13
Set 10

“Drim, Drim, Drim”
-Catarina, amor, desliga o telemóvel.
-Vou já. – O telemóvel continuava a tocar em cima do armário do bebé e David impaciente punha a almofada por cima da cabeça para não ouvir aquele som irritante. Sai da cama lentamente, para não acordar o bebé, ou seja, o David. Estávamos da nona semana. As dores de cabeça eram enormes e as alterações de humor ainda maiores. Perguntava-me todos os dias se iria ser boa mãe ou não. Esperava que sim, mas a insegurança tomava conta de mim. – David acorda, temos que ir fazer a ecografia.
-Já? Que horas são?
-Nove horas e a ecografia ficou marcada para as dez. O médico quer ver se está tudo bem com o bebé …
-Ah, esta é tal importante?
-Sim, o médico falou que esta era a mais importante de todas as ecografias. – David acompanhava todos os momentos da minha gravidez, não faltava a uma consulta, mesmo que fosse uma consulta só de informação, ele estava lá a meu lado. Às vezes via ele a procurar na internet coisas sobre os bebés. Às vezes boas, às vezes más. E quando eram más via-se no olhar dele que o bebé, embora pequeno e ainda nada bebé, já fazia parte da sua vida e não podia haver nada que estragasse isso.
-Vai correr tudo bem. Tenho a certeza.
-Sim, mas vai-te despachar enquanto eu vou fazer o pequeno-almoço.
-Claro meu amor – Dava-me um beijo na bochecha.

Hospital da Luz:

-Então Catarina, como tens passado? – Perguntava o meu médico.
-Bem, com as coisas de grávida mas bem.
-Então vamos lá ver se está tudo bem.
David agarrava-me na mão, tinha um ar nervoso, eu estava calma. Para a próxima já sei, tiro-lhe a internet. O médico espalhava o gel pelo abdómen e eu esperava pela imagem no pequeno ecrã.
-Ora aqui está ele, ainda não dá para perceber muito bem mas está aqui. Como ainda é um feto, ainda não está desenvolvido… Olha, há uma surpresa.
-Surpresa? – Dizia o David já aflito.
-Sim, boa claro. Parece que têm mais um filho a caminho.
-Como assim?! – Perguntei, meio desesperada. Isto não me podia estar acontecer.
-São gémeos!
-Gemeos! – Gritava o David entusiasmado.
-Yeah! Gémeos! – Dizia eu de forma sarcástica – graças a Deus que vou casar já daqui a três semanas se não, parecia uma bola a entrar no casamento.
-Vai adorar ser mãe de gémeos, a minha mulher foi. Ficou radiante.
-E eu estou, só por dizer que não vinha nada a calhar. – Toda a gente soltou um gargalhada.
-Catarina, não se esqueça que quero você cá na décima primeira Semana para fazer Translucência nucal está bem?
-Sim, aqui estarei.
-Então pronto, vou ver da ecografia para vos dar e depois podem ir-se embora à vossa vidinha.
-Desculpe mas… Como é que não viram que eram gémeos na primeira ecografia?
-Sabe, nessa ecografia eu faltei, foi o meu colega a fazer por isso não me culpe. Se fosse eu já sabia. Quando foi a primeira?
-Às 7 semanas.
-Miúdos novos dá nisso.
-Pois, estou a ver… - Estava aborrecida. Já me tinham dado um carrinho para bebés, mas era só com um lugar. Que raiva. “Miúdos novos” deviam aprender a fazer ecografias! O médico saiu da sala.
-Vamos ter gémeos!! Agora não sei como vai ser não é? Como vou ensinar futebol aos dois? Situação complicada.
-Tu estás preocupado com o futebol? Então imagina quando forem os dois a chorar à noite, amamentar os dois, mudar as fraldas aos dois, ter os dois!
-Sim, mas isso é só uma fase…
-Claro que é, até aos dezoito anos… - Médico entra novamente.
-Esqueci-me de vós mostrar o som do bater do coração. – Por momento ouvimos o som de dois pequenos corações a bater, uma das experiências mais lindas que tive. Foi maravilhoso. Senti-me ainda mais mãe.
-Que lindo.
-Mesmo meu amor…
-Bem, vou agora tirar dar-vos a imagem enquanto a enfermeira trata de tirar-te o gel. – O médico foi-se embora e logo de seguida chegou a enfermeira.
-Então, gémeos?
-Sim!
-Muitas felicidades aos dois. – A enfermeira partiu e eu já pude levantar-me. O médico chegou com um envelope e a imagem na mão. Agradecemos ao médico e despedimo-nos. Estávamos radiantes. Se antes já era complicado gerir o espaço, agora ainda ia ser pior.

