08
Set 10

Abri os olhos lentamente, o cheiro era inconfundível. Estava num hospital. A meu lado, David dormir agarrado à minha mão. Tentei procurar alguma coisa que me dissesse as horas e olhei para o relógio do David. Oito horas e doze minutos. Doía-me a cabeça imenso e ouvi um barulho. Uma enfermeira entrou no quarto.
-Bom dia. Sente-se bem?
-Onde estou?
-O seu noivo – mais uma vez custou-me ouvir aquela palavra. – trouxe-a aqui. Vou chamar um médico. Ele vai explicar tudo a ti.
-Ok… Obrigada.
-De nada. – Ao fim de cinco minutos chega um médico. Velho, muito velho mas com cara de quem sabia de tudo e mais alguma coisa.
-Bom dia. Como está?
-Dói-me muito a cabeça mas tirando isso estou bem. Onde estou?
-Está no hospital da Luz.
-O que me aconteceu?
-Teve um traumatismo craniano. O seu namorado, perdão, noivo pediu para você vir para este hospital e receber os melhores cuidados.
-Um exagerado.
-Também digo isso. Tem muita sorte Catarina.
-Obrigada.
-Vou deixar você descansar. Hoje à tarde terá alta.
-Obrigada.
A cabeça continuava a não dar tréguas e sentia-me muito tonta. Dormir seria o melhor a fazer. Virei-me para o lado oposto onde o David estava mas não conseguia. Ele tinha-me salvo de fazer a maior estupidez da minha vida. Virei-me para onde ele estava e fiquei quase cara a cara com ele. Tinha o lábio inchado e em redor um pouco negro. Sentia-me assustada, quem teria feito aquilo a David. Mas mesmo assim, não deixava de ser o sujeito mais lindo do mundo. Deixei-me levar por aquilo que sentia pelo David e dei-lhe carícias na face. David era perfeito, demais para mim. Por isso mesmo, era bom demais para mim. Não consegui conter as lágrimas que me caiam, não conseguia parar. A enfermeira pedia para entrar, com uma bandeja de comida na mão.
-Sim, muito obrigada – A bandeja tinha uma sandes de fiambre e um compal de pêssego mais uma maçã verde.
-De nada. O seu namorado esteve aqui toda a noite. E você só chegou ao Hospital às quatro da manhã. Ele estava desesperado.
-Pois, eu também…
-Bem, vou entregar o resto dos pequenos-almoços. Quer mais alguma coisa?
-Não, muito obrigada.
A enfermeira saiu e fiquei sozinha com o David outra vez. Ele tinha os braços na cama e com a cabeça deitada nos braços. Ia acordar cheio de dores nas costas, se até quando se deixava dormir no sofá acordava com dores nas costas então nem queria ouvi-lo a queixar-se. Também não ia ouvir. Quando ele acordasse a melhor coisa a fazer é estar calado. Mas tenho de admitir, podia esquecer aquilo tudo. O amor que sentia por ele podia-me tornar cega, ele podia me trair todos os dias pois eu era capaz de o perdoar. Só não conseguia estar longe dele. David mexia os dedos das mãos e levantava a cabeça. Estava acordar. Esfregou os olhos e abri-os, ele olhava para mim com um ar triste. Não achava aquilo normal, ele tinha-me traído, ele não me amava e por isso mesmo necessitou de outra pessoa para se sentir completo. Eu é que devia de estar assim e estava mas controlei o máximo possível todas as minhas expressões. Não ia mostrar a minha parte fraca.
-Bom dia – dizia-me David com uma voz murcha.
-Bom dia.
-Quero contar a você toda a verdade.
-Não, não quero ouvir mais mentiras.
-Não são mentiras.
-Tu estavas na cama com a Luísa. Eu vi. Que vais dizer desta vez? Que estou a precisar de óculos? Eu já nem sei se o que me disseste da outra vez é verdade.
-Então porque é que utilizou o meu ultimo nome no parque?
-Porque precisava de alguma coisa que me ligasse a ti! – Disse irritada – Não tens a noção como estou.
-Você acha? Aquilo foi uma cilada da Luísa para nos separar.
-Bem, ao menos já mudas-te de palavra. Da outra vez foi estratagema, agora é cilada.
-Catarina! Pára! Ouve-me!
-Não! Já chega de mentiras. Eu não acredito em nada que dizes. Nada! – Ouvia alguém a bater à porta. Era Ricardo.
-Olá.
-Olá Ricardo.
-Acho que devias ouvir o David.
-Tu também?!
-Catarina ele não te está a mentir!
-Por amor de Deus… Eu quero ir me embora.
-Não pode ir embora. Os seus médicos não deixam você ir embora.
-David, tu não mandas em mim!
-Mas os médicos sim!
-Catarina, tu conheces-me à muito tempo. Tu sabes que eu não te ia mentir. O David não está a mentir, é verdade.
-Então vá. Conta lá a tua história David.
-Ela meteu-se lá em casa. Eu não sabia de nada.
-Meteu-se lá em casa? Como?
-Ela disse que foi com um cartão de crédito… Catarina, por favor acredita em mim!
