30
Ago 10

-Você viu? Ela não estava lá. Ela não costuma faltar aos jogos, ela adora isto. Até doente com trinta e nove graus de febre e a espirrar por todo o lado ela vem ver os jogos e agora não vem…
-Calma David… Ela falou comigo hoje de manhã e disse para estar contigo, isso quer dizer que ela estava preocupada contigo…
-Sim meu irmão mas não está cá. Precisava de a ver.
-Vais ver que corre tudo bem – Dizia o Ruben a tentar incentivar o David.
-É David, a Catarina está atrás do banco! Mesmo chateada ela vem te ver não é? O que aconteceu ao seu lábio? – Dizia o Kardec mesmo não sabendo que era desse assunto que estavam a falar.
-Ela está lá fora?
-Sim, mesmo atrás do banco, já falei com ela e tudo. Parecia-me um bocado triste e já estava toda encharcada… Mas não me respondeu, como fez isso no seu lábio.
-Eu bati-lhe Kardec, ele estava a merecer – Mentia o Ruben, ele sabia muito bem quem lhe tinha batido.
-É tonta a rapariga. Com lugar no camarote vai para ali. Meu, a tua namorada não bate bem… - continuava Kardec…
-É, é isso ou é perfeita demais.
-Vão entrar do balneário ou querem ficar aqui fora a falar? – Interrogava o treinador ao Ruben e ao David.
-É para já mister. – Respondia o Ruben.

*


Estava sentada e a chuva não dava tréguas. Não me importava, mesmo com os gritos dos No Name, do speaker a falar e das pessoas a cantarem continuava a pensar nas fotos e no que seria melhor. Estava preocupada, não queria que o jogo lhe corresse mal. Vejo eles a saírem e o David a rezar como fazia sempre antes de entrar em campo. Puseram-se de frente para mim para se apresentarem aos adeptos, a cabeça do David mexia-se de um lado para o outro até que olhou para mim e sorriu. Não pude ignorar e sorri também. Ele ficou com uma cara séria e eu percebi logo o que ele queria. “Sai daí Catarina, vai para os camarotes” era o que a cara dele dizia, sorri novamente e disse que não ao mesmo tempo que acena com a cabeça, logo de seguida percebi ele a chamar-me teimosa. Mandei-lhe um beijo para ver se parava um bocado e tomava atenção ao jogo.
O jogo tinha acabado, o Benfica tinha ganho um a zero e o David fez outro bom jogo, não dos melhores, mas bom. E a sair do meu lugar, escorria água por todo o lado e ouvi a chamarem o meu nome e conheci logo a voz.
-Espera, chega aqui à sala. – Dizia o David perto do banco.
-Ok, vou já. – Sai do meu lugar e tive que pedir ao segurança ao segurança para me levar à sala onde se encontravam os familiares. Felizmente o senhor conheceu-me mas fez me um reparo, disse que estava diferente, mais pálida. Também não era para admirar, tinha estado o dia a dormir e a chorar e agora à chuva. Quando cheguei à sala agradeci ao segurança e cumprimentei algumas pessoas que lá estavam e reparei no David com os caracóis todos molhados e que escorriam água.
-David vai-te lavar. Ainda ficas constipado…
-Sim, mas toma. Dá me esse casaco e fica com este. – Dizia e dava-me o casaco dele – E tens que esperar por mim. Levo-te ao hotel.
-Não preciso, vou de metro.
-Catarina é tarde e não te quero a andar aí sozinha.
-Ó David…
-Vá, não digas que não. Se disseres que não vou ter que te raptar. – Sorri um pouco, ele fazia-me tão bem.
-David, eu vou sozinha. Não te preocupes. Eu vou mais o Serginho.
-Esse? Não confio nele.
-Ok, então vou com o JP.
-Estás a brincar certo? Vai de mal a pior.
-Ok, então com o Igor.
-Não era esse que andava atrás de ti?
-Ninguém anda atrás de mim.
-Por favor, vem comigo.
-David, vai tudo correr bem. Eu vou com eles. É sem problema.
-Estou com um mau pressentimento.
-David esquece. Eu estou bem. Obrigada pelo casaco. Agora vai te vestir antes que te constipes. – Respondi-lhe mal para ver se ele me deixava ir, embora fizesse bem estar com ele precisava de algum tempo para estar sozinha.
-Está bem. Faz o que quiseres. Quando chegares ao hotel liga-me.
-Ok, está bem… - Dei-lhe um beijo na bochecha e fui me embora. Não havia nem Serginhos nem JP’s nem Igor’s à minha espera mas já tinha feito aquele caminho mais de trinta vezes, não iria ser desta que iria acontecer alguma coisa. Sai do estádio e fui para o Colombo para apanhar o autocarro, já estava tudo vazio e só algumas pessoas estavam lá. O caminho era directo por isso não tinha com que me preocupar, nem percebi qual era a preocupação do David. Sai na estação do oriente e pus-me a caminho do Hotel. Já era quase meia noite, tinha-me atrasado um bom bocado. Do metro até o hotel ainda eram alguns minutos de caminho mas fazia-se bem.
-Queridinha? Queridinha? Vem cá… - Olhei para trás e vi cinco homens, estava escuro e não deu para ver quem era. Comecei a andar mais depressa.
-Onde vais fofinha? Não fujas… -Não respondi e comecei a correr. Senti eles também a correrem e os passos mais perto.
-Anda cá – um agarrou o meu casaco – Onde ias bonequinha?
-Responde docinho…
-Olhem vocês não sabem quem é?
-Sei sim, é uma gaja daqui.
-Não pá, esta é namorada daquele de caracóis lá do Benfica
-Pois é, vá docinho. Dá-me tudo o que tens. – Já chorava e à minha volta só tinha eles. Entreguei-lhes o meu telemóvel e o cartão do David.
-Mais docinho…
-Não tenho mais nada, vim agora do jogo. Não tenho nada.
-Então vais ter que nos dar mais alguma coisa. O que fazemos com ela?
-É bonitinha, podíamos brincar.
-Saíam daqui imediatamente! Vão se embora bandidos – vi eles todos a fugirem e cai no chão a chorar. – Menina está bem?
-Estou, obrigada. – Quando olhei vi que era o porteiro do Hotel. – O que faz aqui a esta hora da noite?
-Isso devia perguntar à menina. Sai agora de serviço e vi este grupo aqui, achei estranho e quando olhei reparei que a menina estava lá no meio. Está bem? Fizeram-lhe alguma coisa? O que faz aqui sozinha.
-Vim agora do jogo, eu estou bem graças a você. Roubaram-me o cartão de crédito e o telemóvel mas estou bem…
-Venha, levo a menina ao hotel. Devia apresentar queixa.
-Obrigada, para quê? Eles vão continuar soltos. Nem vale a pena. – O hotel era logo no virar da esquina, tinha que telefonar ao David a pedir para cancelar o cartão. Sabia que ele vinha ter comigo e iria ouvir das boas mas não me importava. Não fiz nada de mal e estava bem.

