flores são diferentes. Não ouviu nada do que ela disse sobre mim está bem? Eu admito que passei muito mal nos primeiros dois meses mas fiz o que você queria, que vivesse a vida e tomasse conta dos nossos filhinhos. Eu vou o fazer e vou estar sempre aqui, à sua espera. Eu não lhe queria falar disto porque você poderia ficar triste mas seu que irá ficar chateada se não contar. A minha mãe, ela esteve sempre aqui e eu passei muito mal Catarina. Você… Você é muito importante para mim. Embora ame imenso os meus filhos eu amo mais a você. Você alterou completamente a minha vida. Desde do dia em que te vi, ouviu moça? Mas eu estou bem. Voltei a ser eleito na selecção do Brasil e já sou titularíssimo na equipa principal do Real. Peço desculpa por nunca ter dito nada a você. Mas, custa-me tanto estar aqui a olhar e a falar para você sem você se mexer. Custa-me tanto. Quando é que Deus me manda você de volta? O que fizemos de mal? Será que fomos muito rápidos? Eu não acho porque, eu amo mesmo você. Se calhar, isto é um teste. Mas nós vamos passar, nós vamos passar. Eu vou ser forte. Agora, boas noticias, a Luísa foi presa durante 7 anos. Nunca mais vai-nos incomodar. Quando ela for solta, eu contrato dez guarda-costas só para você e para o Pedro e a Maria. Mais boas notícias, ontem ganhamos. 5-0! A equipa também era fraca, era para a Taça do Rei mas para a semana jogamos contra o Barça. Vai ser um óptimo jogo, com a ajuda de Deus vamos ganhar, espero. Mas eu sei que você não quer ouvir do Real. É o Benfica que você quer ouvir não é? Bem, não tem estado fácil para eles. Perderam contra o Porto e empataram contra o Guimarães. Você sabe como é os jogos fora contra o Guimarães. E o Rúben está triste não é? Ele não houve ninguém a desejar-lhe sorte antes dos jogos e a dizer o que é que ele fez de errado depois do jogo. Para além disso, você tem de acordar mesmo! Ele foi viver com a Sara e quer pedir ela em casamento mas não o faz porque quer que você esteja no casamento. Tem mesmo que acordar. Bem meu amor, eu volto mais logo. Tenho que ir para o treino. Por favor. Acorda. Eu amo você.

As enfermeiras continuavam impressionadas. David continuava a visitar Catarina, duas ou três vezes por dia. Nunca elas esperavam que ele fosse assim mas ao verem a dor que ele sentia por ver a mulher dele deitada numa cama sem dar qualquer tipo de reacção deixava-as quase em pânico. No inicio diziam que era desespero de um menino rico, agora chamavam aquilo “um grande amor”. David já sabia o nome de algumas e elas falavam com ele não como se ele fosse um jogador de futebol mas como se ele fosse uma pessoa normal mas triste e com uma única razão de viver. Os filhos. E apenas por causa de Catarina, porque David tinha passado os dois primeiros meses muito mal. No primeiro mês dormiu quase sempre no hospital, no quarto de Catarina num sofá que as médicas tinham arranjado. No segundo toda a gente teve medo, David tornou-se distante e vestia quase sempre calças de fato de treino pretas com uma blusa preta. Passava parte do seu dia no hospital e era revoltado para o mundo mas num dia isso tudo mudou. Acordou e vestiu uma camisola branca com umas calças de ganga, deu um beijo à mãe, ao pai e aos filhos e disse que ia para o treino pois já estava atrasado. Tudo aquilo por causa de um sonho que David tinha dito que tinha tido. Um sonho que ele nunca tinha revelado o que era mas que tinha sido o suficiente para David acordar para a vida. A mãe pensava que tinha sido Deus mas não foi Deus mas Catarina que apareceu no sonho de David a pedir para ser pai e mãe de Pedro e Maria e não se preocupar que um dia ela ia acordar. A partir daí tudo melhorou. Durante meses revistas fizeram capas e capas de jornais à cerca do estado da família Marinho. Uns diziam que David andava metido em drogas e tinha até desistido do futebol, que não ligava aos filhos e outros até diziam que já tinha esquecido Catarina e os bordeis eram lugares habituais para a sua nova vida. Tudo isto contribuía para a infelicidade de David mas algo estava a dar-lhe força e ele nunca iria desistir.


10 de Maio, última jornada que iria decidir o campeonato espanhol entre Barcelona e Real Madrid. (em Barcelona)

“É o último jogo e a equipa de Ronaldo e companhia poderá ganhar este campeonato. Impressionante este campeonato. Emoção até ao fim.
Pois é João mas mais impressionante é o número de golos que o Real Madrid sofreu. 9 golos sofridos! Impressionante. A dupla de centrais, Ricardo Carvalho e David Luiz é espectacular.
Impressionante a força desse miúdo, foi pai de gémeos e a mãe ainda está em coma e continua a fazer óptimos jogos. Para além disso, David marcou 6 golos!
E todos dedicados à Catarina, mulher de David.
Bem verdade, sem dúvida, o menino dos caracóis merece este prémio e merece também tudo de bom na vida dele, que a Catarina melhore.
E agora o jogo vai começar!”

Madrid:

Breathe in, Breathe out.
Respira, expira. Tentava abrir os olhos mas não conseguia. As luzes eram demasiado fortes. Tentava mexer-me mas sentia todo o meu corpo dorido. Tentava gritar mas era inútil. Faltava-me voz, faltava-me força. Mexi os dedos, perguntava-me quanto tempo tinha passado. Um dia, dois dias? uma semana? meses? Anos? Como estariam os meus filhos? E o David? Como estaria? Mexi um dedo, uma mão e tentava lentamente mexer o braço. Consegui mas com muito esforço. Devia ter passado muito tempo, parecia que os músculos tinham desaparecido. Uma enfermeira entrou no quarto, mal viu a minha mão a mexer voltou para trás e chamou o médico. Em poucos minutos o quarto estava cheio. Levantaram a cama e deram-me um pouco de água. Sorri. Acho que era a única coisa que conseguia fazer.
-Tente falar Catarina. – tinha medo, não sabia como estava a minha voz.
-Onde está o David? – A voz saiu grossa e doía falar.
-Vamos já telefonar.
-Como está a Maria e o Pedro?
-Saudaveis, não se preocupe. Agora você é o mais importante.
-Quanto tempo estive aqui?
-Vamos com calma Catarina..
-Quanto tempo?
-7 meses.
Respirei mais depressa. Senti-me mal disposta. Tanto que tinha perdido. O que me teria acontecido.
-Eu preciso de sair daqui, eu preciso de…
-Tenha calma, descanse. Tudo vai correr bem.
Eu queria sair, eu tinha que sair mas era inútil. Não tinha forças. Embora tivesse dormido durante 7 meses sentia-me cansada. Queria dormir, mas não podia. Apenas não podia.  Os meus olhos fechavam-se lentamente, eu tentava ficar acordada. Olhava para a porta à espera que David entrasse a qualquer momento. Nada. Nem o David nem qualquer outra pessoa conhecida. Só médicos e enfermeiras. Sem querer, deixei-me dormir.

Barcelona:

“Faltam dois minutos para o jogo acabar e as equipas continuam empatadas a uma bola. Impressionante este jogo. As equipas estão a dar o máximo. Um duelo não só entre os melhores treinadores, como pelos melhores avançados do mundo e os melhores centrais do mundo.
Exactamente. Um jogo que vale a pena ver. E agora vai David Luiz numa arrancada, passa para Ronaldo, Ronaldo tenta em Higuain e… Que fantástico corte de Puyol! David agarra a bola, passa a Di Maria, o puto maravilha do Real, finta um, finta dois, nem o Daniel Alves o pára! Cruza e David, David, David, David, chutaa!!!! GOLO!!!! GOLO DO REAL MADRID! DAVID LUIZ NUM ESPECTACULAR REMATE! SEM DÚVIDA, QUE CLASSE, QUE JOGADOR! NEM PARECE DEFESA-CENTRAL! LINDO! GOLO!!! E acabou meus senhores! Sem dúvida! Lindo jogo, espectaculares os jogadores e fantásticos os golos. E o titulo de campeão é do Real Madrid e com assinatura de um Benfiquista!”

 

 

 

Estádio do Barcelona:

A festa era enorme, David estava de joelhos no chão a rezar e chorar, pedindo a Deus para a Catarina acordar.
-Meu irmão! Somos campeões! Campeões!!
-Eu sei, agora só falta a Catarina acordar.
-Ela vai acordar, Deus tem isso nos seus planos.
-Espero que sim.
A festa continuava, os jogadores festejavam com apenas os dez mil adeptos que tinham vindo de Madrid até Barcelona ver o jogo. Cantavam, pulavam e gritavam. Nem sabiam bem o que diziam mas uma coisa era certa, havia uma felicidade imensa entre eles. Os jogadores foram chamados para recolherem ao balneário, a festa iria continuar mas em Madrid. David embora estivesse mais que radiante pensava ainda em Catarina. Mal chegou ao Balneario procurou o telemóvel ainda com uma réstia de esperança de encontrar uma mensagem ou chamada de alguém que lhe pudesse dizer que Catarina tinha acordado. “54 mensagens e 38 chamadas não atendidas”.
-É cara! Tantas mensagens! Você é famoso não? – Todos mandaram risada dentro do Balneario, o pequeno Marcelo era assim, coscuvilheiro e divertido.
-É, são de facto muitas… Ainda mais chamadas… Deixa cá ver de quem são.
David começa a correr para todas as chamadas não atendidas mas apenas quatro nomes saltavam à vista “Mãe, Rúben, Gustavo e Pai”.
-Epá, azar né David? Só uma mulher e é sua mãe…
-A Catarina acordou!
-Hã?!
-Só pode ser isso! A minha mãe, o meu pai, o Ruben e o Gustavo terem telefonado tantas vezes! Foi disso. A Catarina acordou!! Tenho a certeza.
-David, meu… Tem calma… Telefona à tua mãe... – Dizia Cristiano, não querendo desmotivar o colega mas ele sabia que, se a Catarina não tivesse acordado, David ia ficar completamente desolado e hoje era dia de festa.
-Sim, sim.. Vou já fazer isso… - David marca o número depressa e ouve os “pip’s” das chamadas. – Vai mãe, atende!! Tô?! Mãe! Por favor, diz que a Catarina acordou!
“Meu filho! Acordou sim! Como soube?! Estamos todos à sua espera! Ela está no hospital e já perguntou por você!” – dizia a mãe do David com alegria.
-Vou indo mãe!! Duas horas e estou aí! – David desligou e virou-se para a equipa – Ela acordou!!
Todos saltaram como se tivessem a fazer a festa de campeões. Saltavam para cima de David, abraçavam-lhe, até lhe deram beijos (o Marcelo claro). David sorria e agradecia a todos. Era a melhor notícia que podiam ter dado a David.
-‘Bora lá malta. Toca a despachar. Tenho que ir ter com a minha mulher!

Ao fim de três horas, Madrid:

-David! Ainda bem que chegou!
-Mãe, pai!
-Parabéns filho, foi campeão.
-Isso não interessa para nada pai, onde está a Catarina? E o Pedro e a Maria?
-Ela está no quarto a descansar. Eles ficaram com a Ana, ela ofereceu-se para tomar conta deles.
-David, ainda bem que chegou. Tenho uma paciente saiu agora do coma e não descansa enquanto não falar com o marido. Julgo que seja a sua esposa… - Dizia o médico feliz pelo Real Madrid ter sido campeão e por Catarina ter acordado.
-Sim doutor, é sim. Posso falar com ela?
-Terceiro quarto à direita.
-Obrigada.
David correu até à porta e sem mais nem menos abriu. Catarina estava sentada na cama a olhar para duas fotos com os olhos vermelhos, tudo indicava que estaria a chorar. As duas fotos que David tinha deixado na mesinha de cabeceira, uma deles os dois e outra do David mais a Maria e o Pedro.
-Catarina… - dizia David num suspiro e corria para junto dela. Deu-lhe um beijo apaixonado e abraçou-a, apertava-a junto do seu corpo e as lágrimas escorriam na cara de ambos.
-David… Desculpa… Eu não…
-Pshiú… Você nem mesmo depois de estar em coma tanto mês é incapaz de não se culpabilizar! Tive tantas saudades tuas, passou tanto tempo. As lágrimas caiam nas nossas faces, ainda estávamos abraçados e David beijava-me. Não sabia o que sentia, não tinha saudades porque para mim pouco tempo tinha passado mas sabia que algo de estranho se tinha passado. Era como se soubesse que tinha estado sete meses em coma e mesmo em coma, sabia o que David tinha sofrido.
-Como estás? Não merecias nada disto David, nada.
-Já passou, já passou tudo.
-Foste campeão?
-Hã? Como sabe disso?
-O médico contou-me. Mas eu já sabia. Sentia-o.
-Afinal você sempre ouviu!
-O que?
-As conversas, eu vinha aqui falar sempre com você.
-Amo-te tanto… Como é que não desistis-te de mim?
-O meu amor por você é maior que tudo. Por ti vou até ao fim do mundo, luto contra tubarões e tigres e enfrento todos os homens deste mundo. Por ti, só por ti.
Era impressionante ouvir o David a dizer isto. O sentimento que ele dava as palavras. Amava-o não muito, não daqui até à Lua. Era complicado dizer o quanto amava mas sabia de uma coisa, amava-o cada vez mais, a cada dia que passava. A todos os segundos descobria uma coisa nele que me fazia ama-lo mais.
-Só te quero ver fora deste hospital, mais nada. Você precisa de conhecer os seus filhos. São lindos. Têm os dois os seus olhos.
-E a Maria os teus caracóis!
-Pois é… Tem que ver eles. Eles olham para as suas fotos e batem palmas. Eles sabem que você é a mãe deles.
As lágrimas vieram-me aos olhos, não queria acreditar que os meus filhos só me conheciam por fotos. Era cruel.
-Não fica assim amor…
-Eles não me conhecem David, como achas que será? Tiveste que tomar conta deles este tempo todo. Como ficaste? O que se passou?
-Eu fiquei bem… Houve muitas revistas que inventaram muito sobre nós mas é tudo mentira. Eu sempre te fui fiel e nunca pensei noutra coisa a não ser em você sair desse maldito coma. Passei um mau bocado mas, você mesmo no hospital me deu forças.
-O que aconteceu David? Estás-me a esconder algo. Conheço-te demasiado bem.
David olhou para o chão e fez uma cara feia. Agarrou-me nas mãos e olhou-me nos olhos. Disse baixinho “Estou aqui, estou bem…”. Senti o meu coração apertar, passavam-me montes de pensamentos pela cabeça. Cada um pior do que o outro. A respiração tornava-se pesada e pesada, entrava no meu pequeno mundo, como se estivesse a regredir e a voltar ao coma. Fui interrompida pelo médico a bater à porta.
-Boa noite. Como está Catarina?
-Bem, obrigada.
-Quando é que ela pode ir para casa doutor? – dizia David com um sorriso de orelha a orelha.
-Calma… Ainda temos que fazer exames mas julgo que mais uma semana e pode ir.
-Mais uma semana?!
-David tem calma.
-Sr. Luiz, não espere que é fácil. Os próximos meses serão muito importantes. Precisa de recuperar a massa muscular.
-E também de começar a ser mãe a tempo inteiro. Humm… Já preciso de umas férias e nem sequer agora comecei.
-Você vai melhorar. Bem, vou deixar-vos um pouco à vontade. Sr. Luiz, apenas mais 10 minutos.
-Só!?
-Não reclame. Já viu as horas que são? Tem muita sorte em puder estar a fazer a visita a estas horas.
-Ok, ok. – O médico saiu e deixou um pouco da porta aberta, como se fosse um aviso para o David sair. – Eu hoje já disse que te amo?
-Sim, mas podes dizer outra vez que eu gosto de ouvir.
-Eu cá não oiço nada disso…
-Eu não preciso de dizer. Eu posso transmitir. – Dei-lhe um beijo suave nos seus lábios macios. Parecíamos miúdos. Ups, nós éramos miúdos mas já com tantas responsabilidades.
-Eu cá gosto disso sim!
-Ainda bem porque quero passar o resto da minha vida a faze-lo.
-Te amo tanto. Não há palavras para exprimir o que sinto agora!
-Nem eu meu amor. Nem eu…

O Real Madrid campeão, eu acordei, tinha dois filhos, o melhor marido do mundo. O drama tinha passado. Esperava algo bom para o próximo anos junto do homem que mais amava.

