29
Ago 10

Acordei debaixo do braço do David como maior parte das vezes acordava. Não sabia como não se queixava porque ainda tinha uma cabeça grande mas tenho a certeza que acordava todas as manhãs com o braço dormente. Não deixava a minha cabeça toda a noite debaixo do braço dele. Deitava-me sempre com a cabeça na almofada, virada para o corpo dela mas durante as noites dava tantas voltas que acabava naquela posição.
-Bom dia meu bem – acordava com uma voz doce e linda.
-Bom dia David… - dizia ainda com uma voz de sono.
-Eu vou fazer o seu pequeno almoço está bem?
-Hum, que bom! – Senti ele a levantar-se da cama, tentei voltar a dormir mas estava complicado. Já começava a sentir um cheirinho muito bom mas não sabia o que era. Quem costumava fazer os pequenos-almoços era eu. Levantei-me e fui à sala para ir à internet.
-Catarina, preciso de falar consigo.
-Que foi meu amor?
-É importante.
-Ok, já vou. Deixa-me só ver os jornais. – O David deixou-me preocupada mas queria ver os jornais, era já uma “tradição”. Olhei para a primeira página de A Bola, falava do Benfica para variar e de uma compra de um jogador. Desta vez falavam de Mário Fernandes, defensa central que viria para substituir o David. Estes já sabiam mais do que eu. No Record falava na venda do Fábio Coentrão e no Jogo vinha o Hulk. Decidi ver ainda o Correio da Manhã, falava do estado, do Benfica mas as notícias do correio da manhã nem valia a pena ver e no canto inferior direito fazia grande destaque a uma notícia da parte “vidas” do jornal. “David trai Catarina”. Comecei a rir com a notícia, já tinha saído uma do género mas na data em que o David supostamente estava com ela, estava a jantar comigo e com o meu pai.
-David nem vais acreditar no que está no Correio da manhã. Será que esta gente não tem vida? – ao mesmo tempo ia ao site de vidas e vi-a num grande destaque, outra vez, “David trai Catarina”. Carreguei para abrir e vi uma foto do David a beijar a Luísa. Senti uma dor por dentro, como se o coração tivesse parado. Senti a cabeça a latejar. A dor no peito era intensa. Senti as lágrimas a correrem a cara sem parar. Olhei para o lado e vi o David.
-Catarina, tem calma. Não se passou nada. Nada. Ela beijou-me apenas isso. Eu não queria, eu não… - Dizia-me com uma voz fina, nem deixei terminar. Dei-lhe um estalo com todas as forças que tinha, com toda a raiva que sentia.
-Como é que me foste capaz de fazer isto! Como?! Prometeste-me David! Prometeste-me!
-Desculpa, ela beijou-me, eu não queria…
-Cala-te! Deixa-te de desculpas, as tuas mãos estão junto da cara dela!
-Estava a afastá-la Catarina! Por favor, acredita em mim!
-Como queres que acredite em ti depois de ver esta foto! Como! Diz-me!
-Eu não estava a beija-la! Não estava!
-Olha para a foto David! Não estavas a beija-la? – As lágrimas continuavam a cair, a dor aumentava a cada segundo que passava. Nunca tinha discutido com o David e esta discussão estava a ditar o fim da nossa relação. Empurrei-o para o lado e fui para o quarto. Agarrei numa mala e abri-a.
-Catarina! Catarina onde é que você vai? – David já tinha chegado ao quarto. Eu já estava agarrar na roupa que podia e a meter na mala. – Catarina por favor! Não faz isso! Não sei viver sem você. Você sabe disso! - David tentava-me agarrar no braço para parar mas estava fora de mim. Sentia as lágrimas a caírem e a dor no meu peito que era cada vez maior, senti os meus joelhos a tremer, a ficar zonza e com a barriga a dar voltas. – Pára! – Dizia o David enquanto me agarrou no braço.
-Larga-me! – Dei-lhe um murro de reacção. Ele virou a cara com a força do murro e vi o seu lábio a sangrar – David, desculpa. Eu não queria. Eu…
-Por favor Catarina deixa-me explicar. – Agarrei na mão dele.
- Vem à cozinha, quero te pôr gelo na cara. – Fomos ambos para a cozinha, ambos também a chorar. Deixei-o na cadeira e fui buscar gelo ao congelador.
-Posso te contar o que se passou?
-Não sei David, não sei.