**

“Sim, quem é?”
-Sim, David…
“Aconteceu alguma coisa?”
-Não, só queria pedir para cancelares o cartão.
“Porquê?”
-Perdi-o.
“Perdeu? E de quem é este número?”
-Sim perdi, é do hotel.
“Então e o seu telemóvel?”
-Perdi também.
“Catarina, roubaram você?” Impressionante como esta criatura me conhecia bem.
-Sim, mas…
“Eu vou já para aí”
-Não! Eu estou bem!
“Eu sabia que isto ia acontecer, estava com um pressentimento. Eu vou já para aí”
-Deixa de ser assim, eu já disse que estou bem.
“Quero confirmar” Era escusado. Ele vinha e não havia nada a fazer.
-Está bem, vem. Mas é uma perda de tempo. Estou óptima!
“Está bem, estou aí em cinco minutos”
-Não venhas muito depressa. Até já. – Desliguei o telefone. Já sabia que ia ouvir sermão.
-Menina, desculpe estar-me a intrometer mas você está chateada com ele?
-Sim, ele beijou outra mas não quis, ela é que o beijou.
-Então porque está chateada?
-Não estou, mas preciso de tempo para esquecer isso tudo.
-Sabe menina, às vezes o melhor é estar com a pessoa que nós gostamos. Com as pessoas que amamos nós esquecemos qualquer coisa mesmo que tenha a ver com elas.
-Eu sinceramente não sei o que me faz pior, estar longe dele ou estar perto e pensar no assunto.
-Menina, fale com ele. Acho que você tem um amor muito bonito e não pode estragar esse amor.
-Eu falo…
-Faz bem menina, bem vou ter de ir. Vou para perto da minha família… Boa noite menina.
-Boa noite e obrigada por tudo.
-De nada menina. – O porteiro saiu apressado. Já era tarde e tinha estado todo o dia no hotel. Precisava de estar com a família, lembrei-me no que ele me disse e talvez tivesse razão. Mais valia deixar isto tudo de parte e aproveitar todo o tempo que tinha com ele. Fui-me sentar nos sofás da entrada quando ele aparece. Estava com uma cara aborrecida e já sabia o que vinha dali.
-Catarina está bem?
-Sim, estou óptima.
-O que aconteceu?
-Resumidamente eles eram cinco e roubaram-me. Levaram o teu cartão e o meu telemóvel.
-Estou me a lixar para isso. Tens a certeza que estás bem?
-Sim David.
-Pareces-me pálida.
-Eu estou bem.
-Estás quente – dizia ao mesmo tempo que punha a mão na minha testa.
-David eu estou bem.
-Catarina, não estou descansado. Vem comigo.
-Para onde?
-Lá para casa. Você está quente e se for febre não quero que fique pior.
-David, eu não quero…
-Então eu fico hoje aqui então.
-David, controla-te.
-Então vem comigo – já sabia o que ia acontecer, era sempre assim. Ele conseguia ser mais teimoso do que eu.
-Está bem. Eu vou mas durmo no sofá.
-Não, eu durmo no sofá você na cama. Já está toda encharcada outra vez.
-Eu estou bem David.
-Já disseste isso várias vezes mas não fico descansado. Vá, vem…
-Ok.
Tinha que ir, com o David era inevitável. Foi nesse momento que me percebi que era dependente daquele homem, que por ele ia até ao final do mundo e percebi também que ele podia-me trair mas eu iria sempre desculpa-lo e era escusado dizer que isso não iria acontecer pois o meu amor por ele ultrapassava todos os obstáculos do mundo e a não ia dar esse prazer à Luísa.

publicado por acordosteusolhos às 00:37

comentários:
Ele é teimoso, mas ainda bem... Tao fofos :)
Espero pelo próximo capitulo :)
Anónimo a 30 de Agosto de 2010 às 00:49

esta msmo boa esta historia. continua :)
Anónimo a 30 de Agosto de 2010 às 01:01

este capitulo fez-me lembrar crepusculo... porque será??? xD

mais, mais, mais!!!
rita (miscarúúú) a 30 de Agosto de 2010 às 01:05

Este capitulo está lindo. O David bem que estava com aquele pressentimento. s: Sempre preocupado. Ainda bem que ele é mais teimoso. (: Muito bom mesmo Catarina. Beijinhos!
- Sara a 30 de Agosto de 2010 às 01:08

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