 

 

publicado por acordosteusolhos às 22:51

Dia 12, 11 horas:

Os raios de sol entravam pelo quarto a dentro, ainda estávamos na cama deitados mas acordados. Estava virada para David. Este, fazia-me pequenas festas na cara e eu brincava com os seus caracóis.
-Achas que eles vão nascer com os caracóis?
-Achas que eles vão ter olhos verdes?
-Desde que sejam parecidos ao pai.
-E parecidos à mãe.
-Claro. Preciso de comer, estou cheia de fome. Quer dizer, eu e os dois bichinhos que tenho dentro de mim.
-Eu vou pedir um daqueles pequenos almoços com tudo.
-Faz isso meu anjo, eu vou tomar um banho. Já venho.
David levantou-se e agarrou o telemóvel. Ouvi as primeiras palavras dele em Inglês mas quando pus a água a correr deixei de o ouvir. A casa de banho tinha uma banheira e um chuveiro, o chuveiro fazia três ou quatro nossos. Já para não falar que parecia a água caia do tecto. Algo luxuoso, parecia que estava a tomar banho numa cascata. Sai do duche e o David estava a receber alguma coisa à porta, devia de ser um empregado do Hotel com a comida.
-David! O que é isso?
-É o pequeno-almoço.
-David, isso é tudo menos um pequeno-almoço.
-Eu pedi um pequeno-almoço e o cara disse “Romantic?” e eu respondi “yeah, yeah” numa esperança que ele pare-se de falar o inglês dele que ainda era pior do que o meu e depois ele disse-me que já trazia e olha… Saiu isto.
O pequeno-almoço era enorme, tinha queques, uns bolos de chocolate, pão, fiambre e alguns salames, até tomate tinha. Era uma mesa cheia de coisas.
-Meu Deus, isto é o pequeno-almoço para os quatro dias?
-Não, só para hoje. Eu já dou volta a isto tudo. Mas antes, sabe porque é romântico?
-Não…
-Fecha os olhos.
Fechei os olhos e senti a mão de David no meu ombro molhado. A mão subiu até à minha cara e deu-me um pequeno beijo.
-Abre os olhos – sussurrou ao meu ouvido. Quando abri vi uma rosa vermelha linda e o David a sorrir, não me importei muito com a rosa mas mais com o sorriso do David que era das coisas mais maravilhosas do mundo. – Eu amo você.
-Também te amo David, muito. – Agarrei na rosa e acabamos por dar um beijo. David sentou-se a meu lado e comemos o grande pequeno-almoço.

 

Praga, Veneza e no final o bom do Algarve. Conhecia-me bem e sabia que não trocava o Algarve por nada mesmo assim, em Praga e Veneza, David não desperdiçou um bom hotel de luxo e no Algarve não foi excepção. Hilton Hotel, um dos melhores hotéis de Portugal, de certeza. A Lua-de-mel já tinha acabado, no Hotel também estava o Gustavo, a família de David, o Ruben, a mãe, pai e irmãos do Ruben. David, Ruben e Gustavo divertiam-se na piscina, pareciam crianças juntos. Eu ficava com as mulheres mais velhas e as namoradas do Ruben e do Gustavo, Sara e Cátia enquanto pai do Ruben e do David falam sobre assuntos dos quais as mulheres não acham nada interessantes, carros. Os dias eram passados assim, de manhã na praia, à tarde na piscina. Tínhamos acabado de jantar e fomos para um café que o hotel tinha. David tinha ido pedir ao balcão mais o pai dele. David estava diferente nos últimos tempos, parecia preocupado mas a verdade era que, quando não estava a falar com a mãe do David, que era bem capaz de ser a melhor sogra do mundo, estava a falar com a mãe do Ruben ou as irmãs ou namoradas do Ruben e do Gustavo. Não lhe estava a dar muita atenção mas o David compreendia.
-Aí…
-Que foi rapaz?
-As férias estão acabando…
-É filho, nunca ouvi você assim! Até parece que não voltar a jogar quer à bola.
-Não é isso pai.
-Então filho? Que se passa?
-O Real Madrid entrou em contacto com o Benfica, me querem contratar.
-Que boa novidade filho! Que se passa então? Isso não é bom?
-Em termos profissionais e financeiros, óptimo. Mas, a Catarina…
-A Catarina ama você moço.
-Não duvido pai, mas ela está grávida. Ela de certeza que não quer ir para Espanha agora.
-Filho, já falou com ela?
-Ainda não.
-Então não deve andar assim, ela vai compreender e vai com você. Ela ama mesmo você é por isso que a sua mãe gostou dela.
-A mãe gosta de toda gente.
-A sua mãe não gosta de toda a gente não. Ela não gostou quando você se meteu com aquela rapariga. A actriz…
-Ah, mas isso foi uma parvoíce minha.
-Mas ela não gostou – o pai do David chegou-se mais para perto dele, quase como se fosse contar-lhe um segredo – a mulher ficou mesmo chateada. Meteu-se a gritar em casa “Aquele moço já não tem cabeça! Eu vou falar com ele e vou-lhe puxar bem aquelas orelhas!”.
-Quê?
-É bem verdade. Nem gostou daquela sua outra namorada, a loirinha…
-A Sara?
-Sim, a Sara. Ela era bonitinha até mas a sua mãe não gostou dela. Quando a conheceu à noite foi-me dizer “Esta garota é daquelas que se despem para as revistas, tem mesmo cara disso”.
-Bem, ela não se despiu para a revista mas… Se a relação fosse para a frente não duvido. Acho que a minha sorte foi mesmo o Ruben que me avisou várias vezes e depois eu lá abri os olhos.
-Como assim filho?
-Ela disse-me várias vezes “Chupa-te o dinheiro, ganha importância social e depois vai-se embora.”. Vá lá, eu acordei e graças a Deus. Agora ela anda com um do Sporting. Mas já deve ter rodado toda a equipa, até o roupeiro Paulino! – Os dois deram uma gargalhada que se ouvia da nossa mesa. – Então e o que disse a mãe sobre a Catarina?
-Uma coisa assim “É esta! Sabe cozinhar a rapariga e é bonita. E não quer o dinheiro dele viu? Aí e como ela olhava para ele e é Benfiquista! Eu sempre disse que ele ia casar com uma Benfiquista. E estuda a moça, é tão independente! Eu adorei a moça!”
-Pareceu bom não foi?
-Sim, pareceu. – O empregado chegou e David pediu as bebidas. O seu pai voltou a falar – Mas fala com ela viu? Se não… Ela fica chateada.
-Eu sei pai. Obrigado. – Os dois caminharam para a mesa. David sentou-se a meu lado e o pai do David ao lado da sua filha. As bebidas chegaram pouco tempo depois.
-Uhh… Isso é um daikiri amor?
-Sim, é. Porquê amor?
-Vais-me dar um bocadinho.
-Estás grávida, não podes.
-É só um bocadinho.
-Não podes.
-Só um bocadinho. Vá lá.
-Não.
-Estúpidinho.
-Estúpidinha.
-Não me chamas isso ouviste?
-Já viram o que tenho que aturar?
-Olha… Eu é que tenho de te aturar! És mau para mim.
-Mau? Aí…
-Sim, não é Ré?
-Entre marido e mulher não se mete a colher.
-Óh! Se soubesse ainda não tinha casado contigo para a tua mãe me apoiar.
-A minha mãe não te ia apoiar.
-Como tens tanta certeza?
-Por ser minha mãe!
-Ó. Está bem. – O telemóvel do David toca com uma das piores músicas do mundo “Rebolation”. Era o que dava quando fazia apostas com o Ruben Amorim. Acabava sempre por perde-las.
-Já venho amor, não bebe viu? 
-Mas não podes atender aqui?
-Muito barulho…
-Ok…
David saiu e cheguei-me para a frente. Nem me importei mais com a bebida.
-Ladislau…
-Sim.
-Que se passa com o David?
-Que se passa? Não sei.
-Ladislau…
-Não sei de nada.
-Ladislau, você sabe? – Dizia a Regina ao Ladislau.
-Não sei! Mas o que havia de se passar?
-Ele nunca saí da mesa para falar com ao telemóvel. Nunca – disse perante a família e todos acenaram num ar de concordar com a situação – Ele conta-nos sempre tudo. Tenho que falar com ele. – Levantei-me mas Ruben agarrou no meu braço.
-Tem calma, ele vai-te contar hoje.
-Mau! Mas tu também já sabes?
-Catarina confias nele?
-Claro que sim, mas não compreendo porque é que ele ainda não me contou.
-Ele vai-te contar mas é complicado.
-Que se passa? Não estou a perceber…
-Catarina, vem comigo. – Disse David com um ar meio abalado. Tinha acabado de chegar.
-Claro, ia ter contigo agora.
David agarrou na minha mão e levou-me para o jardim do hotel que por sinal não era nada pequeno. O jardim fazia ligação à praia e quando chegamos perto da praia David parou e sentou-se na areia. Sentei-me a seu lado, embora com algumas dificuldades pois a barriga não facilitava.
-Que se passa?
-O Benfica teve uma proposta por mim.
-De que clube?
-Real.
-Então, e tu?
-Eu o quê?
-O que queres fazer?
-Não me peças para dizer isso.
-Porquê?
-Porque sabes bem o que quero. Profissionalmente, Real Madrid é muito bom. Financeiramente ainda melhor. Mas sabes que amo o Benfica mas o mais importante não é isso, és tu.
-Eu?
-Sim, tu. Eu não vou para Madrid se tu não vieres comigo.
-É assim…
-Ok…
-Hã?
-Já percebi que você não vem. Se não vens…
-Não, não é nada disso. Temos que pensar bem. Eu estou grávida. Mas posso ir contigo mas quero ter os bebés cá. Mas não te vou proibir de ir para o Madrid. Sei que é um sonho de criança para ti e com muita pena minha, sei que o Benfica não é tão forte como o Real Madrid. É claro que vou contigo mas… As últimas semanas venho para Portugal, não gosto de Espanha e não quero ter lá os meus filhos.
-Eu tenho muito tempo, posso ficar cá mais este ano.
-Vês?
-O quê?
-“Mais este ano”. Tu não queres ficar mais este ano. Se ficares ficar fica, mas tu não queres. Tens outros objectivos. Como qualquer pessoa no mundo.
-Tu sabes que eu não vou aguentar estar longe de ti.
-E tu sabes o mesmo, por isso é que vou contigo. Não te hei-de abandonar, nunca.
-Não quero a tua infelicidade.
-Nem eu a tua, então, vamos para Madrid?
-De certeza que é isso que você quer?
-Só quero a tua felicidade.
-Mas eu sou feliz.
-Mas não completo.
-Claro que sou. Mais que completo. Estou a seu lado, vou ser pai e estou num bom clube.
-David… Tu sabes que é diferente.
-Não é.
-É sim. Tu queres ir para um clube de topo e já tivemos essa conversa. Acho que não vale a pena voltarmos a ter esta conversa.
-Você não vai ser feliz.
-Vou estar a teu lado, para mim isso basta. Agora mudando de assunto, ficaste chateado?
-Por causa do quê?
-De não conseguirmos ver se os bebés são menino ou menina.
-Ah, isso. Claro que fiquei. Irritantes como a mãe.
-Irritantes é?
-Sim. Mas é assim que eu gosto de você.
-Obrigadinha.
-De nada. Tem a certeza que é isto que você quer?
-Isto o quê?
-Acompanhar-me até Madrid.
-Só serei feliz a teu lado, não importa onde desde que estejas comigo.