publicado por acordosteusolhos às 17:30

12
Set 10

-David! David!
-Que foi?
-Está tudo desarrumado! Outra vez!
-Não tenho culpa! De quinze em quinze minutos aparece uma prenda nova! Impressionante!
-Ai… Estou irritada! Sabes quantas vezes é que já fui à casa de banho hoje? Quinze! E só são seis da tarde!
-Então e eu? Tenho também as minhas necessidades e não as posso satisfazer!
-Utiliza a mão! Desculpa lá, mas nós não temos espaço para tantos presentes! E de onde vêm tantos presentes?
-Olha, estes três são do Ruben, este é da mãe do Ruben, este é do Luisão, este do Saviola, este do Fábio, este do…
-Já compreendi! – Estávamos no terceiro mês, faltava cerca de 4 semanas para o casamento. Durante o segundo mês correu tudo bem, senti-me às vezes com desejo mas foi normal. Agora, o terceiro mês estava a ser infernal, todos os dias ia mais de quinze vezes à casa de banho, sentia tonturas várias vezes. À noite chegava açordar com cãibras, como é que podia ter cãibras à noite? Nem estava a fazer qualquer esforço físico. A boa noticia é que a barriga já se notava e sai à rua toda vaidosa. A má noticia é que à coisa de dois dias fizemos um jantar de comemoração, por causa do nascimento e agora recebíamos várias prendas durante o dia. Algumas vinham do Brasil, outras de amigos do David de Espanha, do Norte do pais, até dos lagartos recebemos prendas. Não achava normal e isso deixava-me muito irritada. Os pais do David iam chegar nesta mesma semana e odiava não ter espaço em casa para recebe-los. Era isso que mais me irritava no nosso T1.
-Catarina, tem calma…
-Eu estou calma… Agora, tu é que me tens que aturar e prepara-te que isto vai piorar!
-O médico disse que este era o pior mês, juntamente com o oitavo.
-Queria tanto que isto já tivesse passado e já de estar aqui em casa com a minha menina.
-Menina? Não! Vai ser o menino do papá, para o papá ensinar ele a jogar futebol. Não é bebé, não é? – Dizia o David enquanto punha as suas mãos na minha barriga.
-Não, é a minha menina. Vai ser cientista como a mãe.
-A mãe ainda não acabou o curso.
-A mãe não acabou o curso porque o pai obrigou a mãe a sair do curso porque achava que não era seguro!
-E não era! Bem, já chega…
-Também acho. Olha, sabes o que me apetecia agora?
-Desde que não seja uma Sericaia.
-Não tenho culpa! Há anos que não comia isso.
-Sim, mas daí a pedir à tua prima para vir cá para fazer uma Sericaia…
-O Alentejo não é assim tão longe…
-200 Quilómetros?!
-Ela veio porque quis!
-Os teus desejos são incríveis. Já da outra vez andei por Lisboa à procura de uma Francesinha!
-E estava óptima!
-Sim, mas não tiveste que correr Lisboa inteira!
-E tu também não! Ligas-te ao Nuno e ele disse-te onde havia uma casa.
-Não foi bem assim! Eu só me lembrei que o Nuno era do Norte meia hora depois de andar feito parvo por Lisboa!
-Amor, menos, agora posso-te contar o meu desejo?
-Sim.
-Quero um beijinho!
-Um beijinho?
-Sim!
-Não dou desses.
-Então?
-Só dou beijos e dos grandes!
-Aceito então! – David agarra em mim com todo o cuidado do mundo, ultimamente era assim que me tratava, como um boneco de porcelana. As suas mãos na minha face e dava-me um beijo com todo o carinho do mundo. Ouvíamos o telemóvel.
-Impressionante como interrompem sempre.
-É o teu?
-Achas que é o meu David?
-Pronto, vou procurar o meu telemóvel. – David foi-se embora e ficou a falar ao telemóvel. Continuei a arrumar as coisas, biberões, chupetas, babetes, babygrows e outras coisas para bebés. – Nem sabes quem me acabou de telefonar!
-Quem?
-O Kaká.
-A sério?
-Porquê?
-A desejar as felicidades pelo bebé e que tudo corresse bem.
-Quem bom amor, ele é muito simpático mesmo. Bastante parecido contigo, a sua maneira de ser…
-Sim, ele é como um ídolo para mim, um modelo a seguir!
-É um óptimo modelo. Ainda bem que te ligou.
-Já está mais animada?
-Sim, mais… É tanta coisa…
-Eu sei. Precisamos de uma casa maior.
-Depois vê-mos isso quando mudares de clube.
-E se eu não quiser mudar de clube?
-David, eu sei que tens um grande amor ao Benfica, como eu, para além de jogador és adepto. Mas agora é diferente, um dia podes voltar mas no Benfica não poderás chegar às finais da Champions como no Barcelona consegues. Não porque o Benfica seja um clube inferior, porque não é, talvez até é maior do que o Barça, a nossa história é linda, mas eles tem dinheiro, como outros clubes têm e o futebol agora resume-se a isso mesmo, a quem tem mais dinheiro. Talvez um dia possas voltar ao Benfica mas por agora tens que seguir os teus sonhos, ganhar as grandes taças europeias e talvez alguns prémios individuais. Era óptimo que conseguisses ganhar no Benfica mas é algo difícil de alcançar….
-Eu entendo, mas como você disse à uns tempos atrás, o bebé para crescer precisa de estar num sitio e não sempre a mudar.
-Ele nos primeiros anos nem vai dar por isso, o que é preciso é termos cuidado quando ele fizer seis anos e for para a escola, quero que seja numa portuguesa.
-Nessa altura, julgo que já estamos cá em Portugal. Gostava de fazer o mesmo que o Rui Costa. Voltar um dia cá. Tenho que agradecer ao Benfica tudo, ao jogador que me transformou, à mulher que me deu, ao filho que vai nascer. Tenho que agradecer tudo.
-Eu sei, Deus sabe o quanto tu estás agradecido e ninguém pode dizer o contrário.
-Eu sei. Mas preciso de agradecer.
-E achas que ficar aqui mais um ano não é? Recusares óptimas propostas de outros clubes… Continuares a dar tudo por este clube… Isso sim, é demonstrares que estás agradecido por tudo…
-Você torna tudo mais claro, nada que eu possa fazer vai demonstrar o quanto eu estou agradecido por ter você a meu lado.
-E como achas que eu estou? Nunca pensei que ao fim de alguns meses iria estar noiva e grávida e com o melhor homem do mundo a meu lado. Não há palavras para descrever isto, foi quase como um milagre. Agradeço a Deus por ter-te posto no meu caminho.
-Eu também – David acaricia Catarina e dá-lhe um beijo, rápido. Interrompe o momento – Desculpa amor, tenho de ir para o treino.
-Então vai meu bem. 

 David dá outro beijo e vai buscar a mala dele e sai de casa. Fiquei sozinha outra vez em casa. Havia papéis por todo o lado, coisas de bebés por todo o lado. Já chateava um pouco. Engraçado, é que numa data aproximada, quando nós nos íamos casar o bebé ia fazer 4 meses. Íamos casar no dia 11 de Junho. Estava tão próximo, já era dia dez de Maio, faltava pouco mais de um mês. Agora, o nervosismo entrava em serviço, sentia-me mais nervosa a cada dia que passava. Jonathan ligava-me todos os dias com novidades, ora era do Bolo, ou da cor das toalhas ou então do centro de mesa das mesas dos convidados. As revistas apelidavam-me de “a mamã do ano”. Impressionante, a barriga tinha crescido pouco mas já falavam sobre eu ser a mamã do ano. O casamento estava quase pronto, o David já tinha escolhido o fato e continuava a não me dizer o que era, e as minhas madrinhas iam de igual. Sim, eu continuava a chamar de madrinhas, embora nos casamentos por civil chamassem “as testemunhas”. Até parecem que vão presenciar um crime. Apenas uma ia assinar o papel mas não me importava, isso ficava para elas decidirem e ao que parece, já tinham decidido, a Lúcia ia assinar. Da parte do David, o Gustavo e o Ruben iam ser os seus padrinhos, acho que o Gustavo ia assinar, ainda não tinha tido a certeza. Os últimos dois meses foram caóticos. Entre andar de um lado para o outro à procura dos sapatos perfeitos ou então a experimentar a comida que iam servir na festa. Uma grande confusão para uma pessoa que está grávida e que as suas mudanças de humor são constantes. Tínhamos comprado um pequeno armário para o bebé, para pôr as suas roupinhas, mas neste momento o bebé era capaz de ter mais roupa que eu e o David juntos. Os biberões já tinham ocupado a cozinha e os babetes as gavetas das toalhas. Parecia uma revolução histórica. Ainda faltavam seis meses para o bebé nascer, quantas mais coisas virão?

publicado por acordosteusolhos às 19:07

11
Set 10

-Estás linda!
-Eu, após 45 vestidos acho que este é o tal. YES! Logo no primeiro dia! Devo estar com sorte!
-Adoro, mas não me está um pouco pequeno? A barriga depois vai crescer….
-Não te preocupes, este é o modelo que eu tenho para noivas normais, depois quando faltar duas semanas para o casamento, experimentamos novamente e eu faço na tua medida. Vais ficar linda.
-Que achas? – Perguntava Jonathan
-Lindo… Não tenho palavras, é tão simples…
-Jonathan, estava a pensar pôr ela com o cabelo loiro e com uma faixa fina dourada, que achas?
-Ficava maravilhoso.
-Eu? Loira?! AH-AH! – Fez-se um silêncio na sala – vocês tão a falar a sério?
-Sim! E vai ser já hoje que vamos pintar esse cabelo! – Dizia o Jonathan meio irritado.
-Não! Eu, loira? Nem pensar!
-Sim, sim!
-O David não gosta de loiras. – Ficaram ambos a olhar para mim com uma cara estranha, de aborrecidos – Que foi?
-Hello!! Qual é o homem que não gosta de uma loira?
-Não interessa!
-Pois não! Vá, o meu cabeleireiro é já aqui ao lado. – Dizia Moniqué.

Salão de Beleza “Moniqué”.