-Eu vou contar, eu estava a sair da conversa que tive com o treinador e estava mais o Ruben e quando chegamos ao parque de estacionamento ela estava encostada ao meu carro. O Ruben disse que ia-se embora para eu puder falar com ela e ele foi-se embora. Quando cheguei ao meu carro pedi a ela para sair e ela não saiu, pedi a ela mais três vez e ela ignorou. Entrei dentro do carro e ela não saía da traseira e eu não podia sair pela frente, então eu sai do carro e agarrei no braço dela e puxei-a para ela sair, fui bruto e tudo, mas quando já a tinha tirado da frente do carro ela agarrou-me e beijou-me. Eu empurrei-a logo mas no final ela disse “Amanhã já és meu. Ela vai-te largar” e agora já estou a perceber porquê. Foi tudo um estratagema dela. Ela planeou tudo isto para me ver longe de ti, mas eu não o vou fazer. Eu amo-te e preciso que você acredite em mim. Eu não sou nada sem você Catarina. Por favor! Eu ia-te contar isto ontem à noite mas não ganhei coragem e hoje de manhã tomei coragem e quis falar contigo antes que soubesse por alguém. Cheguei tarde. Desculpa. Catarina, pára. Olha para mim – estava a limpar o sangue que ele tinha perto da boca e ele agarrou as minhas mãos – Acredita em mim, eu não estou a mentir, você conhece-me… - David continuava com a voz fina e chorava.
-David, tu não me peças para te perdoar. Tu não sabes a dor que eu sinto agora. Custa-me respirar, custa-me estar a teu lado. Preciso de um tempo para pensar.
-Como achas que eu estou? Não consigo ver você assim.
-Desculpa David.
-Desculpa? Não me faça sentir assim… Eu deixo-te dessa maneira e você ainda me pede desculpa? Eu não te mereço.
-Não, não! Por favor, não me digas isso. Nunca mais me digas isso. Nunca!
-É a verdade Catarina. Por favor, me perdoa?
-Eu desculpo-te David, mas não esqueço e preciso de ir embora durante uns dias. Preciso de pensar e esquecer isto tudo.
-Para onde vais?
-Não sei. Não sei. Não posso ir para a casa da minha mãe, não posso deixar que ela me veja desta maneira. Nem os meus amigos.
-Vai para o hotel Tivoli uns dias descansar, eu pago a sua estadia.
-Não sei.
-Aceita…
-Está bem.
-Fica com este cartão. – Agarrei no cartão e sai da cozinha. Ainda sem puder controlar as lágrimas. Arrecadei a mala e fui à busca de uma mochila, tinha intenção de voltar. Arrumei dentro da mochila três calças e quatro blusas de manga comprida. Levei uma camisola do David, embora toda a situação precisava de alguma coisa dele para me sentir segura. A mala estava cheia, vesti o casaco mais quente que tinha e arrumei o carregador do telemóvel na minha mala. Senti o David na porta. Virei-me e vi ele com as mãos na cara a limpar as lágrimas. Parte de mim queria abraça-lo, sabia que ele estava a dizer a verdade mas a outra parte de mim queria fugir. Agarrei na mala e na mochila e fui-me embora. Passei pelo David sem me despedir, as lágrimas continuavam-me a cair pela cara. Queria que parassem mas não conseguia. Era mais do que eu. Fechei a porta de casa e fiquei à porta. Queria ir embora mas o amor ao David não o permitia. Tirei as chaves da mala e abri da porta. David estava na sala sentado, com os cotovelos apoiados nas pernas e as mãos na cara. Levantou-se imediatamente. Ficamos ambos estáticos a olhar um para o outro.
-Catarina, que se passa?
-Não me conseguia ir embora sem me despedir. – Beijei-o ao mesmo tempo que chorava. Ele pousou a sua mão direita na minha cara e a esquerda nas costas. Ambos sentimos o mesmo naquele beijo, amor. – Promete-me que vais fazer um bom jogo e vais continuar bem. Eu volto, prometo. Só preciso de aliviar a cabeça.
-Eu prometo – Abracei-o como podia, queria sentir o cheiro dele mais uma vez.
-Amo-te – Sussurrei ao ouvido dele.
-Obrigada, eu prometo. Eu amo você. – sussurrava ele também ao meu ouvido. Larguei-o e fui me embora sem dizer mais nenhuma palavra. Precisava de ir embora mas iria voltar e ele sabia disso.

publicado por acordosteusolhos às 12:35

comentários:
cada vez melhor. espero pela continuaçao.
mi a 29 de Agosto de 2010 às 13:24

fogo, eu quase chorei a ler isto :S
está muito bom catarina!
Rita a 29 de Agosto de 2010 às 13:27

Isto foi tão emocionante. Estou como a Rita, quase que chorava. :s
Aquela Luisa -.- Nunca mais desaparece. Está óptimo Catarina, muito boa a escrita. Espero pelo próximo. (:
- Sara a 29 de Agosto de 2010 às 14:24

Aquela Luisa...

Espero pelo proximo :)
Anónimo a 29 de Agosto de 2010 às 14:52

aiiii catarina, isto é mesmo viciante... a serio... quase que também me fazias chorar, mas aquele aperto no peito eu nao me livrei...
adoro

posta mais******
rita (miscarruú) a 29 de Agosto de 2010 às 19:55

Quando chega o proximo capitulo? Estou ansiosa para o ler =D
Anónimo a 29 de Agosto de 2010 às 22:31

muito boa esta historia. tens imenso jeito. continua assim. à espera do proximo capitulo.
lola a 29 de Agosto de 2010 às 22:47

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