Chegamos a Lisboa dois dias depois, sentia-me cansada. A barriga continuava a crescer e parecia que nunca mais ia parar de crescer. Sentia-me doente e stressada. Toda a situação do David estava-me a deixar louca. Se queria ir para Madrid? É claro que não mas eu não podia ser egoísta e pensar só em mim. Ou seria ele que estava a ser injusto comigo? Ganhar mais de 75 mil euros ao mês não lhe chegava? 1 milhão ao ano. Durante 13 anos, 13 milhões. O que poderia ele querer mais? Ia ter dois filhos, sentia-me cansada, stressada, impaciente e com 22 anos de idade. A verdade é que começava a ter duvidas de toda a situação. Tinha sido irresponsável. Onde é que eu tinha a cabeça quando decidi casar aos 22 e ficar grávida antes dos 37? Toda a minha visão de mulher do futuro estava a ficar virada do avesso graças a um jogador de futebol. Namorar com o director do Hospital da Luz, casar aos 35, ter filhos aos 37, ser Ministra do Ambiente aos 45, reformar-me aos 55 e viajar pela mundo até esticar o pernil. Eis o meu plano, agora é mais: Namorar aos 21, ficar grávida aos 22, casar aos 22, ter mais filhos até me cansar e o pior de tudo, não puder divorciar-me porque amava o homem com quem acordava todos os dias. E bastava um amo-te pela manhã para todos os meus problemas desaparecerem e concentrar-me em ser feliz a seu lado. Estive com o Ricardo para falar deste mesmo assunto e deparei-me com o meu ex-homem ideal. Aquela com quem eu ia casar aos 35. Ricardo estava a dois passos de ser Director, mas não do hospital da Luz mas sim do Júlio de Matos. Sei que não parece tão bonito, mas continua a ser positivo. O pai dele, que trabalhava lá e era o director ia-se reformar. Restava agora Ricardo que era filho único para seguir o caminho do pai. Por mais incrível que pareça não cheguei a falar com ele. Entreguei-me a seus braços e chorei. Ele sabia o que se passava, não era preciso dizer mais nada. Ele tentou-me acalmar, disse várias vezes que era uma fase menos boa mas eu não estava nada bem e segundo Ricardo o melhor era “partilhar o sentimento com o David”. Mas isso não fazia parte dos meus planos, não queria que o David soubesse disto, sabia como ele iria ficar se soubesse disto. Acabaria por ficar no Benfica. Mas qual é o mal do meu clube? É o melhor clube do mundo! É lindo, tem o símbolo mais lindo, o estádio mais perfeito e era o clube que tinha mais sócios no mundo. O que é que ele queria mais? Ok, o Real Madrid é um grande clube mas só porque tem muito dinheiro. E eu odeio Madrid, ele sabe que eu odeio Madrid. Quer dizer, não só Madrid, toda a Espanha. Espanha, espanhóis e a sua mania insuportável, será que ele já não compreendia isso? Será que ele não era capaz de sofrer um pouco por mim e ficar para sempre no Benfica? Perfeito, agora estava a ser egoísta. David começava a desconfiar, acordava de manhã e já não lhe dizia o habitual “amo-te” mas o que é que ele queria? Que disse-se amo-te todos os dias até o final da nossa vida? A quantidade de saliva que iria gastar. A mãe de David parecia um pouco desiludida, acho que ela tinha percebido logo que eu não estava satisfeita com a situação. Principalmente quando na sexta à noite estávamos todos a jantar e o assunto “Real Madrid” veio à tona e entre elogios ao clube perfeito eu acabei por saltar um elogio irónico, “gosto tanto daquele clube como gosto de azedas, se estivermos a comparar camisolas do Porto e do Madrid posso dizer que a do Porto é linda”. A conversa morreu e toda a gente acabou por se calar, eu levantei-me e fui à casa de banho, David para variar veio atrás de mim mas acabei por gritar bem alto (depois de várias perguntas dele “tens a certeza que estás bem?”) “ESTOU ÓPTIMA”. Eu estava a estragar toda a relação com o homem que amava e não entendia que até estava a fazer mal aos bebés. Acho que precisava de arranjar emprego. Estava farta de estar em casa enfiada a ler livros. Já tinha lido boa parte dos livros de Saramago, voltei a ler “Os Maias” e já tinha lido todos os livros de Nicholas Sparks. Cada livro dele fazia-me chorar, fazia-me chegar ao pé do David e pedir-lhe desculpa pela minha infantilidade dos últimos tempos e que nunca o iria abandonar, que queria que o nosso relacionamento fosse tão bonito como os romances de Sparks. Que se um dia eu morresse, ele mesmo que encontrasse outra pessoa iria referir-se a mim como “a mulher da sua vida”. Nada disso iria acontecer, eu estava a matar-nos e o pior é que sentia duas vidas a crescerem dentro de mim, sentia-me confusa, perdida no escuro e cada dia que passava, com uma corda que ia apertando no pescoço e que não me deixava respirar. Os jornais faziam manchetes sobre o David, o meu telemóvel tocava sem parar. Os jornalistas já tinham feito esperas à nossa casa e eu estava farta, tinha que ser hoje. Já não aguentava mais, era hoje que ia falar com David e explicar o que sentia. Ou era hoje ou nunca. Ele chegou do treino, impressionante como continuava a ir aos treinos… Eu já nem dizia nada, mais valia não ir a nenhum treino se ia voltar a jogar com o símbolo do Benfica no peito. Abri-lhe a porta e ele deu-me um beijo, acariciou a minha barriga e dirigiu-se para o quarto para arrumar a mala.
-David. Precisamos de falar.

“Evite grandes picos de stress”, disse-me o médico. Depois de conseguir sobreviver aos jogos do Benfica, ao meu casamento e a todo o stress que Jonathan tinha posto em mim, o Real Madrid fez-me desmaiar. Agora a conversa do médico já não era “Evite” era “Descanso absoluto nos próximos 5 dias e não pode haver nervosismo.” Ricardo chegou acompanhado por Camila, 24 anos, baixinha e morena. Curso de Engenharia Fisica e nova namorada do Ricardo. Lembrei-me de mim naquela pessoa que era Camila, olhei-a com 4 olhos e desejei nunca a ter conhecido na vida. Estava sentada na cama do Hospital, a meu lado estava David que já dormitava. A Regina e o Ladislau já se tinham ido embora e era a altura ideal para Ricardo chegar, a altura quando podia falar com ele sem qualquer tipo de pudor. Onde ninguém estaria a ouvir.
-O que se passou?
-Desmaiei.
-Desmaias-te? Como assim?
-O médico fala em nervosismo e cansaço.
-E tu?
-E eu?
-Sim, o que se passou?
-Tivemos uma discussão, os ânimos exaltaram-se e eu acabei por ir-me a baixo.
-Nunca te vi assim.
-Assim como?
-Pálida, infeliz.
-Não estou infeliz.
-Estás. E foi por isso que estás aqui. Estás a ficar confusa, estás a perguntar-te porque é que casas-te com David, porque é que estás grávida.
-Então diz-me! Porque é que eu casei-me com ele? Porque raio é que estou grávida?
-Estás a pensar demasiado, a resposta é mais fácil do que tu imaginas.
-Não, não é. É complicado. Rescindi de tudo por causa dele e posso ter perdido tudo.
-Não, não perdes-te. Tu amas ele. É por isso que estás grávida dele, é por isso que te casas-te com ele e é por isso que vais para Madrid, vais chorar durante as duas primeiras semanas e depois vais esquecer tudo, pôr de parte tudo e ser feliz ao lado dele. Porque amas ele, e como o amas, e o vosso amor é algo estrondoso, vais rescindir de ainda mais coisas mas vais ganhar ainda mais. Vais ser mãe, vais ser mulher, vais se dona de casa e vais aparecer nas revistas. Tudo porque amas ele e vais compreender isso, espero é que não seja tarde demais.
Ricardo deu-me um beijo na testa e foi-se embora. Voltei a olhar para David, tinha-se deixado dormir. A verdade é que já estávamos no Hospital há 3 horas, quase quatro e ainda nenhum de nós tinha falado. David limitava-se a agarrar a minha mão e a fazer carícias na minha face, eu tentava não chorar e olhava para ele, para aquele pequeno pedaço do céu. Ele só queria o meu bem e embora a discussão tivesse durado mais de meia hora, as últimas frases do dialogo conseguiam resumir toda a conversa.
“Eu só quero que sejas feliz e se isso implica ir para Madrid eu vou! Mas se queres saber toda esta conversa está-me a chatear! Pudera algumas pessoas ganharem o que tu ganhas ao mês. O Benfica não é suficiente? Tens mesmo que sair?! Diz que sou egoísta mas tu também o estás a ser.
Então pronto, não vamos para Madrid! Não quero-te ver assim.
Mas assim és tu que não estás feliz! Não te quero ver angustiado todos os dias. Se o ano passado já foi o que foi então este ano!
Então não entendo o que você quer! Ou quer ir e eu sou o egoísta ou eu quero ficar e é você a egoísta!
Tu vais para Madrid, eu fico! É isso que eu quero! É o melhor para nós!
Você está a dizer que… Acabou? Não me ama mais?!
Hã? Como podes estar a dizer isso? Como me podes estar acusar de tal coisa?
Não estou acusar ninguém!
Estás a dizer que não te amo quando sabes que é mentira!
Então porque estás a dizer que queres ficar? Vem comigo! Não sou capaz de viver sem ti.
E como é que eu… Aííí!”
O resto já se sabe, desmaio, Hospital da Luz, conversa com Ricardo e momento de reflexão. Várias perguntas assombravam a minha cabeça mas uma coisa é certa, Ricardo tinha razão. Eu amo o David, muito. Mais do que qualquer outra pessoa no mundo por isso tinha que ir com ele, deixar tudo e ir com ele para Madrid. Pode não ser o meu sonho, mas é ainda melhor. Fechei os olhos e dormitei. Amanhã o médico iria tentar ver o sexo dos bebés.

-Parabéns, vocês são país de uma menina e de um menino!
Senti um calor dentro de mim, sentia-me bem, feliz, concretizada. Era maravilhoso ser mãe! Soltei um sorriso de orelha a orelha, olhei para David e também ele sorria. O sorriso parou, a tristeza voltou e lembrei-me do que vinha a seguir, mais uma conversa sobre a mudança. De manhã, David contou-me que queria ficar a meu lado e que eu era a pessoa mais importante da vida dele. Senti-me… Tão complicado explicar. Como se o mundo tivesse caído a meus pés. Aquelas palavras vinham mesmo do coração, era o que ele sentia. Ele era capaz de ficar, não por causa dos adeptos, não por causa dos bebés mas sim por minha causa.
“Não, eu quero ir contigo para Madrid. Quero-te ver a jogar naquele grande estádio e quero-te ver a ganhar a Champions.”. Sorri, um sorriso que não era feliz mas um sorriso que ia fazer alguém feliz. David sorriu mas fomos interrompidos pelo médico. Sei o que ia dizer a seguir, “não quero ir se você não é feliz”. Essa conversa ficava-me na cabeça e nem mesmo com a melhor novidade do mundo saía-me da cabeça.
-Os bebés fazem amanhã 5 meses. Parabéns, só faltam 4.
-E nós fazemos 1 mês de casados.
-Hã? – Não estava  a ouvir o que estavam a dizer. Estava mais concentrada na conversa que íamos ter a seguir.
-O médico estava a dizer que os bebés fazem 5 meses amanhã e eu referi que nós fazíamos um mês.
-Sim, verdade. Desculpe, quando me pode dar a alta?
Três horas e meia depois e já estávamos em casa. A minha mãe atrasou um pouco as coisas. Preocupação de mãe tinha que ver se a filha estava bem e claro, ralhar com David. A casa estava vazia, mas as recordações enchiam a casa. As brincadeiras parvas, o acordar de manhã, o adormecer à noite. Os jogos de PS e de futebol que se viam naquela casa, a comida e discussões saudáveis. O amor, o sofrimento e a pancada que houve ali, recordações que me faziam pensar que éramos fortes e que nos amávamos, muito. David levou-me devagar até a cama, embora não tivesse nenhum problema de saúde o médico falou em descanso e pouco nervosismo. Deu-me um beijo na testa e saiu do quarto.
-Merda. David! Onde vais?
-Vou arranjar um chá para você.
-Não quero chá nenhum, vem cá. Preciso de ti.
-Há quanto tempo eu não ouvia isso e não sabe da necessidade que tenho de ouvir isso.
-Eu amo-te. Se tiveste dúvidas nisso..
-Nunca tive. Tive medo de te perder.
-Nunca me vais perder. Estarei sempre aqui é por isso que vamos para Madrid.
-Você quer mesmo isso?
-Quero. Só sou feliz a teu lado.  
-O Ricardo me ligou ontem.
-O que é que ele te disse?
-Para não desistir de ti.
-Ias?
-Nunca. Quero estar contigo para sempre. Só Deus nos irá separar.
-Sabes o que acho? Que mudei. Que mudei e que sou daquelas raparigas fúteis.
-Não. Nada disso.
-Eu discuti contigo sobre irmos para Madrid. A antiga Catarina tinha dito que queria ir, que ia atrás do seu amor e que só era feliz ao lado do seu grande amor.
-A Catarina de hoje não está diferente, está mais responsável, mais adulta, mais mulher. Agora já não pensa só no seu grande amor como também pensa nos seu filhos. E agora, a antiga Catarina estaria possivelmente a falar dos nomes dos bebés mas está a falar da mudança para Madrid. Você ainda acha que eu sou eu seu grande amor mesmo depois de eu ter levado você para o hospital e quase que perdeu os bebés.
David deixar cair uma lágrima e põe o seu braço por cima na minha barriga e encosta a cabeça. Fica a olhar para a varanda.
-Que melodramático David. Tu irás ser sempre a pessoa que mais amo no mundo, acho que nem mesmo os meus filhos serão mais importantes que tu. E sabes, precisamos de sair desta casa.
-Porquê?
-Odeio a vista. Odeio o estádio de Alvalade e já estou a ficar farta de andar a carregar coisas pelo elevador!
-Hã?
-Para além disso, sabes que odeio elevadores. Desde que fiquei trancada num as minhas relações com elevadores já não foram as mesmas. Odeio mesmo!! Preciso de uma casa igual a da tua mãe!
-Vivenda?
-Sim. Mas sem piscina. Dá-me arrepios só de pensar que algum deles pode saltar lá para dentro.
-E já agora quer um cão também.
-Não! Os cães só trazem parasitas e doenças. Quero uma casa que se possa viver!
Ambos sorrimos, amava ver o David com aquele sorriso, ele estava feliz e isso fazia-me feliz.
-Só falta a minha assinatura.
-E quando é que tens de ir?
-Depois vem os testes mas aí pode ficar cá e depois… Tenho 10 dias de férias.
-Mais?
-Sim… É bom não é?
-Sim, é bom. Ao menos tenho tempo para fazer mudanças.
-Queres viver onde? Onde o Cristiano Ronaldo vive?
-Isso até era boa ideia, não é onde o Pepe e o Simão vivem?
-Sim. Mas o Simão vem este ano para o  Benfica e ele vai alugar a casa
-E é um quê?
-É um T3, ele não quer vender pois diz que é sempre bom ter lá casa.
-David…
-Sim…
-Não te ocorre nada?
-O quê?
-Então vamos lá a ver, o Simão vai alugar uma casa, vivenda, vizinhança portuguesa.
-E brasileira, o Kaká e o Marcelo também estão a viver lá.
-Posso continuar?
-Sim.
-Vizinhança Portuguesa e Brasileira e nós precisamos de uma casa.
-Sim…
-Ó David, estás bem? Pensa!
-Oi?
-Ó David liga ao Simão para ficares com a casa dele!
-Ah.. Sim…
-David…
-Sim…
-Tira o telemóvel e fala com ele.
-Sim sim…
-David, tu já falaste com ele não foi?
-Ah… É um T3, não tem piscina e fica ao lado da casa do Pepe e perto da casa do Ronaldo. Tem 4 casas de banho e uma cozinha enorme! Ele diz que não precisa de nada do que está lá e que basta eu levar roupa e outros bens essenciais.
-Aí… Vamos mudar de assunto que eu não me posso irritar.
-Ok. Quer falar do quê?
-Nomes.
-Catarina.
-Já falamos sobre isso. Maria ou Inês. Para os rapazes, Pedro ou Gabriel.
-Maria e Pedro.
-Maria e Gabriel.
-Bem, ao menos a rapariga foi fácil. Pedro.
-Estou grávida não posso discutir. Gabriel.
-Vamos a votos.
-Eu voto Gabriel.
-Uau, votos com duas pessoas. Brilhante.
-Podias votar no meu.
-Olha a graça da moça hein? Vou ligar para a minha mãe.
-E eu para a minha.
Ligamos ambos para as nossas mães e perguntamos quais eram os nomes que preferiam.
-O que disse?
-Primeiro tu.
-Os dois ao mesmo tempo.
-Ok. Um, dois, três.
-Pedro! – disse a David.
-Gabriel.
-MERDA!
-David!
-Saiu!
-Liga ao Ruben e ao Gustavo.
-Você liga ao Gustavo eu ligo ao Ruben.
-Ok.

-Então?
-Pedro, foi o que o Gustavo me disse.
-GANHEI! O RUBEN DISSE PEDRO!
-Merda.
-Então? Não era proibido?
-Estou grávida, não me posso irritar.

