09
Set 10

Acordei, sentia-me melhor mas apenas da cabeça. Impressionante como é mentira a história do “com o tempo passa”. Com o tempo a passar, a dor tornava-se pior. Perguntava-me se alguma vez ia passar. Olhei para o relógio, seis da manhã. Tinha dormido um dia inteiro, não queria acreditar. A dor na cabeça tinha passado mas o médico disse que tinha que estar uma semana de repouso. Tinha um bilhete ao lado, era do Ricardo. “Catarina, serve-te à vontade. A casa é tua. Não sei a que horas vais acordar mas espero que fiques bem. O teu telemóvel esta ao teu lado a carregar. O David veio entregar. Fala com ele.”. Parte de mim queria correr para os braços de David, queria sentir-me segura outra vez ao seu lado. Mas outra parte sentia-se destroçada, incapaz de olhar para a cara dele. Levantei-me e fui à cozinha. Estava esfomeada. Fui até ao frigorifico à procura de algo comestível, quando na porta vejo um recado, com a letra do David. “Ontem à noite trouxe para você um croissant de chocolate, daqueles que você gosta. O Ricardo disse que ia guardar no mesmo sitio onde ele guarda o pão. As melhoras. Beijo. Te amo.”. Agarrei no papel e pressionei contra o peito, sentia falta dele, de acordar perto dele. Procurei o croissant, estava lá, no sítio onde o Ricardo guarda o pão, escondido no meio das bolachas de chocolate. Aqueci o croissant e fui comer para a sala. Quando liguei a televisão ainda estava a dar a televendas. Entre máquinas que fazem a comida sozinha e máquinas que nos emagrecem por estarem a tremer na barriga, lembrei-me da universidade. Ia faltar toda a semana e estas aulas iam ser importantes. Mas não me importei, continuei a comer o meu croissant, agora não me importava nada no mundo. Sentia um vazio enorme dentro de mim. Precisava de sair dali. Para um sítio onde ninguém me conhecesse, lembrei-me em mudar para o Porto mas não suportava os portistas, a hipótese Porto foi logo excluída. A seguir lembrei-me do Algarve. Tinha casa em Portimão, era perfeito. Como não me tinha lembrado disso antes. Agora era só avisar o meu pai que precisava das chaves de casa porque precisava de tempo para pensar. Porquê? Porque o meu noivo me traiu e eu ia-me suicidando. Ó sim, lindo. Era a ocasião perfeita para o meu pai ir experimentar a nova caçadeira a Lisboa. Opção Algarve também excluída, tinha uma amiga minha a morar em Espanha mas não gosto de Espanha, ainda por cima em Madrid, uma cidade no meio do nada. Também não resultava para mim. O meu tio, trabalhou em Londres e teve que comprar uma casa lá, como ele não era da parte Paterna da família não iria haver problema com caçadeiras nem com nada parecido. Londres era o meu destino, só faltava ir buscar algumas roupas à casa do David, deixar passar esta semana e dizer a todos que ia para Amesterdão fazer um trabalho da universidade e precisava das chaves de casa de Amesterdão para não gastar muito dinheiro. Era perfeito. Conhecia algumas pessoas lá e já lá tinha ido. Deixei-me dormir mais um bocado e só acordei às dez horas. Não sabia como conseguia dormir tanto, era incrível. Acordei com outro recado na mesinha da sala. “Catarina fui trabalhar, volto pelas dezoito horas para irmos ao médico. As melhoras”. Tinha que ir tomar um banho, já à três dias que não via o chuveiro não podia molhar a cabeça por ordens do médico. Um bocado chato, o meu cabelo já não estava nas melhores condições mas com um elástico e gorro aquilo resolvia-se. Depois do banho e de um bocado de descontracção na cama, ou seja, dormir resolvi ir fazer alguma coisa para comer, havia duas opções, ou fazia atum, com um ovo que havia e feijão-frade ou então atum com um ovo que havia e feijão-frade. Escolhi a primeira, embora a segunda também fosse uma óptima opção, muito diferente da primeira. A casa do Ricardo era mesmo assim, a tradicional casa do solteirão. Não há comida, no frigorífico as prateleiras são ocupadas por cerveja e há amendoins, doces, bolachas, por todos os armários da cozinha. Já para não falar que no congelador temos para além de dez pizzas, dez pacotes de lasanha e outras coisas pré-congeladas. Quando ia abrir a lata de atum a campainha toca. Já sabia que era uma visita, a Lúcia talvez. Fui até à porta e abri.
-Oi.
-Olá.
-Posso entrar?