-Ah, o salão é mesmo teu.
-Claro! A Moniqué não brinca em serviço. Querido Jonathan, peço imensa desculpas mas apenas mulheres são permitidas.
-Como assim?
-Tens um pénis, não podes entrar.
-Eu sou gay, por amor de Deus!
-Não interessa, o bicho continua lá pendurado.
-Como queiras. Vou dar uma volta e volto para ver como está isso. – Jonathan partiu, meio amuado, não queria acreditar que aquilo estava-lhe acontecer. Nem a ele, nem a mim.
-Muito bem, Carolina, vem cá.
-Sim madame.
-Vais tratar desta rapariga, eu vou escolher a cor. Não te preocupes querida, a Carolina é a nossa melhor cabeleireira.
-Obrigada madame, venha, vamos para o meu cantinho, então que cor vai ser?
-A Moniqué quer me pintar o cabelo de loiro! Loiro! Dá para acreditar?
-Sim, ela já quis pintar o meu de preto e eu pintei e adorei.
-Então, porque mudou?
-Depois quis pintar de castanho.
-Ah, pronto. Ela é que escolhe as cores?
-Sim, a Moniqué é muito boa na parte da moda, mas escolheu os vestidos de noiva, não sei porquê. Há quem diga que é por causa do seu casamento.
-Casamento?
-Sim, aquele que ela nunca teve. O Marido dela morreu duas semanas depois de ele pedir-lhe em casamento. Nunca mais se relacionou com ninguém e hoje já tem cinquenta anos!
-É este! Vamos pôr-te um louro dourado. Fica lindo com os teus olhos! Comecem meninas. – Quando dei por mim estavam mas três raparigas de roda de mim, Carolina no cabelo, Patrícia nas mãos e Amélia nas sobrancelhas. Durante três horas e meia estive sentada naquela cadeira, ora falávamos do meu casamento, ora do casamento de algum famoso. Nunca me deixaram sozinha, foi um dia doloroso mas no final…
-Estás pronta?
-Não sei.
-É bom que isso seja um sim! Porque, Tchanam!
-Ai! Eu não acredito! Estou loira!
-Isso nem é loiro! É um louro dourado escura, mas que te fica muito bem!
-Moniqué isto para mim é loiro. Mas, está bonito!
-Eu sabia que ias dizer isso, a Mónique nunca falha!
-Claro Moniqué, já devia de saber isso. Obrigada, muito Obrigada!
-De nada querida, eu depois digo ao Jonathan quando é preciso voltares para experimentar o vestido.
-Claro, obrigada!
Sai do salão e pus-me a caminho de casa, já tinha duas chamadas do David, já devia estar preocupado. Nunca me tinha imaginado loira, mas nem estava muito mau. Queria era ver a reacção do David.

Casa do David:

-Catarina onde foi todo o dia? AH!! Você está loira!
-Eu sei, que achas?
-Está bonita mas… Nunca te tinha imaginado loira…
-Tu não gostas!
-Não, nada disso… Pensava que você não gostava de cabelos loiros.
-Não é louro, é louro-dourado. É diferente…
-Está bem, você é linda de todas as maneiras. Mas assim, os seus olhos ainda brilham mais.
-Gostas mesmo?
-Adoro!
-Ainda bem… Já me estavas assustar…
-Não! Você está linda. Mas, onde esteve todo o dia?
-A tratar do casamento, nem estás a imaginar, vai ficar lindo! O Jonathan sabe mesmo o que quero e vai ficar maravilhoso! Nós até vamos ter uma ponte por cima da piscina!
-Bem… Isso é que vai ser um casamento!
-O Jonathan diz que vai ser o casamento mais bonito que ele alguma vez irá fazer!
-Espero bem que sim, quero que seja o casamento dos seus sonhos.
-O casamento dos meus sonhos não era assim. Era muito mais simples… Este supera todos os sonhos que já tive.
-Porquê?
-O noivo é perfeito.
-Quem é ele?
-Um rapaz chamado David.
-Ah, não estou vendo não.
-Não sejas assim. Ah, já escolhi o vestido.
-A sério?
-Sim.
-Como é?
-Lembras-te daquele vestido de sonho que te contei? O do corpete e que tem vários folhos e todo branco?
-Sim, lembro, você não parava de falar desse vestido.
-Pois, como vou estar grávida não o posso usar por isso, vai ser diferente. Mas é lindo na mesma.
-Se calhar é melhor adiar o casamento.
-Não! Agora já estou a pensar no casamento com o bebé.
-Ok, tudo bem.. Então e vamos de Lua de Mel para onde?
-Não sei, mas estou grávida…
-Sim, por isso estou perguntando a você, não faz sentido irmos para muito longe, tive a falar com a minha mãe e ela diz que é melhor não fazeres viagem de avião com o bebé.
-Então e a cerimónia no Brasil?
-Vamos ter que adiar, pelo menos até o natal.
-Não acredito… Então e se não posso andar de avião só nos resta o Algarve e eu não quero ir para aí. E eu posso andar de avião, não pode ser é muitas horas… Os médicos não aconselham…
-Sim, claro… Mas mesmo assim…
-Tenho uma ideia! Vamos à cidade do amor!
-Paris?
-Paris?! Que horror! Não! Veneza, já foste lá?
-Nunca, mas parece-me uma óptima ideia.
-Eu sei que é…
-Mas só com uma condição!
-Diz.
-Eu trato da Lua de Mel.
-Por mim!
David puxou-me para o sofá onde estava sentado e encostei-me a ele. Ele colocou as suas mãos em cima da minha barriga.
-Estou ansioso para que comece a crescer.
-E eu, quero ver como vai ser. Será que vai ter os caracóis do pai?
-Se tiver os olhos da mãe… - Virei-me para David e dêmos um beijo apaixonado, a vida corria bem, estava perfeita.

publicado por acordosteusolhos às 20:57

10
Set 10

C-Olá Jonathan!
-Olá Catarina! Bem, que linda. Vamos ver vestidos e vamos à Quinta!
-Jonathan, precisamos de falar.
-Ai, o que virá dai…
-Eu estou grávida.
-Grávida?! De quê? Como?
-Ó Jonathan, de um bebé, e como achas que foi?
-Ai, que pergunta parva! Mas, e agora? Vai adiar o casamento?
-Não, de maneira alguma. O casamento continua, em Junho, no inicio.
-Muito bem então, e de quantas semanas estás?
-4
-Ai! Então quando for o casamento vais estar de quatro meses!
-Sim, vai ser maravilhoso!
-Aii, está-me a dar uma coisinha.
-PorquÊ?
-Querida, as pessoas que me contratam não são assim. Só querem o casamento perfeito e só se preocupam com elas. Tu és diferente! Queres ter um casamento bonito e vais tê-lo mesmo com todas as dificuldades que te aparecem à frente. Se as minhas clientes tivessem grávidas havia duas opções, ou abortavam ou então adiavam o casamento.
-Abortar, nunca. Atitude imoral e para mim, monstruosa. Adiar o casamento? Eu amo o David e só de pensar que vou casar com ele e já com um filho dele, deixa-me a mulher mais feliz do mundo!
-Muito bem, então, hoje vamos ver o sitio.
-Ok.

Quinta da Bela Vista:

-Nem sabes, esta quinta é linda! Ainda não fiz nenhum casamento aqui, é muito complicado nesta quinta, pedem imenso dinheiro. Para além disso, pensava que nem se faziam casamentos aqui.
-Pois, o David é muito amigo de Nuno o casamento de Nuno foi aqui então eles conseguiram-me arranjar os contactos.
-Que belos contactos! Estava a pensar, neste jardim que tem vista para o Tejo fazíamos a cerimónia, púnhamos as cadeiras aqui– dizia o Jonathan enquanto corria que nem um doido no jardim – Pomos aqui a passadeira vermelha, aqui a mesa e depois aqui… Não! Tudo em branco!
-Hã?
-Sim, tu és muito branquinha e depois com um vestido branco e tudo em branco, o casamento vai ficar lindo! Rosas brancas, passadeira branca, cadeiras brancas. Vai ficar maravilhoso. Com algumas flores vermelhas. Estás a imaginar? – Dizia Jonathan enquanto me agarrava e punha o seu braço fazer gestos estranhos à minha frente.
-Sim, estou… O David não vem de branco pois não?
-Não! Ai que horror! Não gosto nada quando os noivos vão em branco! Por exemplo, eu vou em preto e o meu namorado vai em preto.
-Ah, então, homens nada de branco?
-Sim! A não ser a camisa.
-Muito bem.
-Vai haver muitas crianças?
-Sim, algumas.
-Quantas?
-Não sei, mas vai haver muitas.
-Então, é melhor tratar da animação, no outro jardim, que não tem piscina, pomos trampolins e palhaços e pinturas!
-Muito boa ideia, por acaso ia-te falar disso.
-E a festa vai ser deste lado, montamos um tenda branca, linda deste lado, com vista para a piscina, mas vamos ter sempre um segurança daquele lado para as crianças não se aproximarem muito da piscina.
-Estou adorar as tuas ideias! Espectaculares mesmo, quando me disseram que eras bom nunca pensei que fosses assim tão bom!
-Querida, eu não sou bom, eu sou o melhor!
-Ok, o melhor!
-E para as pessoas não darem a volta toda à tenda, podemos fazer uma ponte aqui! Sim, lindo! Deixa-me mostrar umas fotos. Vai ser assim, claro que depois vais ter as rosas vermelhas e a passadeira vai ser maior. Mas vai ficar lindo. Estou já imaginar tu a entrares na ponte e a vista para o mar e… Ai… - suspirava Jonathan – isto é capaz de ser o meu melhor casamento, a seguir ao meu claro.