“Quero-te mostrar uma coisa.”
Aquilo era tudo menos uma coisa, era a nossa casa. Um apartamento T3 lindo! Continuava-mos em Telheiras mas David tinha feito uma surpresa. Comprou uma casa em Portugal e isso deixava-me felicíssima! A cozinha em vermelho e branco, a sala era branca e tinha fotos nossas e das nossas famílias na parede. Havia um quarto com as paredes metade cor-de-rosa e metade azul com dois berços redondos. Era lindo, tinha peluches, os cortinados brancos e o candeeiro também branco. Apenas perfeito, meio boquiaberta David mostrou-me o escritório que era tudo menos um escritório. “Eu depois mudo, prometo. Mas agora eles ainda são pequeninos, não precisam de um quarto para cada um”. O “escritório” tinha uma mesa de snooker, um sofá preto e uma televisão enorme com um playstation. “Para quando viermos cá eu também necessito do meu sitio de descanso não acha?” dizia David enquanto eu não parava de rir. Ele já tinha aquela sala na cabeça à muito tempo, uma pena que agora não iria passar muito tempo lá. A suite ficou para último, quando entrei nem queria acreditar, uma cama de casa a sério, não a tradicional cama de solteirão mas uma cama de casado, duas mesinhas de cabeceira e um armário, no quarto! Quando me voltei para trás e olhei para o papel parede fiquei ainda mais espantada. O papel parede eram cinco imagens nossas, postas por ordem. Uma dos primeiros dias que tivemos juntos até a mais recente que tinha sido tirada no dia do nosso casamento. Não havia palavras para descrever aquele momento, estava tudo tão perfeito, tudo tão… nosso. Era a casa dos meus sonhos, perfeita apenas. David conhecia-me e apercebi-me que casar com ele e estar grávida dele não era um erro mas sim a melhor coisa que alguma vez se tinha passado na minha vida. Quando chegamos ao nosso pequeno T1, comecei arrumar as coisas estava na altura de partirmos para Espanha. David já tinha assinado e já tinha feito os exames médicos. A pior parte foi a despedida, David deu uma entrevista para o jornal A Bola onde falou do que sentia pelo clube e da vontade que tinha em voltar, que a ida para o Real era apenas uma nova experiência mas que ia guardar para sempre o Benfica no seu coração e jamais o iria esquecer. Até para reforçar a ideia disse “Para além disso, a minha mulher é Benfiquista ferranha. Ela não queria sair de Portugal por causa do Benfica sabia? Por isso hei-de voltar. Ela diz que ama ver-me jogar com a camisola mais linda do mundo.” Como fica uma mulher ao ler isto? Feliz e orgulhosa.
Última mala, último dia em Portugal. Despedidas já feitas, casa fechada e avião daqui a três horas. O que sentia? Vontade de desfazer a mala e ficar em Portugal mas não podia pensar só em mim, agora não havia volta a dar.
-Pronta? Tenho que deixar as chaves ainda com o Rui.
-Sim. Claro.
-Parece tristonha.
-Já falamos sobre isso, sabes as razões.
-Se quiser, você…
-David… Por favor. Nem vamos falar sobre isso.
-Tudo bem.
-Já te avisaram à cerca da apresentação?
-Dia 23.
-Que infeliz coincidência.
-Não seja assim não.
-Quando te casas-te comigo sabias que tinhas que levar o pacote inteiro e não só uma parte.
-Claro, e eu gosto do pacote inteiro. É sincero e directo comigo. Nada de meias-palavras.
-Ainda bem que pensas assim porque também não ia mudar.
Interrompidos pelo som do telemóvel, mais uma mensagem para David. Nos últimos dias tinha sido um frenesim. Chamadas e mensagens a felicitar David pelo contrato com o Real Madrid. Fiquei surpreendida com a cara de David, sempre que recebia uma mensagem sorria e contava-me o que lá dizia, já desta vez as sobrancelhas subiam, mostrando todas as rugas da testa.
-Que foi?
-Nada.
-Que diz a mensagem?
-nada de especial.
-David, por amor de Deus! Conta-me.
-A Luísa a felicitar-me.
-Mas essa gaja é doente, só pode!
-Tem calma.
-Tem calma?! Como posso ter calma? E como é que ela arranjou o teu número? Eu não entendo isto. Juro que não entendo!
-Não sei, mas respira. Não se esqueça que…
-Que estou grávida eu sei! Mas isto deixa-me super chateada! Impressionante!
-Deixa isso para lá, agora, falando de coisas boas. Estamos quase a fazer um ano.
-Não, não estamos. Estamos a fazer um ano desde que nos conhecemos e nem foi conhecer. Foi eu ir contra o Ruben.
-Foi engraçado. Se não fosse a minha apatia nesse dia eu juro que tinha-me mijado a rir. Rabo no chão. Lindo.
-Que gracinha! Só te lembras de mim no chão?
-Não, lembro-me de ver-te no chão a sorrir e reparar no quanto linda tu eras.
-Obrigada por dizeres que eu “era bonita”.
-Continuas a ser.
-Bem, vamos embora? Já estou farta de estar aqui.
-Vamos, vamos.
David agarrou na última mala e eu fechei as portas. Agora começava uma nova aventura.

publicado por acordosteusolhos às 22:50

-Amor, para onde vamos?
Já estávamos no carro de David a caminho do aeroporto.
-Não digo.
-Diz lá!
-Lá.
-Opá! Mau!
-Não sou mau.
-És sim. Ninguém faz isto a uma mulher recém-casada grávida!
-O Marido da mulher recém-casada grávida faz.
-Diz lá para onde nós vamos!
-Não é mais teimosa do que eu.
-Tens mesmo a certeza?
-Sim.
-Ai é?
-Sim.
-Então se é assim, acho que o Jonathan tem razão.
-Como assim?
-Aquele vibrador que ele me deu ainda vai-me dar muito jeito.
-É, gracinha. Quer saber mesmo para onde vamos?
-Sim!
-Então vê nas malas.
-As que tão lá atrás?
-Sim.
-Está muito longe. Não consigo lá chegar, já para não falar que dói-me muito as costas.
-Como assim?
-Ó amor, hoje estás só com o “Como assim?”?
-Então devia de me ver de manhã. Qualquer coisa que falavam sobre você era logo “Como assim?!”.
Dêmos os dois uma valente risada. David virava a cara algumas vezes mas eu dava-lhe sempre um beliscão na palma da mão que vinha agarrar a minha. Não gostava da ideia de ele virar a cara e não olhar para a estrada. Irritava-me profundamente quando ele fazia isso. E depois vinha com a desculpa “Você é tão bonita”. Claro, que quando uma mulher ouve estas palavras esquece o que se passou anteriormente mas a partir da trigésima segunda vez aprendi a dizer “David, olha para a estrada se faz favor”.
-Mas ainda não me contas-te. Para onde vamos?
-Para onde gostava mais de ir, Abu Dhabi ou Punta Cana?
-Hã?! Só podes estar a gozar! Tu sabes que eu odeio essas amostras de paraíso que depois não passam de países politicamente instáveis e de terceiro mundo mesmo, onde existem crianças e Homens a morrerem à fome se saímos das quatros paredes dos resorts!
-Impressionante. Você ficou mesmo traumatizada quando foi lá a Cuba?
-Sim! Completamente! Desculpa, fiquei lá uma semana e depois a meio da semana quando já estava farta da porcaria do resort pedi para sair do Hotel e o segurança do Hotel vem me dizer “Se tu sais o seguro do hotel deixa de ser válido”. Isso é algo do género, vais lá fora e se te roubarem e te espancarem não temos nada haver com isso. Mas que raio! Por favor! Diz-me que nós não vamos para esses sítios?
-Claro que não. Eu conheço você! Sei que você odeia esses sítios. Bem, então vou contar para onde nós vamos.
-Boa!!
-Paris.
-Paquê?!
-Paris.
-David! EU ODEIO PARIS! ODEIO!
-Não odeia nada. Você vai gostar.
-David – inspirei e expirei tentando manter a calma. Se fossemos para Paris a nossa Lua de Mel estava oficialmente estragada – Não, a sério. Eu odeio Paris. Primeiro, odeio França, segundo, odeio Francês, terceiro, odeio as politicas da França, quarto, Paris não é a cidade do amor. Queres mais razões?
-Você vai gostar. – Vi um pequeno sorriso maroto no David.
-Ah, ainda bem que não vamos.
-Vamos pois.
-Não vamos não.
-Vamos sim!
-David, és meu marido. Eu conheço-te. E sei, a partir das tuas expressões que não vamos a Paris.
-E eu ainda tento enganar você não é?
-Sim, ao que parece, ainda tentas.
-Nem sei como. – David volta a olhar para mim.
-Olha para a estrada.
-Você é linda já te tinha dito?
-Umas duzentas vezes mas sabes, eu quero chegar ao sitio da nossa Lua-de-mel intacta.
-Está-me chamando mau condutor?
-Não, se fosses “mau condutor”, não me transmitias esse teu amor.
-Hã?!
-David, não pescas mesmo nada de Física ou de Química pois não?
-Prefiro futebol. Deixo essas coisas para você.
-Eu até podia aplicar os meus acontecimentos, mas sem curso concluído é complicado.
-Isso é uma indirecta?
-Não, é direitinha para ti meu amor, não reparaste?
-Uí, estamos com gracinha hoje. Não devia ser a mulher mais feliz do mundo nas próximas semanas?
-E quem disse que não sou? Mas estou nervosa, e quando estou nervosa dá-me para ser irónica.
-É, é quando está nervosa e quando está na azia.
-Pois, mas quando estou na Azia a culpa é tua.
-Ai sim?
-Oui.
-Então mas você não disse que não gostava de francês?
-DAVID!
-Sim, Sra. Dona Catarina Marinho?
-Fica mesmo bem não fica? Catarina Marinho!
-Pois fica. Por acaso até fica.
-Agora, Sr. David Marinho, marido da Sra. Catarina Marinho, para onde vamos?

-Não consegue esperar um pouco? Estamos quase chegando ao aeroporto. Vai ver já.
-Ó David. Diz lá!
-Lá.
-Não acho graça.
-Pronto, posso dizer que você queria ir lá.
-Vamos a Veneza? Itália? Londres!?
-Não. Afinal parece que me enganei no destino.
-Ó meu Deus, não me digas que vamos para a Espanha! É que, para irmos para a Espanha, o Algarve fica a duas horas daqui!
-Casmurra. Vá, já chegamos!
David estacionou no parque subterrâneo, nem tomei atenção em que piso ficamos. Acho que estava tão excitada para saber onde íamos que nem me importei se ficávamos no piso -2 ou -1. Como um verdadeiro cavalheiro, David levou todas as malas. Eram duas, mas não fazia a mínima ideia como é que estava organizado. Só tinha a certeza de uma coisa, que uma mala era enorme e outra gigante.
-Porque é que trouxeste tanta roupa?
-Então, nunca se sabe como vai estar o tempo lá em… Sua diabinha! Já ia dizendo para onde íamos!
-David, quando fizermos o check-in vou saber.
-Sim… Mas quanto mais tarde melhor.
Entramos dentro do aeroporto, impressionante como tinha quase tantas pessoas como de tarde, pessoas de todo o mundo estavam naquele aeroporto, tradições diferentes, línguas diferentes, crenças diferentes, mas tínhamos uma coisa igual, éramos todos seres humanos, e eu a mais feliz daqueles todos ali presentes. Sorri sem razão, apenas pelo simples facto de estar feliz. Acho que foi daqueles sorrisos sinceros, que se sorri sem ter razão apenas porque sim e porque sentimos algo verdadeiro e forte. David olhou para mim e também sorriu. Mas acho que ele sorriu por causa da minha figura de parva.
-Porque está com esse sorriso? Parece o Ruben! Sorriso de orelha a orelha.
-Porque sou a mulher mais feliz do mundo. E tu?
-Eu o quê?
-Ok.
-Hã?
-Devias de ter dito, sou o homem mais feliz do mundo mas pronto.
-Mas ainda é preciso dizer isso? Não se nota?
-Não sei.
David parou o carro onde das malas e agarrou-me no braço. Olhou-me nos olhos e a sua mão subiu para o meu rosto. Encostou a outra mão nas minhas costas e puxou-me ligeiramente para a frente, bem pertinho dele e deu-me um beijo. Daqueles beijos em que sentimo-nos seguras e concretizadas, felizes e desejadas.
-Você acha que eu não sou o homem mais feliz do mundo? Como não podia ser, se estou ao lado da mulher mais linda, mais fantástica, mais perfeita em todo o mundo, que se casou comigo e que está a carregar em si os meus primeiros dois filhos. Como é que eu não podia ser o homem mais feliz do mundo?
Abracei o David, acho que foi das palavras mais sinceras e mais lindas que ele alguma vez me tinha dito, o elogio mais lindo de sempre.
-Eu amo-te David, nunca te esqueças disso. Nem mesmo quando o mundo tiver a desabar, recorda-te destas minhas palavras. Eu amo-te. Pois só tu importas e mais ninguém. – sussurrei-lhe ao ouvido.
-Também te amo meu anjo. Irei sempre me recordar dessas suas palavras. Te Amo. – Disse David, fazendo o mesmo que eu. Agarrou-me na mão e eu percebi que o tinha que largar. Tínhamos uma avião para apanhar e se perdêssemos a surpresa de David ia ficar estragada.

David agarrou-me na mão e puxou para cima das malas, no carrinho.
-Ao menos assim não está sentada e pode ir à descansar.
-És um anjo.
Chegamos ao check-in e comecei a olhar para os nomes dos destinos. Londres, Paris, Hawai, Amesterdão, Abu Dhabi, São Paulo, Rio de Janeiro, Japão… O David olhava para todas as placas a olhar para o destino e continuava a andar. Até que parou. Olhei para as placas que estavam de um lado e de outro. Do lado esquerdo uma dizia Roma, a do lado Direito Praga.
-Para onde vamos?
-Para onde gostava de ir?
-Com estes destinos tão bons, não sei mesmo. Estou dividida.
-Pois, mas já está escolhido. E acho que você vai gostar. David virou o carrinho para direita e imediatamente sorri. Iamos para Praga. Saí do carrinho com a ajuda do David, e abracei-o logo. –Ó amor, que grande escolha! Adoro!
-Já foste lá?
-Não, mas era um sitio que tinha em mente para visitar! Obrigada. Conheces-me mesmo bem. – Agarrei-lhe no cabelo e com jeitinho puxei-o para perto de mim. Dei-lhe um beijo como as tias costumam dar. David fez uma cara esquisita e sorriu logo de seguida. 
-Que foi isso?
-Não gostas-te? Pensei que gostavas sempre dos meus beijos.
-É, pareceu daqueles beijos falsos que as meninas ricas dão aos namoradinhos.
-Então, vamos lá ver… O meu namoradinho não é rico? Então, eu não sou rica, mas se tu és… - Não pude deixar de rir com a cara que o David tinha feito. A sobrancelha dele subiu ligeiramente para cima, as rugas na testa notavam-se e a sua boca estava aberta. Voltei-lhe a puxar os caracóis e dei-lhe um verdadeiro beijo, daqueles em que as outras pessoas olham e dizem sem conhecer o casal “está ali um grande amor”.
-Desculpem… Podem-se chegar à frente? – Dizia a senhora que estava na zona de Check-in.
-Claro, claro. Desculpe. – Dizia o David meio atrapalhado. Achei graça, David era daquelas pessoas muito discretas. Não se importava se viessem adeptos ter com ele mas não gostava de aparecer em revistas. Nem gostava que andassem a falar dele. Eu era igual, mas aparecer em revistas ainda me fazia muita confusão. O David já agia de forma normal. Eu ainda estranhava. Enquanto ele tratava da papelada eu lembrava-me das únicas vezes que tinha ido de viagem. Já tinha ido a Palma de Maiorca, a Londres e ao Brasil. Já ia fazer a minha quarta viagem graças ao David, sem ele neste momento estava talvez no desemprego, desesperada à procura de emprego neste país. Talvez ainda estivesse sozinha, solteirona. Sem me sentir feliz. Tenho a certeza que sem o David tudo iria ser muito diferente.
-Vamos?
-Sim. – Agarrei na mão dele e coloquei o braço dele em cima dos meus ombros e o meu braço nas costas dele. David ainda tinha uma mala na mão. Devia de ter o portátil e outras pequenas coisas.