-Não sei. Não sei o que acreditar – Estava confusa, de coração partido e as lágrimas caiam sem sentir. Sentia-me zonza e com a cabeça a latejar. – Preciso de sair daqui. Onde está a minha roupa?
-Catarina tiveste um traumatismo craniano. Precisas de descansar. – Dizia Ricardo preocupado.
-Não quero saber, quero ir-me embora. Posso ficar em tua casa Ricardo?
-Catarina, por favor.
-David, esquece. Hoje não, nem amanhã, nem nunca mais!
-Catarina…
-David, não dá. Duas vezes?! É de mais.
-Desculpa, por favor. Me perdoa.
-Não dá. Não dá mesmo.
Com tanto alarido o médico chega.
-Que se passa aqui?
-Queria a alta.
-Só à tarde.
-Eu preciso de sair daqui agora.
-Se você for directamente para casa em repouso absoluto posso dar-lhe alta agora. O seu traumatismo não foi muito grave.
-Muito obrigada. Ricardo, posso?
-Sim claro.
-Catarina… Por favor!
-Não David. Deixa-me. – Fui embora com o médico. Ainda tinha que fazer alguns exames. O médico, no fim dos exames indicou-me uma casa de banho para me vestir. As dores de cabeça eram cada vez maiores, sentia-me mal disposta e via tudo a andar a roda. Quando sai vi o Gustavo a fazer companhia ao David, a Lúcia, o Ricardo e o Henrique. A Lúcia veio logo ter comigo, Henrique foi o seguinte, só Ricardo não me veio falar. David, que estava sentado levantou-se imediatamente. Passei por ele sem olhar para ele. Não queria, doía-me só de cheirar o perfume dele quanto mais olhar para ele. Sai do hospital agarrada a Ricardo, sabia que, se me largasse, caia estatelada no chão e não podia. Ele sentou-me no lugar da frente e veio logo para o lugar de condutor. Ricardo arrancou, ficamos ambos em silêncio. A casa do Ricardo era em Almada por isso teríamos muito tempo para falarmos.
-Catarina, ele não estava a mentir.
-Não quero saber. Não quero ouvir. Não quero saber.
-Catarina, não sejas assim… Ele está inocente. Não fez nada de nada!
-Ricardo, deixa-me descansar. Estou cheia de dores de cabeça.
-E o que raio ias fazer?! Matar-te?! Isso sim, é solução!
-Não tenho razões para viver.
-Catarina, que se passa? O que é isso? Eu não acredito que estou a ouvir isto de ti. Nem com o outro otário foste assim…
-Eu AMO-O! E ele traiu-me. Nem sabes como eu estou.
-A Catarina que eu conheço não é assim.
-A Catarina que tu conheces não é dependente de um homem.
-Catarina, se és dependente dele conheces ele muito bem, logo, sabes que ele não está a mentir.
-Eu estou cheia de dores de cabeça, fiz um traumatismo craniano, vi o meu namorado na cama com outra. Achas que eu consigo pensar? Sinceramente. Deixa-me estar revoltada.
-E como achas que ele está? Achas que está a ser fácil para ele? Eu nunca vi um homem assim tão desesperado, tão triste, tão… Sei lá… Nem os meus doentes são assim… Parece que parte dele está a morrer. Se tu morresses, não sei o que era dele.
-Ok, eu sei. Estou arrependida, foi estúpido. Mas eu não me ia atirar.
-Ai não?!
-Sim… Sei lá. Eu só queria acabar com a minha vida. Podemos acabar com a conversa? Está-me a doer muito a cabeça.
-Ok.
Fomos o resto do caminho, Ricardo tinha um T2 pequeno e eu sabia disso mas Ricardo era das únicas pessoas que não me ia perguntar sempre como estava. Ele conseguia ver. Disse para dormir na cama. Fui sempre agarrada a Ricardo, ainda me sentia fraca. Ricardo abria-me a cama e eu deitei-me lá. Fiquei a pensar, se Ricardo tinha razão, se David não me estava a mentir, como devia de matar a Luísa e o mais interessante é que, já sabia, não ia ter coragem para fazer-lhe nada. Depois de ela ter feito aquilo tudo ia sair pela porta grande mais uma vez. Deixei-me dormir a chorar, a dor continuava e a cada segundo que passava crescia.

publicado por acordosteusolhos às 20:55

comentários:
ai que lindo, só mias um cat
Beatriz a 8 de Setembro de 2010 às 21:23

Isto está tão emocionante! O David e a Catarina têm que fixar juntos, rápido! *-* Maais, Catarina! Beijinhos.
- Sara a 8 de Setembro de 2010 às 21:44

mt bom cat
ansiosa pela continuação...
e continuo a achar q a luísa merece um castigo lol sem prejudicar a vida do DL, claro ;)
bj
sp a 8 de Setembro de 2010 às 21:52

Uiii cada vez melhor, espero pelo proximo :)
Anónimo a 8 de Setembro de 2010 às 22:12

Misericórdia.....isto está cada vez melhor!! Oh Catarina perdoa lá o David...Please!!!!
Tou a adorar como sempre xDD

Bjinhos
a 8 de Setembro de 2010 às 22:56

A historia ta cada vez mais interessante!
Marisa a 9 de Setembro de 2010 às 10:29

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