05
Set 10

-David! O que estás a fazer?
-Hã? O quê?
-Olá docinho…
-O que está aqui a fazer?
Luísa estava nua a dormir ao lado de David, no meu lado da cama, no meu lugar. A dor no peito que senti quando vi as fotos do David na parte “Vidas” em nada se comparava com o que sentia agora. Não chorei, não tinha lágrimas para isso. Não ouvia nada à minha volta, apenas aquela imagem era do David a dormir com a Luísa era tudo o que estava na minha cabeça. A dor era imensa, sai a correr e ouvi a voz do David a dizer “Espera”. Sai do prédio a chover, apenas com a roupa que tinha, nada de telemóvel, nada de chaves nem multibanco. Tinha deixado o casaco na cozinha e estava muito frio, um dia horrível mesmo. Também não era de esperar outra coisa, era ainda Fevereiro e o tempo andava todo alterado. Ainda vi o David de boxers à porta do prédio, mas corria com toda a força que tinha, com toda a raiva que sentia. Parei só dois quarteiros depois e não sabia o que fazer, as pessoas olhavam para mim, para elas era uma mera estudante que estava com pressa, nenhum deles imaginava a minha dor, o que sentia. Continuava a não conseguir chorar, a sentir uma dor no peito, como se fosse um ataque mas sentia o coração a mil por causa da corrida. Já tinha estado com pneumonia, num estado avançado, com dois tubos ligados aos meus pulmões, sem comer e a soro, mas nada no mundo se comparava a esta dor. Cerca de quatro euros no bolso, isso dava para ir até o Barreiro, à casa da minha mãe, mais uma vez não podia deixar ela me ver assim. Sentia-me abandonada, decepcionada, tinha raiva do David e de tudo o que ele me tinha feito. Ia casar com ele, era o homem da minha vida, o homem que me fez a mulher mais feliz do mundo mas também o homem que deixou-me num estado de apatia pura. As perguntas vinham à minha cabeça. Como é que ele foi capaz de me fazer isto? Será que da outra vez não tinha sido apenas um estratagema da Luísa? Como é que ele foi capaz de me pedir em casamento? De me dizer que amava e que era dependente de mim?
                Não era capaz de andar, não tinha forças para isso, chamei antes um táxi e quando chegasse a casa pagava-me. Fui todo o caminho a olhar para baixo, continuava a não chorar, não sabia porquê. Seria a dor assim tão grande que me deixava sem forças até para chorar? Quando cheguei a casa era quase meio dia, a minha mãe ainda estava no trabalho, com todas as certezas. Toquei à campainha do primeiro direito para pedir à vizinha para me abrir a porta, era uma senhora já de idade e muito simpática.
-Sim?
-Sr. Carmen? É a Catarina do segundo esquerdo, esqueci-me das chaves. Acha que me pode abrir a porta?
-Claro querida, e felicidades pelo casamento. – Senti mais uma facada nas costas, senti o ar todo que tinha nos pulmões a sair de uma só vez.
-Obrigada – disse, com dificuldade. A porta abriu-se e eu fui para casa, a minha mãe deixava sempre umas chaves da casa no vaso que tinha à porta por isso consegui entrar sem problemas. Fui buscar o dinheiro e voltei a descer para entregar ao taxista. – obrigada – disse ao senhor.
-De nada querida. Quando quiseres pede pelos serviços do Senhor Jorge Costa.
-Claro, obrigada. – voltei a subir, quando cheguei a casa deitei-me no chão. Estava incontrolável, chorei pela primeira vez, toda molhada deitada no chão do hall de entrada. Tinha que parar, que reagir, mas estava a ser difícil. Levantei-me devagar e ainda senti algumas pingas a descerem-me a cara e pelo meu corpo. Estava encharcada. Mudei de roupa por uma peças que tinha deixado na casa da minha mãe. Não podia ficar ali, ela ia estranhar. Agarrei nas mala e pus o resto da roupa que havia dentro da mala. Sentei-me na cama, na cama de solteiro, não sabia para onde ir, quando olhei para o fundo do roupeiro e vi a minha tenda. Era essa a solução, mas não podia ir sozinha, não era assim tão doida. Lembrei-me da Patrícia, ela era doida e bem capaz de vir acampar comigo. Conhecia-a bem e ela a mim, sabia que ia ter que contar a ela mas era a companhia perfeita. Ela ia compreender mas precisava de sair. Ela morava no me prédio por isso era perfeito. Deixei um bilhete à minha mãe, “Mãe, estou bem. Tive que sair durante uns dias mas não te preocupes. Estou com a Patrícia. Beijinhos, adoro-te”. Sai de casa e fui ter com a Patrícia. Para variar ainda estava a dormir e eu acordei-a. A Patrícia era estranha, fumava e não só tabaco, tinha rastas e vivia a vida ao máximo. Já tinha feito pára-quedismo, bungee jumping, canoagem naqueles rios rápidos que é super perigoso, já tinha feito um inter-rail e andava 99.9% do dia a sorrir. Acho que até a dormir ela sorria. Era muito simpática e alegre, o que eu precisava agora.
-Olá gaja!
-Olá. Olha, quero-te fazer um convite, queres vir comigo acampar?
-Com este tempo? Uau! Não conhecia essa tua faceta.
-É, está óptimo tempo! Que achas? Vens?
-Sim, deixa-me só ligar à minha mãe avisar. – Patricia também era um ano mais velha que eu mas a mãe já não se importava com ela, tinha perdido as esperanças nela à muito, desde que Patrícia foi detida pela policia por terem encontrado no casaco dela droga. Por isso, a mãe não ia ser problema. – Olha, enquanto aviso, vais buscar a minha tenda? De certeza que é melhor do que a tua. É daquelas que se abrem em 3 segundos e com esta chuva vai dar-nos um jeitão!
-Sim, tens razão.
-Aproveita e faz também a minha mala.
-Ok. – Uma coisa engraçada na Patrícia é que ela tinha uma parte do armário que dizia “Para fora”, ou seja, roupas que ela usava apenas quando estava fora de casa, quando ia acampar ou assim e ao lado estava uma mala, onde ela punha essa roupa. Despachei-me arrumar a roupa dela lá e quando esvaziei aquela parte do armário reparei nuns maços de tabaco que estavam no fim. Arrumei-os também lá. – Já está.
-E da minha parte também já está. Vou me só vestir. – Dizia enquanto agarrava numas calças de ganga e numa camisola da banda Rammstein. – Então para que parque vamos?
-Não sei, para onde queres ir?
-Não sei. Escolhe tu. Vê ai no livro do campismo ou do campista ou que é. – Olhei para o índice e vi Sesimbra. Decidi olhar, o parque era bom e mesmo que me trouxesse à memória ao David só me trazia boas recordações.
-Achas que podemos ir para o Forte do Cavalo?
-Sesimbra? Por mim…
-Ok, então vamos para aí.
-Está bem… Então vamos?!
-Vamos então.
Patricia tinha um carro, velhinho mas já tinha dado a volta toda a Portugal, mais que uma vez, de certeza. Até ao Acampamento demoramos cerca de uma hora, quando chegamos lá tratamos de tudo. E fomos para o melhor Alvéolo do parque, o que ficava mais perto  do centro do parque.
-Que se passa Catarina?
-O David traiu-me.
-O quê? Como é que ele foi capaz?! Quando o vir sou capaz de lhe dar um murro.
-Patrícia…
-Desculpa, mas amiga arranjas com cada um…
-Eu sei, mas eu amava mesmo o David sabes?
-Precisas mesmo de alegrar. Vou chamar a minha malta!
-A tua malta?
-Sim… O Bruno, o Carlos, a Jé. Vão te divertir.
-O Bruno não foi aquele que saltou da janela do primeiro andar lá na escola?
-Sim.
-Ok… Vai ser giro… Deve… - Ao fim de uma hora e meia já se encontravam todos no parque. Todos eles eram como Patrícia, maluquinhos, mas boas pessoas. Puseram uma capa de plástico enorme a ligar as duas tendas que ainda estavam a dois metros uma da outra. O dia passou-se tranquilamente. Os amigos de Patrícia passaram o dia todo a contar-me o que já tinham feito, as suas maiores maluqueiras, o melhor pais que já tinham visitado. Cheguei a uma conclusão, perdi imensa coisa nestes últimos seis meses e agora não havia maneira de recuperar esse tempo perdido.