Dentro do avião:

-Bem… Menos luxos não? – Já passava da meia noite. O voo estava marcado para a meia noite e meia mas nós já estávamos lá dentro. Estavamos em classe executiva. Nem queria saber quanto é que não tinha custado um bilhete de avião daqueles. Era impressionante, os bancos eram fofos e enormes e à nossa frente tínhamos uma pequena televisão. Já tinha andado com o David de avião mas no outro não houve este tipo de qualidade. Era impressionante. Mal chegamos ao avião as senhoras (que falavam um inglês horrível! Viajar em companhias da República-Checa tem este se não, O sotaque horrível).
-Nem sabes como estou contente! Temos tanta coisa para visitar! O Castelo de Praga, a Catedral Gótica que está dentro do Castelo, temos que visitar as pontes que devem ser lindas. Já para não falar de todos os museus! Sabes que Praga é uma cidade com uma arquitectura linda? Estou ansiosa!!
-Aii… Que 5 cinco dias complicado que vão ser. Sorte é que depois vamos para outro sitio.
-Hã?
-Sim.
-Não acredito! Ainda vamos a outro sitio? Onde?! Eu quero saber!!
-Não digo é surpresa.
-David!
-Não digo!
-Óh amorzinho…. – Olhei ele nos olhos e fiz um beicinho – diz lá…
-Não.
-Óh. Vou ficar chateada!
-Vá, posso-te dizer uma coisa.
-O quê?
-Afinal não são cinco dias.
-Então?
-São quatro. Partimos no dia quinze e vamos para…
-Para…?
-Para tantarantantan e ficamos por lá seis dias e vamos para tururururu descansar um pouco.
-Tantaran… Turururu? David… Conta!
-Não.
-Ó David.
-Não!
-Também não faz mal. No dia 23 temos que estar em Portugal.
-Porquê?
-Por causa da ecografia.
-Pois é! A ecografia!! É desta que vamos ficar a saber o sexo dos bebés?
-Sim, se eles deixarem.
-Que bom!! Vão ter quase 5 meses aí não é?
-Segundo o médico, quatro meses, duas semanas e um dia.
-Estou vendo. O que é que nós fizemos no dia onze de Fevereiro?
-Queres mesmo que te diga ou chegas lá sozinho? Olha posso-te dizer o sitio. Na cama do teu quarto.
-É, gracinha. E não é meu, é nosso.
-Sim, claro. Nosso! Acho que ainda não me habituei à ideia.
-A partir do momento em que nós casamos tudo o que é meu, é seu também.
-De ti só quero o teu amor, os teus carinhos, os momentos que temos juntos.
-É por isso que eu casei por você. Agora aproveita a viagem para dormir.
-Está bem. – Encostei o banco para trás e por incrível que parece deixei-me dormir. Estava cansadíssima e precisava de dormir. A viagem ainda era três horas. Dava para dormir uma boa “sesta”.
-Catarina, meu amor, acorda. Estamos chegando.
-Hã? Já? Foi rápido. – Disse meio ensonada.
-Rápido não foi. Você dormiu toda a viagem…
-Não dormi nada!
-Não… É claro que não dormiu a viagem toda… Você está acordada agora.
-Está bem. Que sono…
-E você não me deixou dormir.
-Eu? Porquê?
-Porque você se virou para mim e ficou a dormir, descansada, perfeita e linda… E eu fiquei o tempo todo a olhar para você.
-É impressionante.
-O quê?
-Como é que ao fim de tanta coisa, de tanto tempo ainda me consegues embaraçar.
-É, sou muito bom não sou?
-Ah-ah. Não gosto de ti. – disse eu como as meninas pequenas fazem quando estão chateadas. Fiz beicinho e cruzei os braços.
-Mais do que nunca sei que isso é mentira. – Disse o David e logo de seguida deu-me um beijo na testa.
-Convencido.
“Dámy a pánové, zapněte si bezpečnostní pásy, protože jdeme na přistání. Díky”
-O que é que ela disse?
-Não sei amor, espera pela tradução em inglês.
-Fico na mesma.
“Ladies and gentlemen, fasten your seat belts because we're going to land. Thank you”
-Coisa que eu ainda não sabia, até parece que o mapa que está no ecrã não diz isso.
-David! Não sejas assim… Quando estás com sono és impossível.
-Pronta para ficar os próximos 50 anos aturar isto?

Hotel Palace de Praga:

-Isto é…
-Isto é?
-Como o nome diz, um palácio…
-Gostou?
-Se gostei? Já viste bem a entrada do Hotel? Meu Deus… É real?
-É pois…
-Se não fosse tão tarde até ia dar uma volta ao Hotel mas já estou quase a morrer.
-Hã?! A quê? Quer ir ao hospital? É melhor, eu vou chamar…
-David! É uma maneira de dizer, estou cansada. Tem calma.
-Você me prega com cada susto.
-Eu? Não tenho culpa de nada disso. Adoro a decoração do quarto. Cores tão lindas – O quarto do hotel era lindo, os tons de pastel das paredes e das colchas traziam tranquilidade. A Cama de casal gigante, a vivenda gigante, a casa de banho gigante com uma banheira gigante… Uma pena que nós não pudéssemos aproveitar tudo daquele hotel no máximo.
-Eu sabia que você ia gostar. Tem a sua cara.
-Ainda bem que me conheces tão bem. Agora, qual é a minha mala? Quero um pijaminha.
-É a castanha. Eu não sei o que a mala tem, foi à Cátia que a fez.
-Ui… Ainda bem que foi ela que fez, se fosse a Lúcia estávamos bem lixados.
-Porquê?
-Porque as roupas que ela iria pôr de certeza que eram apropriadas para Lua-de-mel para “não-grávidas”.
-Não vejo qual é a diferença.
-Simples, as não grávidas podem fazer sexo, nós não.
-Você ouviu bem o que o médico disse, não havia problema em…
-Claro que não há problema, só há alguns casos de aborto. Prefiro não arriscar. Sexo só depois do nascimento.
-É por isso que casei com você.
-Por só fazer sexo depois dos bebés nascerem?
-Não. Por ser tão parecida comigo, por ter as mesmas ideias que eu, o mesmo estilo de vida. Você é perfeita.
-Obrigada amor. – David ao ver as minhas dificuldades em puxar a mala para cima da cama, vem ter comigo e agarra na mala só com uma mão e levanta-a para cima da mesa. – Obrigada David, mas podes tirar. Não estou com paciência para tirar o pijama… Quero mesmo dormir. Estou tão cansada.
-Claro meu anjo e amanhã vai ser um longo dia não é?
-Sim, claro. Temos que ir ver se o hotel faz algumas visitas mas o melhor mesmo é irmos por nós.
-Alugo carro?
-Não, não é preciso, vamos de táxi ou de autocarro.
-Claro, eu venho de Lua-de-mel e vou de autocarro. Você é mesmo tontinha.
-Tontinho és tu. Queria ver tu a andares de carro por aqui. Perdias-te logo.
-Você acha mesmo?
-Claro que sim, tu em Lisboa já te perdes quanto mais aqui.
-Só me perdi duas vezes com você presente.
-Aí está, só duas comigo presente. Quantas vezes já telefonas-te ao Ruben a pedir indicações?
-Não digo.
-David... Diz lá meu amorzinho.
-Quando foi no inicio, algumas. Agora quase nunca.
-Que pena.
-O quê?
-Não te ter conhecido antes.
-Concordo.
-Concordas?
-Sim.
-Não entendi esta.
-Então, é simples, se te conhecesse à muito tempo, já há muito tempo que era feliz, a teu lado.
-Aí estás me a deixar sem jeito.
-Gosto de ver você assim.
-Vou-me deitar! É o melhor que faço.
Deitei-me na cama e David fez o mesmo, ao meu lado, agarrado a mim. Mas deixou a luz acesa.
-David… David… Ó David!
-Sim…
-A Luz.
-Estava a ver que nunca mais perguntavas. Queres ver? – David bate duas vezes palmas e as luzes apagaram-se.
-Estás a gozar certo?! Não acredito.
-Dorme agora, amanhã o dia vai ser comprido.