-Sim. – David era quem estava na porta. Na verdade era para lhe dizer “Não, desaparece da minha vida” mas olhei para ele, as olheiras eram enormes e mesmo que eu quisesse dizer isso, naquelas situações o cérebro não mandava, mas sim o coração e eu amava aquele homem. Não podia dizer que não. Sai da porta e fui para  cozinha outra vez, ele fechou a porta e veio atrás. Voltei a tentar abrir a lata de atum.
-Não é preciso. Eu trouxe comida para você. É bacalhau com natas. A vizinha do café fez e eu fui lá comprar. – David tira uma grande embalagem de comida.
-Obrigada. – Arrumei a lata e tirei dois pratos, pelo tamanho da embalagem de comida ele também ia comer. David olhou para os pratos e ajudou-me a colocar a mesa.
-Se quiser eu vou-me embora.
-Não. Acho que precisamos de falar não é? – David sorri e acena que sim. Sentamo-nos os dois à mesa e servimo-nos. Dei uma garfada, estava delicioso. – Está muito bom. Agradece à vizinha.
-Eu antes ia lá comprar a comida. É sempre muito boa. Não tão boa como a sua. – Não liguei minimamente ao que ele disse e continuei a comer. – Podemos falar?
-Pensava que já estávamos.
-Não sejas assim. – Odiava quando o David me dizia isso. – Eu quero explicar a você o que se passou.
-Conta. – Não parei de comer, não queria ouvir mas era impossível não ouvir a voz a David, tão suave e doce.
-A Luísa entrou lá em casa com um cartão. Ontem o Ruben tentou fazer e resultou. Se a porta não tiver trancada é fácil de abrir. Ela fez isso e eu já estava a dormir. Você sabe como eu durmo ferrado. Ela pôs-se na cama e depois o resto da história você já sabe.
-Porque é que não vieste atrás de mim?
-Eu fui, mas estava chovendo e eu estava de boxers, brancos… Não podia sair de casa. Eu fui até à porta mas estava descalço e todo nu. Eu queria…Eu juro que queria.
-Vou para Amesterdão.
-Hã?!
-Vou para Amesterdão, preciso de descansar e não sei quando volto. Vou no final da semana.
-O que vai para lá fazer?
-Preciso de sair daqui, sair de Portugal. Preciso de pensar.
-E fugir é a melhor maneira?!
-Para mim é, não tens a mínima noção como me sinto.
-Você é assim? Só pensa em você? Como acha que eu estou?
-A minha dor é diferente da tua.
-Diferente?!
-David, eu preciso de tempo. Tenho que pensar bem. Tenho que ter a certeza que é isto que quero para a minha vida.
-Você disse que não ia desistir.
-Não estou a desistir.
-A mim parece-me.
-David, eu amo-te. Achas que eu vou desistir? Sinto-me magoada, apenas isso. Preciso de algum tempo.
-E não pode ser aqui?
-David! Por favor! Compreende-me! Não quero!
-Não entendo… Está a desistir. Fica em casa do Ricardo. Não é preciso ir para lado nenhum.
-Ok, eu vou uma semana para Amesterdão ok? Uma semana apenas.
-Está a desistir.
-Só preciso de sair! Mais nada! Não compreendes? Ai… - Deu-me uma dor de cabeça enorme.
-Que foi? Está bem?
-Por favor, compreende-me, preciso de ir uns dias. Sair daqui. É uma atitude cobarde, mas preciso. Por favor…
-Está bem.. Mas você vai fazer o quê lá?
-Não sei bem. O futuro dirá.
-Não quer levar ninguém com você?
-Eu fico bem. Eu tenho uma amiga inglesa, ela mudou-se para Amesterdão à pouco tempo. Ela vai-me ajudar.
-Já estiveste lá?
-Em Amesterdão? Por duas vezes. Não te preocupes. Eu fico bem.
-Já compras-te o bilhete de avião.
-Amanhã vou tratar disso.
-Deixa-me ser eu a tratar então.
-Não quero nada disso. Eu vou pagar.
-Com que dinheiro que resta na minha conta.
-Isso é quanto? 100 euros?
-A Benfica TV ainda me rendeu 700 euros.
-Ok, mas depois comes o quê lá? Eu pago-te o bilhete e reservo-te já o de volta. Quero-te aqui.
-Está bem. Como queiras. Obrigada….
-Só te quero ao meu lado.

publicado por acordosteusolhos às 19:50

comentários:
Ela divia ficar com ele.
"Perdoa-lo"
Quero mais.
Posta rápido.
Adoro a tua fic! :)
Dii@ne a 9 de Setembro de 2010 às 20:05

Muito bom este capitulo! Quando é que o David e a Catarina fazem as pazes? Estou ansiosaa! Maaais :D
- Sara a 9 de Setembro de 2010 às 20:06

Mais, pleasee xb
Anónimo a 9 de Setembro de 2010 às 22:01

Duas criaturas mais teimosas não existe....mas ainda bem que o são, pois assim a história fica ainda melhor!!! Espero que façam as pazes em breve xDD
Bjinhos
a 9 de Setembro de 2010 às 23:01

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