 


 

 

 

-Aos quatro meses ainda vou poder andar de sapato alto?
-Não sei, mas o melhor é perguntar a alguém especializado no assunto quando formos!
-Ok.. Eu sou pequenina então queria utilizar uns grandes sapatos altos mas sendo o casamento no jardim e estando eu grávida, sem dúvida, sem saltos altos.
-E não há maneira de convencer-te do contrário?
-Não me parece.
-Como queiras. Agora a tenda, vai ficar deste lado e tu vais sair pela tenda, passar a ponte e entrar na passadeira. Lindo! Magnifico!
-Como assim? Já não entendo nada…
-Deixa-me eu fazer-te um desenho. – Jonathan fazia o desenho e continuava a explicar como iria ser. – Vai ser mais ou menos assim…

 

(para ver maior, carregar na foto)

 

-Lindo Jonathan! Nem sabes o quanto eu estou agradecida, vai ser lindo o casamento.
-Eu sei! E o melhor é que nem precisamos de pôr uma daquelas tendas foleiras para fazer sombra quando for a cerimónia de casamento, as árvores vão fazer sombra! Lindo!
-Estou adorar! Diz-me, como vai ser o catering, as fotografias e a música?
-Eu tenho o meu pessoal que vai comigo para todo o lado! Não é preciso estares preocupada. Uma coisa, não queres caviar nem aquelas comidas…
-Não! Nada disso. Coisas de casamento mas caviares e coisas que não prestam, não!
-Ah, ainda bem... No meu catering fazem sempre coisas tão boas e estão sempre a pedir caviar, é insuportável!
-Pois, eu sei… Então e onde vamos comer?
-Numa tenda.
-Não disseste que isso era foleiro?
-Mas estas não, estas são vindas da França, são grandes, majestosas, lindas!
-Ok, já não digo mais nada.
-Já que despachamos isto rápido, vamos ver do vestido?
-Sim, claro!

Na loja de vestidos favorita do Jonathan:

-Moniqué!
-Jonathan! – Boa, mais uma tia.
-Esta é a Catarina, ela vai casar e vai ter um dos casamentos mais lindos que já fiz.
-Que linda que é! – Dizia Moniqué com um sotaque francês.
-Moniqué com esta não vale a pena fazeres o sotaque.
-A sério? Ai que bom! Muito melhor, sempre que me trazes clientes é só tias. Olá querida, eu sou a Monique, vou ser eu que te vou ajudar a escolher o vestido de noiva. O que estavas  a pensar?
-Antes, estava a pensar num vestido longo, branco, com um corpete.
-Sim! Sim! Lindo! Estou a ver o que queres! Lindo!
-Agora… - Fiz uma pausa.
-Ela está grávida e não pode utilizar corpetes, pronto, está dito!
-Ó, que azar minha querida, e o que estavas a pensar utilizar agora?
-Não sei, um vestido clássico talvez.
-Não! Tenho uma ideia!
-E lá vamos nós. Vou mandar vir as pizzas – dizia Jonathan quando pegava no telemóvel. Percebi-me que a tarde ia ser longa.