publicado por acordosteusolhos às 22:49

As pessoas tinham-se ido embora para a tenda e eu e o David estávamos a tirar algumas fotos junto do altar.
-Bem, por aqui é tudo. Depois tiramos outras. – Dizia o Carlos, o fotógrafo.
-Obrigada.
-Era este o casamento que tanto sonhavas Catarina?
-Não, este foi muito melhor. Obrigada meu amor.
-Minha mulher…
Deu-me um beijo e quase que chorei quando ele disse aquelas palavras. “Minha mulher”. Quase todas as mulheres do mundo têm esse sonho, ouvir essas palavras com aquela intensidade, com aquele amor todo que o David conseguia transmitir com a sua voz e com o seu olhar.
-Anda, vamos comer.
Fomos andando para a tenda e entramos dentro da tenda, já estavam maior parte das pessoas sentadas e à espera que chegássemos. Mal pusemos um pezinho dentro da tenda fomos aplaudidos. Acenamos os dois e fomo-nos sentar nos nossos lugares. Começaram a servir a comida, a sopa era um creme de marisco, realmente muito bom tenho que dizer. Jonathan queria que nós pedíssemos uma Sopa de Milho, Caranguejo e Coentros, ou seja, uma grande mistura que ninguém iria comer (e eu que tinha provado aquela sopa podia garantir isso mesmo), depois, quando todas as pessoas já tinham acabado os empregados vestidos de branco e com calças pretas e sempre com uma toalha branca no braço, foram tirando os pratos e trazendo outro, desta vez o prato de peixe. Como havia pessoas que não gostavam de bacalhau escolhi dois pratos, um de bacalhau à Brás e outro de Lombinhos de pescada panados. Imaginem o David, o comilão a comer. Como estava nervoso nem tinha comido nada não escolheu um prato mas sim os dois.
-David, ainda ficas mal disposto.
-Amor, tenho que te agradecer, a comida está óptima. Nada daquelas mariquices do caviar ou aquelas coisas que vêm só no meio do prato! Ainda bem! Estava com uma fome, se a comida fosse assim… Meu Deus…
-Sim, mas tem calma.
-Claro.
David estava mesmo esfomeado, mas eu também não estava bem. Quando acabamos de comer o bacalhau, começamos a ouvir os garfos a bater nos copos, já sabia o que isso significava, tínhamos que nos beijar. David levantou-se, fez um género de vénia aos convidados e agarrou em mim. Deu-me um beijo muito carinhoso, muito querido, muito, tudo… Cada beijo dele era algo espectacular, sentia mil emoções e sentia-me mais que completa. Quase todas as mulheres na sala largaram um “óh que queridos” e os homens um “este vai ser para a vida”. Estava a amar o dia, não queria que acabasse. Era bom demais para ser realidade. Pouco depois veio a carne. Também escolhi dois pratos, Bifinhos de Peru Aux Champignons e Lombo de Porco Assado com Ameixa e Puré de Maçã, David mais uma vez quis repetir mas não comeu tanto quanto da outra vez, só um bocadinho de cada, já eu fiquei pelo Lombo de Porco Assado com Ameixa e Puré de Maçã.
-Filha, lembras-te da mãe dizer que o meu casamento era o melhor que já tinha sido feito?
-Sim, claro.
-O teu ficou melhor.
-Obrigada mãe.
Lembro-me bem da minha mãe me dizer que o casamento dela tinha sido muito bom, e não só ela como todas as pessoas que foram ao casamento dela. Ela tinha um óptimo gosto, pelo menos fiquei com isso dela. Ela tinha sido uma noiva linda, as fotos que ela tinha com o véu faziam-me sonhar, queria que esse dia chegasse e que fosse tão maravilhoso como o da minha mãe. Outra vez ouvimos os garfos a bater no copos e a gritarem “beija, beija, beija”. David desta vez agarrou-me e beijou-me, fiquei inclinada para trás e não estava nada a espera. Toda a gente se riu com a minha reacção, quando David me parou de beijar daquele beijo surpreendente, pus a mão na boca e levantei ligeiramente a sobrancelha esquerda o que provocou risada entre todos. Quando já estávamos no final da sobremesa, que tinha sido ou Crepe com Gelado e Chocolate Quente ou Molho de Framboesas ou então Profiteroles com Molho de Chocolate Quente ou então Delicia de Manga com Molho Tropical e para os mais pequenos gelado de morango ou de chocolate, Ruben levanta-se e pediu atenção a todos.
-Boa tarde a todos, queria pedir a vossa atenção. Eu e o Gustavo vamos fazer um discurso.
-Ou seja, dizer aqui umas coisas só para vos chatear. Começas tu?
-Sim, vá… David, quando cheguei ao clube, tu já estavas cá, foste uma das pessoas que me integrou no grupo e agradeço-te por isso. Apoiaste-me sempre e quando me convidas-te para ser teu “padrinho”, não podia ficar mais agradecido. Estiveste sempre lá, nos maus e nos bons momentos. Rimos juntos, choramos juntos, sofremos juntos, és das melhores pessoas deste mundo. Gustavo, completas?
-Sim, bem… O Ruben terminou com o és das melhores pessoas deste mundo e é verdade, conheço-te desde que somos miúdos pequenos e já partilhamos todo o tipo de emoções os dois. Quando fomos os dois para o Bahia que ficava mesmo muito longe de casa e tivemos que cuidar um do outro apenas com catorze anos de idade. Desde que te conheço que és assim, não mudaste nada. Continuas a mesma pessoa, humilde, que se preocupa com os outros, que está sempre presente mesmo que haja um oceano de distância! Foi uma honra ter sido escolhido para teu padrinho e quando me perguntas-te não pude deixar de agradecer. Mais do que um amigo, és um irmão.
Agarrei na mão de David e ele olhou para mim a agarrou na minha com força, sabia o quanto importantes eram aquelas palavras para David. Ruben e Gustavo eram os melhores amigos dele, os que sempre apoiaram David. Lembro-me de ele me contar que quando conheceu o Ruben, pouco tempo depois sofreu uma lesão grave no metatarso e Ruben chegava-lhe a ir a casa para lhe dar o Almoço e jantar. Uma coisa que os juntou bastante.
-Quando conheceste a Catarina percebi que era diferente, que havia algo entre vocês e quando me disseste, pouco tempo de chocarmos contra ela no Colombo que vocês namoravam… Acho que nem queria acreditar. Disseste-me várias vezes que gostavas dela. Não… Que a amavas. Para mim isso era estranho, como podias amar alguém com tanta certeza pouco tempo depois de a conheceres? – Continuava Ruben o seu discurso.
-Eu fiquei na mesma que Ruben. Não era possível, quando me ligaste e me disseste que tinhas encontrado a mulher da tua vida, não podia, tinha estado contigo três semanas antes e depois dizes aquilo. Uma pessoa fica meio…
-Confusa… Mas a verdade é que quando estive contigo e com ela juntos vi uma coisa que não se vê muitas vezes hoje em dia. Amor. Mas um Amor diferente. Vocês os dois amavam-se de verdade e sabia que vocês iam casar. Ora vejamos, se fiquei embasbacado quando me disseste que amGustavo avas uma rapariga imagina como fiquei quando vi o vosso amor. Nem há palavras para descrever.
-Já eu, que não estava em Portugal para ver com os meus olhos passei meses e meses a dizer para ires com calma. Até que levaste a Catarina ao Brasil para nós a conhecermos e vi a mesma coisa que o Ruben viu. E quando me disseste que ias pedir em casamento ela, não pude ficar mais contente. O meu irmão ia casar e com a mulher dos olhos dele, da vida dele. Como não podia ficar mais contente.
-Por isso hoje, ao vermos vocês os dois juntos, à espera de dois bebés e já casados desejamos tudo de bom, que fiquem sempre juntos e que haja muitos mais bebés. Só queremos a vossa felicidade. Obrigado por tudo David.
David levantou-se e abraçou e David. Todos os convidados aplaudiram. As lágrimas vieram-me aos olhos e ao David também. Estava com a voz fininha e agradeceu baixinho a eles os dois. Sabia que tinha sido importante para ele, muito importante.
-Bem, já que andamos naquela de discursar eu e a Cátia também preparamos uma coisita. Cátia, começas tu?
-Sim, claro. Será um prazer. Catarina, conheci-te no nono ano, quando vieste para a minha turma. Eras uma rapariga simpática, extrovertida, mas o que mais saltava a vista em ti era o teu sorriso. Não havia uma altura do dia em que não sorrisses. Era impressionante. É algo que eu adoro em ti. A vida pode estar a cair a teus pés mas tu não deixas de ser positiva. Quando algo te corria mal, preferias sofrer sozinha do que mostrar isso a nós. Nunca te vi a chorar, e quando digo nunca é mesmo NUNCA! Só te vi a chorar de felicidade mas nunca de tristeza. Lembro-me quando eu e o João tivemos algumas fases más, chamei-te sempre e tu apoiaste-me sempre. As palavras que me dizias eram sábias, os teus abraços, algo espectacular, as vezes que me dizias “Amo-te Melhor Amiga”… Enchiam-me de orgulho. Amava quando dizias isso. E ainda amo. É tão importante para mim ouvir essas palavras porque eu também as consigo dizer e sentir exactamente a mesma coisa.
-Ora, comigo foi diferente. Conheci-te no décimo primeiro e um mês depois éramos inseparáveis. Iamos a todo o lado juntas. À praia, aos jogos do Benfica… A todo o lado. Eu sempre tive um feitio complicado e sim admito isso. Já perdi algumas pessoas graças a este feitio mas tu sempre me disseste “Se gosto de ti não é por seres gira, ou por teres uma scooter linda! É por esse teu feitio insuportável. Adoro as tuas qualidades e amo todos os teus defeitos”. Vivemos as duas experiências únicas, que não podem ser contadas, têm que ser vividas. Lembro-me por exemplo quando decidimos ir ao Sudoeste pela primeira vez e dois rapazes muito, mas mesmo muito giros vieram ter connosco. Nós estávamos as duas sozinhas e éramos jovens. Mas mal eles abriram a boca a Catarina só foi capaz de dizer “Ó Meu Deus! Vocês são ocos por dentro! Só pode!”, e acabamos por ficar amigas do Henrique, que naquela altura era super diferente. Era baixinho e gordinho mas era o único rapaz que nós conhecemos de jeito no meio de “rapazes ocos”. Tinha o grande defeito de ser lagarto mas pronto… É por estas coisas que te amo Catarina. Tu não olhas para a capa do livro mas sim para o seu interior. E se estás hoje junta com o David é porque ele deve ser uma pessoa maravilhosa.
-Exactamente, tu és complicada e bastante desconfiada. Não costumas acreditar nas pessoas assim. Só houve 3 pessoas em que tu confiaste assim. E essas pessoas estão aqui presentes e amam-te. Eu, a Lúcia e o Henrique. Por isso, se confiaste dessa maneira quer dizer que ele é uma pessoa estrondosa e que te ama imenso.
-Mas claro, nós ficamos receosas. Quando fomos ao Colombo e disseste “Esbarrei contra o Ruben Amorim e o David Luiz!!”, parecias aquelas miúdas pequenas quando damos um chupa-chupa grande, s olhos brilham e quase se babam todas, e ao fim de um mês disseste “Namoro com o David”. Ficamos, como o Ruben disse, confusas.
-Não é bem confusas, é mais, “What the Fuck?” – Disse a Cátia. Toda a gente se ria na sala com o que ela tinha acabado de dizer.
-Foi mesmo isso. Foi mesmo “What the fuck?”. Vês? Acabamos sempre por arruinar o nosso lindo discurso – dizia a Lúcia ao mesmo tempo que tentava não se rir. – Mas pronto…
-Mas sabes, quando cheguei a casa, depois de me dizeres isso, lembrei-me das palavras que disseste. “Namoro com o David”. Não utilizaste o nome “David Luiz”, logo aí percebi que havia qualquer coisa diferente. Outra coisa que me despertou atenção foi que apenas tinha passado um mês e tu não és daquelas pessoas de namorar com outra assim ao fim de um mês logo, passava-se algo mesmo muito estranho. Mas o melhor, foi quando me lembrei dos teus olhos que brilhavam cada vez que falavas dele, de como ele era, das surpresas que te fazia, das mensagens que te enviava, de como ele era amoroso. Percebi que amavas ele. E tu, sentires isso ao fim de um mês… Tinha que ser amor.
-Exactamente, nós que te conhecíamos percebemos que estavas com ele por causa do amor. Do amor que sentias por ele e não porque ele era rico, ou porque tinha caracóis ou até porque era jogador do Sport Lisboa e Benfica, coisa que até te orgulhas muito mas sabíamos que não era por isso. Sempre ouvimos outras pessoas, revistas cor-de-rosa e outras espécies de gente insuportável a dizer que estavas com ele por essas mesmas razões, que não passavas de uma rapariga inocente. A tua resposta para isso era “Eu Amo o David, nem que ele fosse pedreiro. Agradeço a Deus todos os dias por ter posto ele no meu caminho e não é por ele ter melhorado a minha vida financeiramente, que o fez, mas sim por ele ter mudado a minha vida completamente e agora me sentir completa, feliz e a mulher mais feliz do mundo ao lado do homem mais perfeito do mundo”.
-Por isso meu amor, só queremos o teu bem e sabemos que só serás feliz ao lado do David, por isso, desejam-vos uns setenta anos de casamento pelo menos…
-Por este caminho, uns dez filhos e muita felicidade.
Mal elas tinham começado o discurso eu já chorava, já sabia como era. David estava agarrado a mim e limpava-me algumas lágrimas, tentado “salvar” a minha maquilhagem mas já estava arruinada. Quando elas acabaram dei-lhes um abraço enorme. Agradeci-lhes por tudo, não só pelo discurso mas pelas amigas que tinham sido ao longo dos anos e isso sim, era importante.
O almoço tinha acabado, Jonathan veio ter comigo.
-Vamos tirar as fotos?
-Mais!? – Perguntava David, percebi que já estava meio desesperado.
-Claro, vamos. Não reclames amor, quero ter muitas fotos deste dia para mostrar aos nossos filhos.
-Vamos lá então.
-David, diz a toda a gente que vamos tirar fotos e que não é preciso ir todas ao mesmo tempo.
-Porquê eu? Diz você… Ainda tenho muita emoção acumulada…
-E como é que achas que eu estou? Nunca tinha chorado tanto num casamento. Impressionante! Mas pronto, eu vou lá dizer.
Depois de darmos a informação dirigimo-nos para o lugar onde íamos tirar as fotos com as famílias. Era mesmo por trás da vista para o mar o que ficava lindo. Eram dois os fotógrafos e um estava mais atrás e outro mais à frente, depois de ter sido todas as famílias tiramos as nossas fotos juntos, só os dois. Depois foi com os nossos padrinhos, as nossas madrinhas, os nossos pais e outras pessoas mais próximas. Finalmente, quase uma hora e meia depois voltamos para a tenda. Já eram seis horas, não podia acreditar que o dia estava correr tão depressa. Voltamo-nos a sentar, já estava cansada de estar em pé. Um dos inconvenientes de estar grávida, cansamo-nos depressa. Já me doía as costas, os pés, queria descansar um pouco mas Jonathan fez o favor de isso não acontecer. Vi ele a subir para o palco, já sabia que vinha aí coisa.
-Pedia ao mais casal mais lindo para virem a pista de dança, dançarem a “Dança dos noivos”.
David sorriu e agarrou-me na mão, eu sorri-lhe e levantei-me da cabeça. Embora as minhas costas já me tivessem a matar e os meus pés também, queria dançar com David, era a nossa primeira dança de Marido e Mulher. Fomos para o centro da pista de dança e o DJ pôs uma música linda, dita como a nossa música. “Nickelback – I’d come for you”. Tínhamos dançado aquela música quando tivemos no Brasil, num bar perto da casa dele. Eu adorava esta música há muito e quando a ouvi lá no Brasil não resisti em pedir ao David para dançar comigo. Éramos os únicos a dançar aquela música mas era linda, a letra então, maravilhosa. Lembro-me de estar agarrada a ele e de estar a cantar baixinho no seu peito. Foi um momento perfeito, como nos filmes e ia acontecer o mesmo aqui.
-Foste tu não foste?
-Sim, esta é a nossa música, lembro-me do dia do bar como se fosse ontem. Olha para mim. – Ele agarrou no meu queixo e puxou para cima até os meus olhos estarem colocados nos dele  – Eu amo você.
Deu-me um pequeno beijo e começamos a dançar, a meio da música encostei a minha cabeça ao peito dele e comecei a cantar baixinho, tentei não chorar, não por tristeza mas sim porque aquele momento parecia de um filme, estava mesmo a ser perfeito, todo o casamento, todos os segundos passados ao lado do David, apenas perfeitos. Alguns casais começaram a entrar também para dançar e quando a música acabou todos aplaudiram.
-Amor, estou muito cansada, vou só trocar de roupa e já venho.
-Precisa de ajuda?
-Não, a Moniqué e as minhas madrinhas vão comigo. Diverte-te.
-Ok meu amor. Até já, volta depressa. – Deu-me um beijo na testa e fui para junto da Moniqué.
-Moniqué, achas que posso trocar de vestido.
-Ia dizer-te isso à bocado, mas estavas tão feliz, tão linda que não queria estragar o momento.
-Não estragavas nada! Vamos?
-Claro…
Moniqué levou-me para uma sala da mansão da quinta, Lúcia e Cátia vinham atrás de mim. O vestido que tinha escolhido ainda era muito pesado e com o peso dos bebés, que aos quatro meses já era algum, tornou-se complicado. Já para não esquecer a minha grande ideia de usar sapato-alto. Despi o vestido e vesti o outro também com muito cuidado. Não podia estragar uma única peça deste dia. Todo este processo demorou cerca de vinte minutos. Calcei também umas sandálias creme. O vestido também era creme mas lindo, só com uma alça e comprido mas muito simples e leve. Notava-se a barriguita pequena mas que para mim era enorme. Voltamos a entrar na tenda e todos ficaram a olhar para mim, como a reacção que tive quando comecei a andar na passadeira. David veio ter comigo logo assim que me viu.
-Está linda.
-Obrigada meu anjo.
-Melhor meu amor, você está sempre linda.
-E tu, és perfeito. Poderia eu algum dia ter encontrado alguém assim tão perfeito como tu?
-Não sou perfeito. Tenho muitos defeitos.
-Eu amo-os a todos. Para mim, és a criatura mais perfeita a face da Terra.
-Tu é que és minha flor.
-Ok, já acabou as mariquices – interrompia Jonathan – Está na altura da noiva lançar o bouquet para depois passarmos à verdadeira festa.
-Já? Que bom! Estava desejosa que esse momento chegasse.
-Porquê?
-Quero ver quem vai ser a próxima noiva.
-Estou para ver isso meu amor.
-Vá Catarina vamos lá!
Fui atrás de Jonathan e ele chamou todas as mulheres solteiras para a pista de Dança.
-Catarina pronta?
-Prontíssima!
-Então vamos lá, em 3, 2, 1, manda! – Mandei o bouquet, tentei mandar para longe e quando me virei não quis acreditar.
-Inês! Vais-te casar com quem?!
-Não sei amiga. Mas obrigada! – Olhei ligeiramente para o lado e tentei seguir o seu olhar. Olhava para Ruben.
-O…
-Pshiú! – Interrompia-me ela.
-Óh Amiga! Que bom!
-Cala-te pá!
-Estou caladinha. Fui ter com David, agora ia começar a verdadeira festa. Muita dança, portuguesa e brasileira, uma junção de culturas que se tornou numa verdadeira salganhada. Mas sem dúvida o ponto alto da tarde-noite foi ver o David a ensinar ao meu pai como dançar. Sem dúvida, algo maravilhoso. Todas as pessoas se riam, o meu pai já estava um bocadinho quente, o habitual, o que me fazia rir bastante. O meu tio então estava agarrado À minha madrasta a tentar não cair de tanto rir. As “melgas”, como David chamava aos fotógrafos, continuavam a tirar fotos até que pararam e começaram a colocar algumas na parede. Eu ia ficar com todas as fotos do casamento, já estava acordado com o preço que tínhamos negociado, mas com tantas fotos que eles tiraram não sabia onde ia guardar aquelas fotos todas! A noite avançava e Jonathan abriu o Buffet, que tinha tudo, desde lagosta até camarão, de leitão até salada russa, de Torta de Chocolate até Sericáia de Ameixas de Elvas, de melão a frutos tropicais. Tinha de tudo! Até uma bancada de queijos. Depois de jantarmos fomos distribuir as pequenas lembranças, para as mulheres uma pequena rosa vermelha, para os homens uma mini garra de licor do Amor, os mais pequenos uma espetada de gomas. Depois de corrermos todas as mesas, Jonathan pediu para nos reunirmos lá fora, eu e o David fomos em último, não fazíamos a mínima ideia do que se passava. Quando chegamos lá fora estava, na zona onde nós tínhamos tirado as fotos, atrás da vista para o mar, um balcão com o bolo da Noiva. Tinha três andares e era branco com flores cremes. Os “noivinhos” era um noivo com uns calções do Benfica e uma noiva vestida da forma que fui agarrar o bonequinho pela gravata e com um bouquet branco e vermelho igual ao meu. Já para não falar que o noivinho tinha o cabelo do David. Começou a dar a música Eros Ramazzotti e Anastacia - I belong to you. Fomos cortar o bolo, ele agarrou na minha mão que estava agarrar na faca e cortamos uma fatia. Tirei um bocado com o garfo e ele fez o mesmo e dêmos à boca um do outro.  Quando ele me deu à boca o bolo, atrás de nós, a uns bons 7 metros, começa um fogo-de-artifício lindo. Ele deu-me um beijo, romântico, e quando acabou agarrei num bocado do creme do bolo e pus-lhe na bochecha.
-Hey, então? Eu dou-lhe beijinho e você me suja?
-Anda cá e eu limpo. – Dei-lhe um beijo e aquilo lá saiu.
-Sendo assim pode-me sujar mais, está à vontade.
Jonathan veio para perto de nós já com o champanhe aberto e duas garrafas, deixou em cima da mesa e foi-se embora. Atrás de nós ainda havia o fogo-de-artifício, luminoso e lindo. O David encheu os copos e deu-me para a mão um copo. Entrelaçamos os braços e bebemos o champanhe. Ouvimos palmas e um estoiro enorme, quando olhamos para o céu estava luminoso também. O Fogo-de-artifício vermelho, branco, azul, verde, de todas as cores iluminava os céus. O Momento era lindo, maravilhoso. O melhor do mundo. Depois do fogo que ainda demorou uns bons cinco minutos, duas pessoas vieram cortar o bolo para os convidados. Recebi parabéns de toda a gente mas a única pessoa que estava de parabéns era o Jonathan.
-Jonathan, estava tudo maravilhoso. Obrigada, muito obrigada! Vou ficar agradecida para o resto da minha vida. – Dei-lhe um abraço. Jonathan tinha sido um grande amigo, mesmo grande. Para além disso, tinha feito o casamento da vida de qualquer mulher.
-De nada Catarina, tenho que te dizer que me deu um prazer enorme fazer este casamento. Vocês os dois são impressionantes. Merecem isto e muito mais!
-Obrigada Jonathan. Muito obrigada. Foi tudo muito lindo – Disse David enquanto abraçava Jonathan.
-Este foi, sem dúvida alguma, o casamento mais bonito que alguma vez fiz. Mas agora, está na altura de irem, não é David?
-Que horas são?
-22 horas.
-Então, vamos lá!
-Onde? Agora? Não pudemos!
-Claro que podem. As malas estão lá atrás. Os convidados ficam mais um bocado. Temos Karaoke, noite de discoteca e mais comida e bebida para todos. Para além disso, o Hummer foi alugado para o dia, se houver muitas bebedeiras vão todos lá e eu faço de motorista.
-Anda meu amor, vamo-nos despedir.
-Está bem então. Mas… Para onde vamos?
-Surpresa!