publicado por acordosteusolhos às 20:46

comentários:
adorei o capítulo cat, estou ansiosa por mais!

Paula a 5 de Setembro de 2010 às 20:59

Muito bom o capitulo. Estou a adorar acompanhar esta historia :D.
monica a 5 de Setembro de 2010 às 21:47

Ai aquela Luísa -.- Raio da mulher não sabe o significado da palavra desaparecer?
Está muito bom este capitulo! Espero por maaais, Catarina! Beijinhos :D
- Sara a 5 de Setembro de 2010 às 22:08

Adoro a tua história avançou imenso sempre de forma a prender nos à leitura :)

Se quiseres dá um saltinho à minha que ainda está no inicio
Ana Mar a 5 de Setembro de 2010 às 22:35

http://vendoteativejoomundointeiro.blogspot.com/

Ana Mar
Anónimo a 5 de Setembro de 2010 às 22:36

Essa Luisa não se enxerga mesmo!! Tou cá com uma raiva dela...Jesus Cristinho!!
Adorei o capitulo, ansiosa por mais Cat!!

Bjinhos xDD
a 5 de Setembro de 2010 às 23:12

Olá Catarina

Como sempre, um capítulo fantástico. É uma delicia ler a tua fanfic. Parabéns.

Beijjinhos

PS- Dá uma vista de olhos na minha. Comecei recentemente.
http://ladoaladofanfic.blogspot.com
Ana M. a 6 de Setembro de 2010 às 00:10

Essa Luísa! -.-
Parabéns Catarina!
Fabi a 6 de Setembro de 2010 às 13:48

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