publicado por acordosteusolhos às 20:17

-Olá! Eu sou o João mas toda a gente me chama de Jonathan!
-Olá Jonathan!
-Oi. – Jonathan era o organizador do casamento, já tinha organizado o casamento da Camila com o José e eu adorei o casamento deles então pedi ao David que fosse ele a organizar o casamento. Jonathan era o típico gay, uma pessoa super simpática, que se dava bem com toda a gente e toda a gente gostava dele. Ele adorava aquilo que fazia e andava a organizar o seu casamento, visto que há poucos meses foi aceite o casamento gay.
-Então, vamos lá ver, qual é o género de casamento que querem ter?
-Simples mas o casamento tradicional. Eu quero ir com um grande vestido branco.
-Quantas pessoas estavam a pensar convidar?
-75. Não queremos mais porque também vamos fazer uma pena cerimónia no Brasil então…
-Ah! Vão fazer o casamento em dois sítios? – David ainda estava em silencio, até agora só tinha dito o “Oi” que costuma dizer sempre.
-Sim, estávamos a pensar fazer isso. Casávamos aqui e lá também fazia mos uma cerimónia.
-Muito bem. Acho uma óptima ideia. E assinar os papéis, vai ser aqui, ou lá?
-Aqui. Lá será uma pequena cerimónia só para os amigos.
-Estou a ver. Então e lá, quem vai tratar?
-Será a minha mãe e a minha irmã. Elas já estão a tratar disso. Vão quase o mesmo numero de pessoas.
-Estou a ver, agora, o casamento vai ser em que igreja?
-Não vai ser em nenhuma igreja, eu sou católica e ele é evangélico então vamos fazer por civil.
-Ah.. Complicado, mas se já tomaram a decisão acho muito bem. E como vai ser?
-Eu estava a pensar fazermos a cerimónia na Quinta da Bela Vista em Almada, que acha?
-Muito bem! Muito bem, e estão a pensar casar quando?
-Eu gostava que fosse em Junho, no dia onze.
-Em Junho?
-Sim, o David começa a treinar em Julho e em Agosto começa a época por isso só pode mesmo ser em Junho ou em Dezembro e gostamos muito mais de Junho.
-Ah, pronto… Tão próximo… Então, temos que combinar um dia para escolher o vestido da noiva, claro que não será no próprio dia mas pronto, um dia para escolhermos à roupa do noivo, e depois um dia para vos mostrar o bolo, as cartas, como será a cerimónia….
-Isso é tudo com a Catarina, acredito no bom gosto dela!
-Sim e o David não tem muito tempo entre treinos e jogos, por isso, eu vou tratar do casamento e mas ele vai entrar como a sua opinião claro.
-Ok… Eu entendo. Então, sendo assim, amanhã houve uma rapariga que cancelou, podemos ir ver o sítio para eu ver mais ou menos como vai ser.
-Por mim, óptimo!
-Ok, então, amanhã às nove aqui.
-Obrigada!
-Obrigada eu, Adeus! – Dizia Jonathan enquanto me cumprimentava e dava um aperto de mão ao David. Saímos os dois agarrados. Já tinha passado cerca de um mês desde a confusão toda com a Luísa, essa que nunca mais tinha dado sinal de vida e gostava que nunca mais desse.
-Estou-me a sentir mal disposta outra vez.
-Queres ir ao médico?
-Não, deve ser alguma coisa que me caiu mal…
-Já há uma semana? Não, vamos ao médico.
-David, eu estou bem… Deve ser do período, sempre fui muito irregular mas não veio no mês passado e deve estar aparecer…
-Eu continuo achar que é melhor irmos ao médico.
-Não, se não passar até esta semana nós vamos. Agora, não.
-Está, combinado.
-Estou ansiosa pelo casamento!! Já imaginas-te? Vai ser tão lindo!
-Sim, eu também estou. Mas estou mais nervoso.
-Nervoso?
-Sim! Afinal, vai estar muita gente a ver e vai ser um compromisso para a vida!
-E achas que não consegues?
-O quê?
-Cumprir esse compromisso.
-Não, essa parte é a mais fácil mas já sabe como sou, reservado, tímido e à frente daquela gente toda vai ser complicado. Mas pronto, não interessa, o que interessa é que vou casar com você e vai ser o dia mais feliz da minha vida! Tem a certeza que quer fazer só por civil?
-David, eu sou católica, tu evangélico, ambos respeitamos as nossas religiões e mesmo que seja por civil vai ser um compromisso perante Deus, ele sabe isso, pode não ser na sua casa mas ele sabe o quanto nós agradecemos a Ele por estarmos juntos e felizes, por ter-nos colocado no mesmo caminho. Ele sabe disso e de certeza que respeita a nossa decisão. E se fosse por “mistura” ia ser complicado arranjar um padre e um pastor que quisessem fazer o casamento. É melhor assim, eu amo-te, tu amas-me, isso é que importa.
-É por isso que eu amo você – David dava-me um beijo, adorava quando fazia aquilo, os seus beijos repentinos, era perfeito.
-És perfeito demais, isto é mesmo realidade?
-É, e é muito bom não é?
-Sim, fomos abençoados por Deus.
-Acredito que sim.
-Ai, outra vez…
-Que foi?
-Estou-me a sentir mal.
-Ok! Não vamos esperar pelo fim da semana, vamos já! E nem vale a pena discutir!
Não valia a pena discutir com o David, quando era assim o melhor era esquecer. Nem que ele tivesse que me pegar ao colo e levar-me à força, íamos ao hospital. Fomos ao Hospital da Luz, aquele hospital trazia-me más recordações e algumas das enfermeiras ainda se lembravam de toda a cena, dos meus gritos com o David, de sair agarrada ao Ricardo e de ver a tristeza do David, quer fosse fora do quarto ou dentro do quarto quando eu ainda estava a dormir. Fomos chamados logo de seguida, nos hospitais privados são assim. Ainda me lembro quando era nos públicos, em que esperávamos uma hora com o hospital vazio e os médicos receitavam-nos ben-u-ron ou então brufen. Ou então, quando tínhamos uma dor no corpo e eles mandavam-nos fazer uma radiografia e nem queriam saber onde era o sitio da dor. O médico chama-se Francisco Almeida, já era velho, cinquenta anos mas muito animado e simpático. Pedi ao David para ficar na sala de espera, se fosse algo grave queria enfrentar sozinha.
-Então Catarina, que se passa?
-Vim obrigada pelo meu namorado, eu estou óptima mas ele diz que era melhor vir.
-Então porquê?
-Sinto-me com dores de barriga, já cheguei a vomitar por três vezes mas acho que é do período sabe? Eu sempre fui muito irregular, os médicos dizem que em alguns casos demora anos a ficar regular mas pronto, sempre fui assim, e agora como deve estar a vir…
-Pois, sim é verdade, mas temos que fazer alguns exames. Vai ali ao centro de analises tirar sangue, é já na sala ao lado. E depois eu digo-lhe.
-Ok. Obrigada.
-De nada. – Odiava tirar sangue mas tinha que ser, se o médico mandava… Fui e a enfermeira tirou-me o sangue. É impressionante as diferenças entre o público e o privado. No privado as enfermeiras estão tão em baixo que até a tirar sangue têm que espetar duas ou três vezes para acertar no vaso. Aqui, porque ganham mais e têm melhor condições, acertam uma vez e nem dói nada.
-Daqui a dez minutos temos os resultados.
-Tão rápido?
-Sim. Depois vai alguém chama-la.
-Obrigada.
-De nada.
Sai da sala e fui para a sala de espera ter com o David.
-Então?
-Então, vamos ter que esperar mais uns minutinhos. Tive a fazer analises e a enfermeira diz que são mais dez minutos. De certeza que não tenho nada.
-Sim, mas vamos esperar. E se for, algo grave?
-Ai David! Deus queira que não! De certeza que não é nada, mas se for vamos passar isso.
-Espero bem que não. – Vi uma senhora a passar com um chocolate, snickers. Senti o meu estômago a roncar, mas tinha comido à coisa de duas horas e muito. Não era normal. Sentia o meu corpo a querer um chocolate, o que me irritava bastante, mas eu queria!
-David, vai-me comprar um chocolate, snickers. Se não houver não tragas nada.
-Ok. Mas, está assim com tanta vontade desse chocolate?
-Sim! Muita vontade!
-Ok, vou já! Rapidinho!!
David foi, apressado e voltou com o chocolate. Comi-o em dois minutos. A cada dentada fazia uma ar de satisfação.
-Porra moça! Você estava mesmo desejosa pelo chocolate.
-Nem sabes quanto!
-Não acho isso normal.
-Sabes, já não comia este gelados à imenso tempo e quando vi passarem, quis um! É normal…
-Não, não é… Dessa maneira não é…
-É sim! Quando se gosta…
“Catarina Silva chamada à sala 7”
-Sou eu! Volto já!
-Deixa-me ir contigo.
-Não quero. Posso ir sozinha?
-Sim. Mas qualquer coisa é para dizer!
-Claro… - Fui andando para a sala, era logo das primeiras e quando entrei o doutor lá estava, com um ar sério e nada sorridente como costumava ter.
-Sente-se – sentei-me logo na cadeira – Catarina, o melhor é chamar o David, o assunto é sério.
-Diga…
-Chame o David.
-Está bem… - Sai da sala e fui buscar o David – o doutor quer que estejas comigo.
-Porquê?
-Não sei, mas não gostei da cara dele. – David agarrou-me na mão e deu-me um abraço.
-Vai correr tudo bem.
-Eu sei que sim.
Fomos os dois agarrados até à sala, tinha medo do que o médico poderia vir a dizer, não queria que o David soubesse, podia ficar nervoso e não jogar como sempre jogava no Benfica. Ele dizia-me sempre isso, se eu não estivesse bem, ele não estava. Entramos dentro da sala e o médico continuou com a cara séria.
-Sentem-se.
-O assunto é grave doutor? – dizia David.
-É, a Catarina… - fez uma longa pausa, David agarrava-me na mão e eu continuava quieta a olhar para os papéis que o doutor tinha em cima da mesa – Está grávida! De 4 semanas!
-Hã!?
-Eu vou ser pai?
-Hã?!
-Sim David, tu vais ser pai!
-Eu vou ser pai!
-Hã?!
-Catarina, está tudo bem? – Perguntava-me David, com um sorriso enorme na cara, encanto eu estava boquiaberta com que tinha acabado de ouvir.
-Eu vou ter um bebé?
-Sim, exactamente.
-Não! Não! Não! Não! Eu não quero! Isto não pode estar-me acontecer não pode!!
-Como assim, Catarina o que se passa?
-Doutor podemo-nos ir embora?
-Sim, claro. Felicidades – Agarrei na mão do David e fomos embora, sentei-me na sala de espera enquanto ele pagava a consulta.
-Já está. Pode-me explicar o que foi aquilo ali dentro?
-Eu não quero ser mãe agora! Não posso. Eu não tenho maturidade para isso, eu quero ir ao Sudoeste, ao Avante, ao Optimus Alive. Com um filho, como vai ser? Eu sei, é uma atitude parva, mas é a verdade! Eu estou acabar o meu curso e nós nem sequer casamos! Nem temos casa para o bebé. Melhor! Nem sabemos como vai ser para o ano.
-Amor, Deus dê-nos essa bênção foi porque nós já estamos preparados para isso.
-Não sei David, não sei. Preciso de ir para casa, dormir. E desde quando é que não usas preservativo?
-Desde que você usa pílula.
-Eu não uso pílula.
-Como assim?
-Não uso! Comprei a caixa mas aquilo diz que umas das consequências é engordar e não tomo!
-E queria que eu fosse quê? Vidente?
-Não! Que usasses preservativo! – Esta saiu demasiado alto e metade do hospital ficou olhar, as enfermeiras riam-se e os meninos pequeninos que lá estava faziam uma cara curiosa, do género “o que é um preservativo?”.
-Um pouquinha mais baixo não?
-Devia-te dar tanta porrada David Luiz!
-Dás lá em casa porque agora dá-me um beijo porque nós vamos ser pais de um menino lindo.
-Menina.
-Menino lindo. E eu vou ensinar ele a jogar futebol.
-Vai ser menina.
-E vai ser um grande defesa central do Benfica.
-Menina!  
-Está bem. – David dá um beijo em Catarina, bastante apaixonado, Catarina aí percebeu que David queria aquela criança e muito, e não havia nada a fazer.
-Eu vou parecer uma bola dentro do vestido de casamento.
-Vai ser lindo, vai ser o casamento mais lindo do mundo, com a mamãe mais linda do mundo.
-Que chatice! Desculpa a minha reacção, eu não estava à espera.
-Eu compreendo, você é muito nova e está insegura.
-E tu, como estás?
-Estou feliz, sabe, eu adoro crianças e ter um nosso é um sonho, lindo mesmo.
-Eu está bem estou ansiosa, tenho que dizer não é, é o nosso filho! Mas não esperava que fosse agora, talvez daqui a cinco ou sete anos.
-Tanto tempo!
-Não é muito… Afinal, vais passar cinquenta anos comigo ou não?
-Não, quero passar muito mais!