publicado por acordosteusolhos às 22:48

27
Set 10

FAN FIC ENCERRADA.

publicado por acordosteusolhos às 22:59

21
Set 10

Entrei lentamente mais o meu pai, sempre agarrada nele. Sabia que se largasse caía para o lado. David não tirava os olhos de mim, fixava-me nos olhos, como se ele estivesse a dizer “tem calma, eu estou aqui” mas sem falar. As pessoas estavam todas de pé e levantadas para mim, o que ainda me punha mais nervosa. Tentei não tirar os olhos de David, era o único que me dava segurança. Mesmo nervosa não conseguia disfarçar a minha felicidade. O meu sorriso ia de orelha a orelha. Cheguei ao “altar” e David agarrou a minha mão. O meu pai agarrou-me na mão e entregou a David, que lhe sorriu e o meu pai retribuiu, claro sem antes deixar o seu aviso.
-Se magoas ela…
-Fique descansado. Não o vou fazer.
-Acho bem. – David deu-me um beijo na mão tal como Jonathan disse e ajudou-me a subir os dois degraus mas nada disso fazia Jonathan esquecer a mini conversa entre o meu pai e o David. Conseguia ver Jonathan com os olhos arregalados a olhar para aquela cena, por ele, entrava já no casamento e gritava “Parou tudo!” e voltávamos a repetir a entrada sem a “mini conversa” entre genro e sogro. Cumprimentamos o conservador, o único que aceitou algumas coisas sem passar para a parte legal logo. Era um senhor de cinquenta anos já mas muito simpático e Benfiquista ferrenho.
-Boa tarde – mal ouvi o conservador a dizer isso olhei para o lado e vi o Jonathan a puxar o cabelo, queria-me rir, mas a noiva a rir-se na sua cerimónia de casamento ficava um pouco esquisito. - Hoje, estamos aqui reunidos para celebrar a união de David e Catarina. Eu vou começar por ler algumas informações que aqui tenho para ver se todos os presentes concordam e depois passamos para as assinaturas. – Começou por dizer os nossos nomes, a nacionalidade, os nomes dos nossos pais. Tudo! Ou praticamente tudo. Disse as condições necessárias e chegou a uma parte que provocou o riso de toda a gente, menos de Jonathan – Em caso de a relação não se manter, ou seja, divórcio, espero que não discutam e lembrem-se dos vossos filhos.
-Não se preocupe, eu nunca mais a vou largar.
-Espero bem que sim… Bem, sendo assim vamos passar aos votos. David, começas tu.
-Catarina, há coisa de três ou dois dias você perguntou-me dos meus votos e eu respondi “Não os tenho porque não sei o que escrever”. Você disse, que não se importava, que para si bastava eu dizer “Amo-te” e entregar a aliança. Ou então quando eu disse que não queria casar pela católica por causa da minha religião e você compreendeu. É por isso que eu amo você, pela sua simplicidade, pela sua simpatia, pela maneira como você sorri, pela maneira como me sinto seguro e completo a seu lado. É por estas pequenas coisas que me fazem estar cada vez mais apaixonado por você, quero estar sempre a seu lado, quero ter cinco filhos ou até mais e todos a seu lado. – As lágrimas estavam nos meus olhos e tentava não chorar, mas não consegui aguentar, as lágrimas caíram-me e escorreram pela casa mas sempre com um sorriso – Não chora amor, é um dia feliz! – Dizia David ao mesmo tempo que punha a sua mão na minha cara para me limpar as lágrimas. Soltei um pequeno riso, todas as pessoas estavam emocionadas no casamento, lembro-me de ver a minha mãe a chorar, as minhas madrinhas a chorarem, a mãe do David e a irmã dele mais algumas pessoas convidadas. – Todos os dias agradeço a Deus ter-te conhecido, você… Você tornou a minha tão mais simples, fez de mim uma pessoa melhor, mais feliz e hoje só desejo ficar com você para sempre. Catarina, mulher dos meus olhos e mãe dos meus filhos, aceita esta aliança como prova do meu amor?
-Sim, claro que sim – Deixei cair outra lágrima de tanta emoção, David agarrou-me a mão esquerda e antes mostrou-me o que lá dizia, “Amo-te muito, para sempre” e pôs-me a aliança no dedo.
-Catarina, é a sua vez. – Dizia o conservador.
 Engoli a seco, ia-me declarar aquele homem e não me lembrava dos meus votos. Decidi que o melhor era dizer o que sentia.
-Lembro-me bem do dia em que te conheci. Estava cheia de fome e acabei por ir contra o Ruben. Era uma rapariga dita normal, que ficou entusiasmada ao ver dois grandes jogadores do Benfica à minha frente. Nunca pensei que um dia fosse casar à frente de mais de metade de um plantel do Benfica e muito menos pensei que era possível amar desta forma. – Soltei um sorriso geral de toda a gente - Da forma como eu te amo, ao fim de nove meses estou aqui, à tua frente para nos casarmos. Isto não é só um molho de papéis para assinarmos, isto vai ser um compromisso perante as pessoas que aqui estão e perante Deus. Para demonstrar o quanto nos amamos. Eu amo-te David, por isso, prometo-te ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da minha vida. Aceita esta aliança como prova do meu amor.
-Claro que sim meu amor. – Agarrei na sua mão e pus a aliança no seu dedo. A minha dizia “Amo-te cada vez mais”.
- São oficialmente marido e mulher, o noivo pode beijar a noiva.
David colocou a sua mão na minha face e deu-me um beijo. Talvez o beijo mais apaixonado que alguma vez demos, toda a gente aplaudiu e nós terminamos o beijo que durou quase dez segundos e viramo-nos para os convidados, David deu-me a mão e toda a gente aplaudiu. Reparei na cara das minhas madrinhas e choravam as duas, a minha mãe limpava as lágrimas assim como a minha madrasta, a mãe de David também chorava e mais alguns convidados faziam o mesmo.
-Foi como os teus sonhos?
-Muito melhor… - Dê-mos outro beijo, mais curto. Cumprimentamos o conservador e David voltou-se a virar para o público.
-Bem, agora vamos para a tenda, comer um pouco porque a fome já aperta. Vamos lá.
Todos se foram embora aos poucos, mas antes quase todas as pessoas vieram felicitar-nos, e assim, este dia se transformou no mais feliz da minha vida.

publicado por acordosteusolhos às 23:40

-David é o Jonathan a ligar.
-Atende.. Agora quero descansar – dizia David que tinha um saco de gelo na testa.
-Meu, isso não vai resultar. – Carrega na tecla de atender – Sim, Jonathan?
“Olá, não és o David!”
-Não, é o Ruben.
“Ah, pronto! Então é só para dizer que vocês, como vão tirar as fotos na Quinta, podem ir andando para lá. Podem-se vestir lá. As roupas já devem estar lá a vossa espera num dos quartos. Basta irem lá e pronto. Depois nessa altura já deve estar tudo pronto por isso…”
-Ok, nós vamos então.
“Muito bem. Ah, a Catarina vai-se atrasar.”
-Quantos minutos?
“Ainda não se sabe bem… Até logo”
-Até já… Bem, gordo, levanta-te. Vamos para a Quinta.
-Já? Mas eu ainda não me vesti.
-A roupa está lá. ‘Bora.
-Ai, ai, ai, ai. A minha cabeça!
-Toma duas aspirinas e isso passa.
-Isto tudo é culpa sua. E do Gustavo. Ideias tristes.
David levantou-se lentamente e deu mais um “Ai”. A dor de cabeça era incrível e com o stress com que David estava só piorava as coisas.
-Meu irmão! Você está mesmo mal! Consegue andar direito? – Dizia Gustavo acabado de sair da cozinha com um iogurte na mão.
-Conseguir consigo, agora… Posso cair e isso é complicado. Já viu se eu caiu no casamento? Ou me deixo dormir! A Catarina vai-me matar.
Ouvia-se a campainha, Ruben foi até à porta.
-Dona Regina! – Dizia Ruben ao mesmo tempo que fazia um sinal a David para se livra do gelo. Houve-se algo a partir, David tinha mandado para o sitio errado.
-Bom dia meus amores! Como vão? O que se partiu?
-Foi… Foi… Não sei, qualquer coisa que deve ter caído. Venha, entre. – Dona Regina entrou e cumprimentou o Gustavo com um grande abraço. A seguir dirigiu-se para David que estava com um sorriso muito amarelo.
-Meu filho, que se passa?
-Nada mamãe.
-É meu filho, que cheiro a mentol. Quantas vezes você lavou os dentes hoje? Dez?
-Para aí… - Não era por causa dos dentes ficarem brancos mas sim para o cheiro do álcool desaparecer.
-Não precisa de estar nervoso não. O seu pai?
-Foi à casa do David vestir-se. Eles vão logo directos para o casamento. Mas, agora à parte, ó David, olha lá para a tua mãe! Está toda bonita! – David sentia uma grande dor de cabeça e todas as vozes altas ele sentia como se fossem terramotos.
-A minha mamãe é linda. Não se vê logo pelo dia-a-dia? – Dizia David baixinho.
-Então e como foi à despedida?
-Boa!
-Muito boa mesmo!
-David, você não diz nada?
-Sim mãe, foi boa.
-David Luiz Moreira Marinho! Você está de ressaca?!
-Não mãe!
-David! Não mente à sua mãe não!
-Está bem, estou um bocadinho.
-Um bocadinho?
-Sim… É só um bocadinho!
-David! No seu dia de casamento?!
-Ó mãe, hoje não! Quero desfrutar o dia o máximo possível!
-Ruben, vai buscar um copo de água para ele vai? Toma, é uma aspirina. Impressionante! No dia do seu casamento! Eu vou falar com seu pai!
-É mãe! Tanto stress! Tem calma!
-Eu quero ver a reacção da Catarina quando descobrir.
-Ela não vai.
-David, ela é sua noiva, vai descobrir pois! Conhece melhor você do que eu!
-Bem, isso agora não interessa. Temos que ir para a Quinta. Vou-me vestir lá.
-Então está a espera do quê? Vá, vá! Vamos andando! – Dizia a Dona Regina que ao ver o estado de ressaca de David começava a imaginar como iria ficar Catarina, e Ruben, ao ver a cara de David também já tinha percebido que David só pensava nisso mesmo.

Quinta da Bela-Vista às onze.

