29
Ago 10

Sai de casa e decidi não levar o audi, não estava em condições de conduzir. Estava a chover torrencialmente mas não me importava, ao menos não se notava as lágrimas. Já não me lembrava onde era o Tivoli então fui de metro até ao Estação do Oriente. Mal sai da estação vi o hotel, dei uma corrida até à entrada para não me molhar muito mas já estava encharcada. -Desculpe, menina, onde vai? – Perguntava-me o senhor da portaria. -Eu queria ficar hospedada aqui…

-Menina, desculpe a indelicadeza mas tem dinheiro para ficar aqui?

– Era compreensível, estava encharcada e parecia uma abandonada. Esbocei um sorriso para responder.

-Tenho, não se preocupe. Acha que me consegue arranjar uma toalha antes de entrar?

-Claro menina, perdão.

– Ausentou-se e voltou com uma toalha.

– Pode-me dar o seu casaco? Vou pedir à lavandaria para o lavar.

-Claro, obrigada.

– Entrei no hotel, reparei na sua entrada. Era um luxo e todas as pessoas estavam vestidas elegantemente e eu com umas calças de ganga e uma t-shirt e os meus all-stars pretos encharcados. Dirigi-me à recepção.

– Bom dia.

– O senhor que estava lá olhou-me de alto a baixo.

-Bom dia. Que deseja? -Queria um quarto se faz favor.

-Com quantas camas?

-Uma.

-Quer vista para o mar?

-Agradecia e quanto mais alto melhor.

-Sim senhora. Pode ser o quarto 18 do piso décimo segundo piso? Tem uma vista para o mar e para além disso uma varanda grande.

-Sim, está óptimo.

-Aqui está a chave. Tem mala?

-Não… -Pensa ficar quantos dias?

-Ainda não sei, mas não se preocupe com o dinheiro.

-Muito bem senhorita, assine aqui e preciso de um documento seu.

-Fique com este.

– Entreguei o cartão e quando estava a estender a minha mão vi o anel que o David me tinha oferecido. Larguei mais umas lágrimas.

-Senhora, está bem?

-Sim, está tudo bem. Posso subir?

-Sim, sim.

-Obrigada…

-Obrigada nós senhora.

O quarto do hotel era lindo, as paredes estavam a pintadas de um creme que trazia tranquilidade. A cama era de casal e tinha uma colcha as riscas brancas e vermelhas. As janelas eram enormes e tinham vista para todo o rio. Sentei-me na cama e acendi a televisão. Ainda era cedo e apetecia-me dormir mas aquelas fotos não me paravam de atormentar a cabeça. Lembrei-me do que o David me dizia, que a vida pessoal também se intrometia nos jogos. Não queria que os jogos do David corressem mal. Resolvi telefonar ao Ruben.

-Sim Ruben?

“Catarina? Não é um bocadinho cedo?”

-Acordei-te?

“Ham… Sim… Mas que se passa?”

-Sai de casa, preciso que vejas o David.

“Hã?!”

-Precisava de arejar a cabeça e sai.

“Que se passou?”

-A Luísa beijou o David, mas fala com ele, ele explica-te.

“Então e onde andas? Estás bem?”

-Estou no Tivoli. Não te preocupes.

“Ok, eu vou ter com ele. Onde é que ele anda?”

-Em casa.

“Está bem, vou falar com ele. Adeus Catarina. Beijinhos”

-Beijinhos Ruben – Desliguei, agora podia dormir. Mesmo com as fotos a passarem na minha cabeça sabia que o David tinha apoio. Voltei a encostar a cabeça e dormi. Quando acordei era dezassete horas. Tinha acordado antes várias vezes mas forçava para dormir novamente mas já não conseguia dormir mais. Tinha fome, muita fome e o jogo do Benfica ia ser às vinte horas. Precisava de me despachar, ainda precisava de arranjar bilhete visto que o David tinha-me convencido a ir para os camarotes mas não estava com paciência para ir para lá. Ouvi a porta a bater e fui abrir.

-Sim?

-Menina Silva trouxe o seu casaco.

-Obrigada, espere um pouco. Vou lhe dar uma gorjeta.

– Fui à minha mala e agarrei em cinco euros.

– Tome, obrigada.

-Obrigada eu menina. Desculpe mas você não é a namorada do jogador do Benfica David Luiz?

-Sim, sou. – ou era até à poucas horas.

-Diga-lhe para não abandonar o Benfica, toda a gente gosta dele aqui e você podia convencê-lo.

-Vou tentar, obrigada.

-Obrigada menina. Mais uma vez, desculpe.