publicado por acordosteusolhos às 14:06

“Voo para Madrid com uma hora de atraso. Chegada prevista para as duas da manhã.”
Tinha aterrado em Portugal. Queria ir ter com o David. Era já uma da manha de sexta-feira, não fazia a mínima ideia se o David ia ter jogo Sábado ou Domingo mas não me importava. Sai do aeroporto carregada com a minha mala que nem era de trolley mas sim daquelas com alças. Tinha levado tanta roupa para tão pouco tempo! Nem devia ter ido e agora culpava-me por isso tudo. Chamei um táxi, queria chegar depressa a casa. Apanhei logo o primeiro que me apareceu. Estava tão feliz que contei tudo ao senhor do táxi, o senhor por sua vez deve ter apanhado o susto da sua vida. Ele olhava para mim com os olhos arregalados, falava tão depressa que nem os espanhóis conseguiam bater-me.
-Já chegamos! Que bom! – Dizia o taxista.
-Desculpe lá. Quanto é?
-Dez euros e cinquenta cêntimos.
-Mas aqui só marca sete euros.
-Os outros três é por causa da dor de cabeça que vou ter de amanhã por causa de você.
-Ok, tome lá.
O taxista, mal eu sai do carro foi-se logo embora, talvez me tenha entusiasmado um pouco. Cheguei à porta e lembrei-me que não tinha chaves, tinha deixado na casa do Ricardo. Não podia tocar à campainha assim perdia a piada. Toquei à campainha mas do prédio do Paulo e do Edu. Toquei uma vez, nada. Duas vezes, nada. Toquei cinco vezes seguidas e ouvi o estore a subir.
-Quem é? – Perguntava Paulo com os olhos ainda meio fechados.
-Paulo! Abre a porta!
-Que estás a fazer? Não tinhas ido a Londres?
-É! Já voltei. Fui uma parva, estúpida e idiota! Preciso de me redimir. Abres a porta?
-Claro… Quando for o casamento quero um lugar muito bom ouviste? Na mesa das solteiras boas!
-O que tu quiseres! Boa noite! – A porta abriu-se e eu entrei. Estava desejosa de ver o David, de o abraçar, de sentir os seus lábios a tocarem nos meus. Era o que mais queria. Toquei no elevador mas ele nunca mais vinha. As portas abriram-se e eu entrei de rompante, tão de rompante que o espelho do elevador ia-se partindo.  Toquei para o 5º piso e sai, olhei para a porta do David que tinha um pequeno vidro. Estava tudo escuro, David já estava a dormir. Toquei à campainha, ninguém veio. Homens, são sempre a mesma coisa, quando estão a dormir, nem um terramoto os acorda. Toquei várias vezes e só ao fim de cinco toques vejo uma sombra a vir à porta e abri-la.
-Mas quem é que vem a estas horas… Catarina! – Saltei para seus braços a chorar que nem uma miúda parva.
-Desculpa! Desculpa! Eu não devia ter fugido. Tu és a minha vida. Eu sou tão parva. O que fui fazer. Perdoas-me? Por favor David. Eu sou tão parva.
-É claro que sim! Eu nem tenho razão para estar chateado com você. Entra. – Entrei ainda agarrada a ele. Estava ainda a chorar, não sabia bem porquê, mas devia de ser da alegria.
-O que está aqui a fazer? E porque cheira a tabaco?
-Porque sou uma rapariga estúpida e idiota e decidi fugir e ir pelo caminho mais fácil. Sou uma cobarde. Desculpa…
-Desculpa? Eu é que fiz você sofrer…
-Não! Tu não tiveste culpa, eu é que não te quis ouvir e depois agi como uma criança. Para além disso, eu nem quero imaginar o que tinha acontecido se eu me tivesse mandado… Tu sabes… Eu fui tão parva!
-Tu sabes que se tivesses morrido eu não sei o que me acontecia. O mais provável era ir ter contigo. Não consigo viver sem ti. Nem sabes como passei estes últimos dias.
-Desculpa. Não devia… Por favor, vamos esquecer isto tudo?
-Esquecer não, mas utilizar como uma lição.
-Como queiras, só quero estar contigo. – Catarina aproxima-se de David, ele põe a mão na minha face e olha-me nos olhos. Agora, ao contrário do que acontecia à uns meses atrás, já não olhava para baixo mas olhava nos olhos de David. Dê-mos um beijo longo, para matar todas as saudades que existiam.
-Só te quero aqui, a meu lado.
-Eu vou estar sempre aqui, prometo.
-Não quero estragar o momento mas já é tarde e amanhã tenho treino cedinho.
-Ok, vamo-nos deitar. 
David, deitou-se a meu lado, encostei a minha cabeça ao peito dele como fazia sempre. Mais nenhum obstáculo que aparecesse à minha frente ia-me fazer separar do David.

publicado por acordosteusolhos às 02:51

09
Set 10

David só me conseguiu arranjar bilhete para a Quarta da semana seguinte, e eu já estava a caminho. O meu pai não reagiu muito bem mas quando ele disse que melhorava  a minha nota de final de curso, concordou. A minha mãe disse que era uma boa experiência. Ela ainda não sabia o que David me tinha feito. Ninguém sabia, a não ser o meu núcleo de amigos mais próximos. O David acompanhou-me até ao aeroporto, cheguei a conclusão que eu e ele sentíamos a mesma coisa e a despedida foi dolorosa, nunca pensei que fosse assim. Na despedida, dei a minha parte fraca, beijei-o e disse que o amava. Larguei a mão dele e chorei. Mas não interessa, agora era em Amesterdão que me devia concentrar. Sai da zona de chegadas e Effy estava à minha espera.
-Oh my God! You look like shit! What’s wrong with you?
-Stuff... Can we go?
-Yeah! The guys are waiting for you! And we have some shits for you.
-What?
-You know me.
-Effy, I leaves all that.
-You are in Amesterdam and with me. What were you waiting for?
-Ok, we talk about that later. Where do we go?
-Camping to a park. Gobblers End do you know?
-Not really.
-You will love.
-I hope so.
-Cigarette? – Era isto que não gostava na malta que conhecia em Amesterdão, eram todos assim mas já sabia o que se ia passer.
-No, thanks.
-Are you sure?
-Yeah.
-Are you the Cat I met two years ago?
-No, I’m different.
-So... Take it. I want my Cat back, not this little piece of hell.
-Ok... – Agarrei no cigarro e fumei. A semana ia ser longa. E de certeza que não me ia lembrar de metade do que iria fazer. – I just need one favour from you?
-What?
-I don't want to involve with anyone.
-Ok... And, if Joshua...
-I’m fucking! – Effy olhava para a minha mão.
-Oh my fucking God! Are you engaged?
-I think so.
-He betrayed you?
-No, but a girl is trying to separate us.
-And you?
-I run way?
-Are fucking stupid?
-I need to think. Let’s go. I want to have fun.