-Mãe!!
-Que é filho?
-Não consigo fazer o nó!
-Que se passa com você hoje? 
-Ai mãe… Estou demasiado nervoso, veja lá que as minhas mãos! Estão a tremer!
-Nunca vi você assim. Nem mesmo quando disse que vinha jogar para o Benfica.
-Pois! É diferente. Uma coisa é vir jogar para o Benfica, outra é casar com a mulher da minha vida!
-Filho, tem calma. Vai correr tudo bem. Você está lindo!
-Obrigado mãe. – David estava de facto bonito. Casaco preto, calças pretas, camisa branca, colete preto e gravata preta da Dolce & Gabanna. Parecia um príncipe.
-As pessoas já começam a chegar por isso, está na altura de você ir tirar umas fotos não acha?
-Mas não era primeiro com os padrinhos?
-E onde é que eles estão?
-Não sei…
-Estamos aqui, calma. Fomos buscar o fotógrafo. Temos que tirar fotos destes momentos!
-Concordo.
-Bom dia, eu sou o Carlos, estava a pensar, como esta sala pouco vos diz que tal tirarmos só duas ou três fotos aqui e o resto lá fora no jardim?
-Sim, sim. Como você quiser.
-Então olhe para o espelho – dizia Carlos a David. – Finja que está ajeitar a gravata. – David lá fingia e o fotógrafo tirou uma foto ao espelho com ele arranjar a gravata. “Ó que foto mais estúpida!” pensava o David. – Muito bem, agora David, com a tua mãe, depois com os padrinhos e depois vamos lá para fora.
David acenou que sim com a cabeça, tirou uma foto com a mãe e depois com os padrinhos e depois os padrinhos com a mãe de David. Só nesses cinco minutos David já estava aborrecido, mal sabia ele que no jardim já estava cerca de vinte pessoas prontas para tirarem várias fotos. Carlos continuava a tirar fotos, ao sol, à sombra, a David sozinho, a David a falar com os amigos, às fotos de grupos. David via cada vez mais pessoas a chegarem, o que implicava mais fotos e mais sorrisos. Ruben, como padrinho, já pensava o mesmo.
-Nunca vou casar meu!
-Porquê?
-Porque isto é o teu casamento e já me dói as bochechas de tanto sorrir, imagino tu.
-Mas eu estou feliz. É normal que sorria.
-Sim, pois. Eu também estou feliz mas os músculos das bochechas já me doem!
Fotos para aqui, fotos para ali, e quando David olhou para as horas, já era meio-dia. Onde estava Catarina? Não havia sinal dela. E convidados da parte dela só umas dez pessoas. David começava a ficar ainda mais nervoso. Andava de um lado para o outro feito barata tonta até que Luisão agarrou-o.
-É rapaz! Venho eu do Brasil para o seu casamento e você parece que está triste.
-Eu não estou triste Luisão! Estou nervoso! É meio-dia e a Catarina ainda não está aqui! Nem convidados dela! Você acha que ela desistiu?
-Não rapaz! Ela está atrasada. Coisas das mulheres… Até no dia de casamento chegam atrasadas!
-É verdade David, quando foi o meu casamento com Luisão cheguei uma hora atrasada. O padre me ia matando!
-Matando não amor, mas cancelar o casamento… Sim, ameaçou-me umas três vezes disso… Por isso David, tem calma. Vai ficar tudo bem…
Nenhuma das palavras que Luisão ou Brenda disseram a David acalmou-o. David sentia-se cada vez mais nervoso a cada segundo que passava.
-Gustavo, tens o meu celular?
-Sim, está aqui.
-Dá aí.
Gustavo tirou do bolso o telemóvel de David e ele apressou-se agarrar o telemóvel e a marcar o número de Catarina, que a muita já estava memorizado na cabeça de David. Nada. Só os tradicionais “piiiip” e no final a voz da mulher do voice-mail.
-E ela não atende! Aiii…
-Ela não atende porque não pode! Não pode falar contigo antes do casamento!
-Sim, e se for algo mais grave? – Interrogava David a Ruben.
-De certeza que não é.
-David, posso fazer uma pergunta?
-Diz Gustavo.
-Você é parvo ou quê? Ela ama você! Passou dias e dias a planear isto mais o outro…
-Jonathan – dizia baixinho Ruben, o nome do organizador da festa.
-Isso… Jonathan. Para além disso, ela está grávida! De gémeos! Tem calma. Ela vem!
-Espero bem que sim…

Quinta da Bela Vista, meio dia e meia.

-Jonathan! Ainda vão demorar?
“David calma! Sim, uns bons minutos.”
-Então porquê?
“Porque ela atrasou-se, é mulher mas nunca vi uma coisa assim”
-É mesmo dela. Está bom… Estou mais descansado. Ainda muito?
“Sim, uma meia hora, quarenta e cinco minutos”
-Meia hora ou quarenta e cinco minutos?
“Sim, olha preocupa-te com o conservador. Deve estar já doido…”
-O conservador? Não, ele está bem, você pôs aqui um espaço bom a malta estar. Música ambiente, comida e bebida. Está toda a gente deliciada. Para além disso o espaço dos miúdos está muito bom. Eles estão adorando.
“Graças a Deus! Bem, vamos andando. Já falamos David!”
-Ok… - Tarde de mais, Jonathan já tinha desligado.
-Então manz, como é?
-Ainda vai demora. Afinal você tinha razão, a mulher esta apenas atrasada. É sempre assim…
-Eu disse-te, eu lembrei-me do vosso primeiro encontro e como ela te deixou plantada meia hora – Dizia o Ruben ao mesmo tempo que dava uma gargalhada.
-Já nessa altura estava doido por ela.
-Só podias estar, para ficar meia hora à espera de uma rapariga que não conheces…
-E agora vai ser a mãe dos meus filhos…
-Vá, diz lá que tinhas razão e que eu não acreditei em ti…
-EU TINHA RAZÃO! VÊ!? VÊ!? VÊ?!
-Vejo, vejo. Vejo toda a gente a olhar para ti. – Todas as pessoas que estavam sentadas nos sofás e puffs no Jardim olharam para o David, surpreendidos.
-Ah… Desculpem aí malta! É só coisas do Ruben…
-E a culpa agora foi para mim… Impressionante!
-Tem as alianças?
-Meu! Quantas vezes já me perguntas-te isso?
-Não sei…
-Mas eu digo-te! Esta foi a décima primeira e a resposta é sempre a mesma, sim!
-Pronto… Não pergunto mais nada… Mas sabe, eu só fiz isso no casamento. As alianças e a lua de mel… De resto foi tudo a Catarina que fez por isso quero que esteja tudo bom na minha parte…
-Vai estar… Vá, já chegaram mais pessoas. Vai lá gastar mais umas palavras e exercitar os teus músculos das bochechas.
-Sabe? Você tem razão! Isto já esta a começar a ficar dorido... – Deram umas gargalhadas os dois e lá foi David, falar a mais pessoas.


Quinta da Bela Vista, 13:25.

-Jonathan! A Catarina?
-Está aqui a chegar. Vai chamar as pessoas para se irem sentando e pede desculpas.
-Desculpas de quê? Está toda a gente divertida e dançando.
-Sim… Sim, mas isto é um casamento não uma festarola.
-Sim, tens razão.
Ao fim de cinco minutos já estava toda a gente  sentada nas cadeiras e David na frente. A sua perna tremia inconscientemente o que provocava um certo riso nas primeiras filas. Ruben tentava acalmar David mas ele estava mais do que impaciente. O conservador chegava e toda a gente se calou. Ainda foi pior do que a entrada de uma noiva. Cumprimentou novamente o David, o Ruben e o Gustavo e quando menos se espera, entram a correr no meio da cerimónia a Cátia e a Lúcia.
-Chegamos!!
-A Catarina já está aí?
-Sim! Vá, mais cinco minutos e ela vem aí! Ponham-se nos vossos lugares!
David pôs se direito, ajeitou a camisa e a gravata e apertou casaco. Ruben deu o cesto das alianças a Sofia e pôs se a atrás de David. Lúcia estava do outro lado, também em pé e ao lado de Cátia. David engoliu a seco e tentou ver Catarina mas nada. Só conseguia ver o principio da ponte e nada mais, quando começa ouvir a música a tocar e começa a ver Catarina, que estava linda. Já era linda mas naquele dia estava deslumbrante. David chegava ao inicio da passadeira vermelha com o seu bouquet de rosas brancas e vermelhas, que era da mesma cor da passadeira e da flor que David trazia no seu bolso do casaco. David respira fundo e olha para todas as pessoas à sua volta, queria recordar tudo daquele momento maravilhoso.

 

publicado por acordosteusolhos às 21:21

20
Set 10

Casa do Ruben Amorim, às 20 horas.

Ouvia-se o som da campainha e o Ruben tinha acabado de vestir a camisola.
-Já vai ó camafeu! – Abriu a porta e estava o Gustavo lá.
-Então ó, onde anda o noivo?
-Sei lá eu! Pensava que vinha contigo.
-Cá para mim ainda deve estar com a Catarina…
-Não, a Inês já me mandou mensagem a dizer que a Catarina já estava na casa dela.
-Agora falas muito com essa moça! Quem é ela? – Sentava-se no sofá e punha os pés na mesa de Ruben ao mesmo tempo que fazia “zapping” nos canais.
-É amiga da Catarina, é muito simpática. – Dizia enquanto empurrava os pés do Gustavo fora da sua mesa e  punha a televisão da Sic.
-É bem humurado!
-Estou nervoso pá! O David ainda vai fazer uma cena com a nossa surpresa.
-O David é homem rapaz! Não deixa de gostar de ver!
-Sim, esperemos que sim.
Ouvia-se o som da campainha outra vez.
-Olha, agora deve ser ele.
Abriu a porta e entrou o David, pai do David e cunhado do David.
-Oi meu irmão!
-Olá perdedor – Deram um abraço.
-Já começa já tão cedo?
-Queres ir jogar bowling?
-Quer ir jogar PS3?
-Vá, entra e cala-te. Boa Noite! – Dizia Ruben ao pai do David e ao cunhado. – Estejam à vontade!
-Então, onde vamos?
-Bem, vamos… Gustavo agora!
-Hã? – Gustavo agarrava os braços de David e fazia um nó nos seus braços e Ruben punha uma venda nos seus olhos. – O que é que vocês estão fazendo?
-Então… É surpresa. Ó Gustavo agarra bem no gajo! Chiça! A culpa é do Ladislau. Fez o David tão grande!
-Agora a culpa é minha? Vocês é que tiveram esta ideia. Vá, eu agarro ele de lado.
-Mas que raio! Até puseram o meu pai nisto?
-É parecido. Vá, vamos. Quietinho. – David oferece resistência e pára.
-Só se me contarem onde me levam!
-Não pá! Deixa de ser assim! E tens muita sorte em ires no banco. Se fosse por mim ias na bagageira.
-Por amor de Deus! Onde vamos? – Era quatro contra o David, mas David ainda conseguia parar eles os quatro.
-Eu nem sei porque é que nos estamos a esforçar! Querem ver como se leva ele daqui para fora? – Dizia Gustavo ao mesmo tempo que procurava a orelha de David. Quando agarrou, puxou-a e David foi atrás de Gustavo.
-Aiiii! Ai! AI! Ai! Pára aí! Ai a minha orelha! Ouve lá! Eu vou tem calma!
-Aqui está o meu David. Sem resistências meu!
-Sim, Sr. Ruben Amorim.
Entraram dentro do Carro de Ruben. Na frente ia o Ruben e o Gustavo e atrás ia o pai do David, o David e o cunhado do David. Durante o caminho todos falaram, menos David que ia meio amuado no meio.
-Já chegamos!
-Até que em fim não?! Já pode tirar isto?
-Não!
Abriram as portas e David reconheceu as vozes. Quase todos os seus colegas de equipa estavam presentes. Levaram-no para dentro de um restaurante, que não tinha quase ninguém e depois deixou de ouvir barulho.
-Pessoal? Alguém aqui? Onde é que nós estamos? – David sentiu a corda atrás das costas a ficar mais larga – graças a Deus! Onde estamos? – Dizia ao mesmo tempo que tirava a venda. – Poshá! Quem é você?!
-Eu sou a Claudia baby, a tua stripper pessoal. Queres uma dança?
-Meu amigo, aqui tens a nossa prenda! – Dizia Ruben animado por trás.
-Estás doido? Não! Não quero nada disso! Por amor de Deus! Vista-se menina! Por favor. Não sabem organizar uma festa normal?
-Isto é uma festa normal!
-Não, não é Ruben! Para mim, uma festa normal é irmos tomar o copo fora.
-Então vem, vamos tomar um copo.

Três cervejas, dois vodkas e cinco shots, três vodkas laranja depois:

-É meu irmão, amanhã vou casar! Com a mulher mais linda do Mundo!!
-Eeee na pá! Este já está bêbedo!
- Eres tan fraquito – dizia Javi mais para lá do que para cá também.
-Aimar, tu levas o Javi a casa.
-Yo? Por qué yo?
-Porque moras ao pé dele.
- Si el niño vomita en el camino…
-Vomita o quê pá!
- ahora es el momento de la sorpresa no? – Dizia Maxi que estava à frente de David e só se ria com as parvoíces dele.
-Surpresa? Para mim? Que bom! Onde está a Catarina?
-Não há nada de Catarina’s meu! Fogo! Estás vidrado na rapariga.
-Para ti, é Sr. Catarina Marinho está bem?
-Claro. Vá entretanto, a Claúdia Silvino vai-te satisfazer…
-Vai quê?
-Claúdia!
Claúdia sobe para cima da mesa com um chicote e dirige-se para a frente de David que se ria que nem um perdido. Manda uma chicotada que assusta David mas continua a rir.
-Do que é que te estás a rir?!
-Arranjaram-me isto de surpresa.
-Não gostas?
-Não, achei graça apenas. – David continuava a rir-se. 
-Já chega! Vais fazer o que eu disser!
-Hey! O mister está aqui?! Nem acredito! Professor, eu não estou bêbedo, são influências dos outros…
-Levanta-te!
-Não me apetece, se me levantar caiu para o lado que nem um patinho. Tipo os lagartos nos jogos, estão sempre no chão!
-Isto não vai resultar Ruben…
-Eu sei Gustavo… E se queres saber, esquece a rapariga, é uma da manhã e se eu não levar este gajo para o casamento a Catarina mata-me.
-A ti e a mim! Não se esqueça dessa parte!
-Muito bem… David! Vamos embora!
-Para onde? Agora que o Mister chegou temos que ficar vinte minutos a correr, para voltarmos a ganhar resistência.
-Desculpa Claúdia. Podes ir.
-Que broncos… - Dizia Claúdia ao mesmo tempo que saía da mesa e caminhava para a sala.
-Então?! Já?! Não vale! Quero mais! – Dizia o Coentrão que o estado também não era dos melhores.
-Gustavo, tu levas o carro do Coentrão, eu levo o resto da malta e pronto, os piores ficam bem acompanhados.
-Concordo. ‘Bora Fábio, vem ver a sua mulher…
-A minha princesa? Ela é linda! Já viste a bebé linda que tenho? Espero que seja a cara chapada da mãe… Vai ser linda.
-Sim, sim… Ao menos não diz asneira enquanto está bêbado não! Vá anda. – Agarrava no Coentrão e levava-o para o carro. Afinal, não estava assim tão mal, comparando com Javi que já cantava a versão Espanhol da canção da abelha Maia. Pablo agarrava nele e levava-o mas ele estava imparável, ou saltava, ou gritava, ou corria.
-Os restantes foram-se embora e despediram-se de David, mas esse continuava num estado de “riso” que era apenas sensacional.
-Vá, vamos embora David.
-Não!
-Vamos!
-Não! Não vou. Quero mais uma daquelas coisas com coca-cola que você tinha.
-Não pá! Se te dou aquilo a Catarina mata-te.
-A Catarina? Onde ela está?! Não me pode ver assim não!!
-Ela está a chegar aqui, se não te despachares… - dizia Ruben, claro que era mentira, Catarina à uma da manhã já ia no seu sétimo sono, mas era a única maneira de tirar o David dali.
-Então vamos embora! Já!  
-Vamos lá então…
-Manz?
-Sim?
-Importa-se de dar uma mãozinha, é que, estou um bocadinho tonto…
-Se a sua mãe  visse você assim! Eu era um homem morto!!
-Nada disso papai. Se a Catarina visse-me assim, isso sim, ia ser um grande terramoto!
Saltaram todos uma grande gargalhada, David continuava sério, ainda não tinha percebido que Catarina não vinha, mas também tinha desculpa, a bebedeira faz disso. David colocou o braço por cima dos ombros de Ruben e começou a andar. O seu estado era lastimável. Nesse noite vomitou duas vezes e quando acordou só pediu uma coisa “hoje tem que ser baixinho. Dói-me tanto a cabeça…”.

publicado por acordosteusolhos às 17:37

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Música da Mena
Deixo aqui a nossa GRANDE cantora do chat, a Mé :b
Agradecimentos
Queria agradecer a todos que lêem a minha fan fic. Queria também agradecer ao blog http://23davidluiz.blogspot.com/ por publicar a minha fan fic e também ao blog http://david-luiz-fans.blogspot.com/. Muito obrigada a todos *
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Façam comentários com críticas, sejam elas positivas ou negativas. É com os erros que se aprende ;)