-Não faz mal. – Dizia ao mesmo tempo que fechava a porta. Tomei um banho e vesti as calças de ganga e uma blusa que tinha trazido. Levei o cartão do David e uns trocos para o metro. Era a primeira vez que não me importava de utilizar o cartão dele, como um castigo embora ele não merecesse nenhum mas eu era complicada. Sequei o cabelo e fiz um rabo-de-cavalo. Reparei que estava mais pálida do que nos outros dias, devia ser da fome. Vesti novamente o casaco e pus o gorro do casaco. Sai em silencio e cheguei à entrada, continuava a chover torrencialmente. -Menina vai sair?

-Sim, vou ver o Benfica.

-O seu namorado?

-Não. O Benfica.

-Desculpe, quer que lhe arranje um táxi?

-Não é preciso.

-Então e um guarda-chuva?

-Já agradecia.

-Tome menina.

-Obrigada.

-De nada.

Sai do hotel e estava mesmo a chover bastante, talvez arranjar um táxi fosse melhor mas não tinha dinheiro suficiente, só mesmo o cartão e algumas moedas. Entrei no metro e sai no Colombo, já estava cheio de Benfiquistas. Até me sentia mal, não tinha trazido o meu cachecol nem a minha camisola. Sai do Colombo para ir buscar o bilhete. Era o jogo com o Nacional e sabia que não ia estar o estádio cheio. Comprei o bilhete e entrei logo no estádio. Ainda faltava uma hora para o jogo mas precisava de comer. Comprei umas batatas, uma coca-cola e uma sandes de leitão. Embora não tivesse dinheiro pedi para depois o David entregar o dinheiro e eles lá aceitaram. Fiquei no piso zero da TMN, junto do banco do Benfica. Mesmo na frente. A equipa entrou e pela primeira vez não vi-a o David a correr para aquecer. Ele adorava o ambiente do estádio e só não corria a saltar porque não o podia fazer. Ele olhou para os camarotes, para o sítio onde costumava ficar, vi-o de seguida a passar a mão na testa e a expirar. Foi logo a correr para perto do Luisão treinar que era quem o acompanhava sempre no aquecimento. Vi o Kardec a entrar e não podia deixar de lhe falar.

-Oi Catarina. Por aqui? Está a chover bastante!

-Sim, vim ver se vocês ganhavam isto… Não faz mal, Benfica até debaixo de água.

-Vamos esperar que sim. Está bem Benfiquista. Até já.

-Até já… - Ele continuou a cumprimentar rápidamente as outras pessoas até se sentar no banco. Chegaram outros e também acenei. Sentei-me novamente, tinha mudado de lugar, em vez de estar na fila C estava na A onde os bilhetes nunca eram vendidos mas onde estava sempre gente. Já se ouvia os No Name e faltava pouco tempo para o jogo, os jogadores estavam a entrar para dentro do balneario e o David entrava ao lado de Ruben, com um sorriso amarelo para as outras pessoas não perceberem o que se passava. Mas eu sabia, eu conhecia-o bem demais…

publicado por acordosteusolhos às 23:39

comentários:
ai david nao fica assim, nao!!!

Viciante!!!
rita (miscarúúú) a 29 de Agosto de 2010 às 23:52

Estou a gostar imenso... Ms era uma fixe se postasses outro capitulo... ahahaha
Anónimo a 29 de Agosto de 2010 às 23:53

vou ter que por outro comentario... esqueci-me de dizer uma coisa!!!

tu escreves maravilhosamente bem!!!!!
rita (miscarúúú) a 29 de Agosto de 2010 às 23:55

está fantástico , cat :D
tens imenso jeito ^^
lê o meu capitulo novo , por favor (:
e diz o que achas .
http://sofiarc.blogspot.com/
sofia a 29 de Agosto de 2010 às 23:59

Gostei muito, espero pelo proximo :)
Anónimo a 29 de Agosto de 2010 às 23:59

Mais uma vez adorei. Estou ansiosa pelo próximo. *-* Beijinhoos!
- Sara a 30 de Agosto de 2010 às 00:06

mais sobre mim
arquivos
2011

2010

arquivos
2011

2010

Música da Mena
Deixo aqui a nossa GRANDE cantora do chat, a Mé :b
Agradecimentos
Queria agradecer a todos que lêem a minha fan fic. Queria também agradecer ao blog http://23davidluiz.blogspot.com/ por publicar a minha fan fic e também ao blog http://david-luiz-fans.blogspot.com/. Muito obrigada a todos *
Críticas
Façam comentários com críticas, sejam elas positivas ou negativas. É com os erros que se aprende ;)