Chegamos ao acampamento uma hora depois, lá estava o Joshua um rapaz com quem eu já tinha tido um relacionamento, não passava de um idiota. Hannah e Tom estavam lá também, eram simpáticos mas ambos doidos. A tarde foi só de conversa, estranhei a Effy não estar lá mas também não me importava, devia estar a fazer qualquer coisa, nada boa.
-Cat, what happened to your hair?
-Why?
-Is different.
-This is my colour.
-But, I like more the blond.  
-Me too. I miss this live.
-Hi, Hi, Hi!! I have magic mushrooms!
-Oh! Cool!
-I can’t.
-Why?
-‘Cause I’m changed!
-Cat, What happens in Amesterdam stays in Amesterdam. – Cada vez que vinha a Amesterdão era assim. Era uma miúda ainda quando o meu primo me apresentou a Effy e depois cada vez que vinha metia-me nestas coisas. Cogumelos, drogas e cigarros. Não era algo que tinha orgulho mas só vinha a Amesterdão quando estava mal.
-Ok…
Comi apenas um, não queria confusões. Joshua estava já doido, já sabia o que vinha a seguir.
-Hi Cat.
-Bye Joshua.
-Come on! Do you miss me?
-No. – Joshua começava agarrar-me e a puxar-me para seu lado.
-Just a little. It'll be fun!
-No! – Sai dali e fui dormir para tenda. Sentia-me tonta. Talvez o melhor era sair amanhã e ir para a casa do meu tio.
                                                                            *
-Effy, let’s go. – Tinha convencido a Effy a vir comigo. Ficou desiludida mas acho que já tinha entendido que eu tinha mudado.
-Ok! Goodbye guys! Kisses!
-Goodbye Cat!
-Goodbye!
-We go to the city?
-Yes! To my uncle’s house!
-Ok. Party?
-No party!
- Boring!!
-I just want
-I just want to be calm, think what I’m going to do.
-About what?
-David.
-Cat, do you want my advice?
-Yes.
- Go to Portugal! If you love him why are you doing this? You may be losing your big love. – Effy embora doida sabia o que era o amor. O seu grande amor tinha morrido à dois anos. Nunca mais foi uma rapariga “normal”. Meteu-se em drogas e passou a ser doida, mas no fundo no fundo não deixou de ser a mesma pessoa.
-Do you think?
-Yeah!! Come on! Let’s go to the airport! – Effy parava o carro na estrada e mudava o sentido. Ouvíamos buzinas por todo o lado. Ela tinha razão. Não podia deixar escapar o meu grande amor, o meu verdadeiro e único amor! Chegamos ao aeroporto e fomos directas à procura de bilhetes. Não importava em qual era a agência. Eu só queria ir. Nem queria acreditar no erro que cometi, fugir é sempre pior, nem o devia ter feito.
-Yes, we have. The cheapest ticket costs 400 euros.
-Ok! Perfect. – Dei o meu cartão e esperei pelo bilhete.
-The flight is at nine o'clock.
-Thank you! – Era ainda seis horas. Dava tempo para falar com Effy.
-Thanks Effy. Without you, maybe I had not noticed. I love him, a lot. Why am I here? What am I doing here? I’m so stupid.
-No, you are just new. If I have Jonh here I would always be with him. Don’t ruin your relationship.
-Thank you! Thank you! You are right. I’m sorry – Effy chorava, embora já tivesse passado dois anos ela não esquecia Jonh. Perguntava-me o que aconteceria a David se eu me tivesse matado. Fui injusta, não pensei nele. Ele é que importa.
- You don’t need to apologize. Go away. He is waiting for you!
-Thanks – Dava-lhe um beijo e agarrava na minha mala para ir fazer o Check-in. Estava ansiosa para chegar a Portugal. Aprendi uma lição valiosa, nada me ia afastar do David.

 

 

(Se repararem em algum erro, digam :D)

 

Passo a explicar o erro de Londres-Amesterdão. No inicio tinha posto Londres mas como numa fan fic estava Londres também decidi alterar. Pensei que já tinha alterado tudo mas ainda ficou algumas partes a dizer Londres. Nem sequer alterei o nome do parque, não me apeteceu. Eles falam inglês porque a Catarina vai estar todo o tempo com amigos ingleses em Amesterdão.

publicado por acordosteusolhos às 22:17

Acordei, sentia-me melhor mas apenas da cabeça. Impressionante como é mentira a história do “com o tempo passa”. Com o tempo a passar, a dor tornava-se pior. Perguntava-me se alguma vez ia passar. Olhei para o relógio, seis da manhã. Tinha dormido um dia inteiro, não queria acreditar. A dor na cabeça tinha passado mas o médico disse que tinha que estar uma semana de repouso. Tinha um bilhete ao lado, era do Ricardo. “Catarina, serve-te à vontade. A casa é tua. Não sei a que horas vais acordar mas espero que fiques bem. O teu telemóvel esta ao teu lado a carregar. O David veio entregar. Fala com ele.”. Parte de mim queria correr para os braços de David, queria sentir-me segura outra vez ao seu lado. Mas outra parte sentia-se destroçada, incapaz de olhar para a cara dele. Levantei-me e fui à cozinha. Estava esfomeada. Fui até ao frigorifico à procura de algo comestível, quando na porta vejo um recado, com a letra do David. “Ontem à noite trouxe para você um croissant de chocolate, daqueles que você gosta. O Ricardo disse que ia guardar no mesmo sitio onde ele guarda o pão. As melhoras. Beijo. Te amo.”. Agarrei no papel e pressionei contra o peito, sentia falta dele, de acordar perto dele. Procurei o croissant, estava lá, no sítio onde o Ricardo guarda o pão, escondido no meio das bolachas de chocolate. Aqueci o croissant e fui comer para a sala. Quando liguei a televisão ainda estava a dar a televendas. Entre máquinas que fazem a comida sozinha e máquinas que nos emagrecem por estarem a tremer na barriga, lembrei-me da universidade. Ia faltar toda a semana e estas aulas iam ser importantes. Mas não me importei, continuei a comer o meu croissant, agora não me importava nada no mundo. Sentia um vazio enorme dentro de mim. Precisava de sair dali. Para um sítio onde ninguém me conhecesse, lembrei-me em mudar para o Porto mas não suportava os portistas, a hipótese Porto foi logo excluída. A seguir lembrei-me do Algarve. Tinha casa em Portimão, era perfeito. Como não me tinha lembrado disso antes. Agora era só avisar o meu pai que precisava das chaves de casa porque precisava de tempo para pensar. Porquê? Porque o meu noivo me traiu e eu ia-me suicidando. Ó sim, lindo. Era a ocasião perfeita para o meu pai ir experimentar a nova caçadeira a Lisboa. Opção Algarve também excluída, tinha uma amiga minha a morar em Espanha mas não gosto de Espanha, ainda por cima em Madrid, uma cidade no meio do nada. Também não resultava para mim. O meu tio, trabalhou em Londres e teve que comprar uma casa lá, como ele não era da parte Paterna da família não iria haver problema com caçadeiras nem com nada parecido. Londres era o meu destino, só faltava ir buscar algumas roupas à casa do David, deixar passar esta semana e dizer a todos que ia para Amesterdão fazer um trabalho da universidade e precisava das chaves de casa de Amesterdão para não gastar muito dinheiro. Era perfeito. Conhecia algumas pessoas lá e já lá tinha ido. Deixei-me dormir mais um bocado e só acordei às dez horas. Não sabia como conseguia dormir tanto, era incrível. Acordei com outro recado na mesinha da sala. “Catarina fui trabalhar, volto pelas dezoito horas para irmos ao médico. As melhoras”. Tinha que ir tomar um banho, já à três dias que não via o chuveiro não podia molhar a cabeça por ordens do médico. Um bocado chato, o meu cabelo já não estava nas melhores condições mas com um elástico e gorro aquilo resolvia-se. Depois do banho e de um bocado de descontracção na cama, ou seja, dormir resolvi ir fazer alguma coisa para comer, havia duas opções, ou fazia atum, com um ovo que havia e feijão-frade ou então atum com um ovo que havia e feijão-frade. Escolhi a primeira, embora a segunda também fosse uma óptima opção, muito diferente da primeira. A casa do Ricardo era mesmo assim, a tradicional casa do solteirão. Não há comida, no frigorífico as prateleiras são ocupadas por cerveja e há amendoins, doces, bolachas, por todos os armários da cozinha. Já para não falar que no congelador temos para além de dez pizzas, dez pacotes de lasanha e outras coisas pré-congeladas. Quando ia abrir a lata de atum a campainha toca. Já sabia que era uma visita, a Lúcia talvez. Fui até à porta e abri.
-Oi.
-Olá.
-Posso entrar?
-Sim. – David era quem estava na porta. Na verdade era para lhe dizer “Não, desaparece da minha vida” mas olhei para ele, as olheiras eram enormes e mesmo que eu quisesse dizer isso, naquelas situações o cérebro não mandava, mas sim o coração e eu amava aquele homem. Não podia dizer que não. Sai da porta e fui para  cozinha outra vez, ele fechou a porta e veio atrás. Voltei a tentar abrir a lata de atum.
-Não é preciso. Eu trouxe comida para você. É bacalhau com natas. A vizinha do café fez e eu fui lá comprar. – David tira uma grande embalagem de comida.
-Obrigada. – Arrumei a lata e tirei dois pratos, pelo tamanho da embalagem de comida ele também ia comer. David olhou para os pratos e ajudou-me a colocar a mesa.
-Se quiser eu vou-me embora.
-Não. Acho que precisamos de falar não é? – David sorri e acena que sim. Sentamo-nos os dois à mesa e servimo-nos. Dei uma garfada, estava delicioso. – Está muito bom. Agradece à vizinha.
-Eu antes ia lá comprar a comida. É sempre muito boa. Não tão boa como a sua. – Não liguei minimamente ao que ele disse e continuei a comer. – Podemos falar?
-Pensava que já estávamos.
-Não sejas assim. – Odiava quando o David me dizia isso. – Eu quero explicar a você o que se passou.
-Conta. – Não parei de comer, não queria ouvir mas era impossível não ouvir a voz a David, tão suave e doce.
-A Luísa entrou lá em casa com um cartão. Ontem o Ruben tentou fazer e resultou. Se a porta não tiver trancada é fácil de abrir. Ela fez isso e eu já estava a dormir. Você sabe como eu durmo ferrado. Ela pôs-se na cama e depois o resto da história você já sabe.
-Porque é que não vieste atrás de mim?
-Eu fui, mas estava chovendo e eu estava de boxers, brancos… Não podia sair de casa. Eu fui até à porta mas estava descalço e todo nu. Eu queria…Eu juro que queria.
-Vou para Amesterdão.
-Hã?!
-Vou para Amesterdão, preciso de descansar e não sei quando volto. Vou no final da semana.
-O que vai para lá fazer?
-Preciso de sair daqui, sair de Portugal. Preciso de pensar.
-E fugir é a melhor maneira?!
-Para mim é, não tens a mínima noção como me sinto.
-Você é assim? Só pensa em você? Como acha que eu estou?
-A minha dor é diferente da tua.
-Diferente?!
-David, eu preciso de tempo. Tenho que pensar bem. Tenho que ter a certeza que é isto que quero para a minha vida.
-Você disse que não ia desistir.
-Não estou a desistir.
-A mim parece-me.
-David, eu amo-te. Achas que eu vou desistir? Sinto-me magoada, apenas isso. Preciso de algum tempo.
-E não pode ser aqui?
-David! Por favor! Compreende-me! Não quero!
-Não entendo… Está a desistir. Fica em casa do Ricardo. Não é preciso ir para lado nenhum.
-Ok, eu vou uma semana para Amesterdão ok? Uma semana apenas.
-Está a desistir.
-Só preciso de sair! Mais nada! Não compreendes? Ai… - Deu-me uma dor de cabeça enorme.
-Que foi? Está bem?
-Por favor, compreende-me, preciso de ir uns dias. Sair daqui. É uma atitude cobarde, mas preciso. Por favor…
-Está bem.. Mas você vai fazer o quê lá?
-Não sei bem. O futuro dirá.
-Não quer levar ninguém com você?
-Eu fico bem. Eu tenho uma amiga inglesa, ela mudou-se para Amesterdão à pouco tempo. Ela vai-me ajudar.
-Já estiveste lá?
-Em Amesterdão? Por duas vezes. Não te preocupes. Eu fico bem.
-Já compras-te o bilhete de avião.
-Amanhã vou tratar disso.
-Deixa-me ser eu a tratar então.
-Não quero nada disso. Eu vou pagar.
-Com que dinheiro que resta na minha conta.
-Isso é quanto? 100 euros?
-A Benfica TV ainda me rendeu 700 euros.
-Ok, mas depois comes o quê lá? Eu pago-te o bilhete e reservo-te já o de volta. Quero-te aqui.
-Está bem. Como queiras. Obrigada….
-Só te quero ao meu lado.

publicado por acordosteusolhos às 19:50

08
Set 10

Abri os olhos lentamente, o cheiro era inconfundível. Estava num hospital. A meu lado, David dormir agarrado à minha mão. Tentei procurar alguma coisa que me dissesse as horas e olhei para o relógio do David. Oito horas e doze minutos. Doía-me a cabeça imenso e ouvi um barulho. Uma enfermeira entrou no quarto.
-Bom dia. Sente-se bem?
-Onde estou?
-O seu noivo – mais uma vez custou-me ouvir aquela palavra. – trouxe-a aqui. Vou chamar um médico. Ele vai explicar tudo a ti.
-Ok… Obrigada.
-De nada. – Ao fim de cinco minutos chega um médico. Velho, muito velho mas com cara de quem sabia de tudo e mais alguma coisa.
-Bom dia. Como está?
-Dói-me muito a cabeça mas tirando isso estou bem. Onde estou?
-Está no hospital da Luz.
-O que me aconteceu?
-Teve um traumatismo craniano. O seu namorado, perdão, noivo pediu para você vir para este hospital e receber os melhores cuidados.
-Um exagerado.
-Também digo isso. Tem muita sorte Catarina.
-Obrigada.
-Vou deixar você descansar. Hoje à tarde terá alta.
-Obrigada.
A cabeça continuava a não dar tréguas e sentia-me muito tonta. Dormir seria o melhor a fazer. Virei-me para o lado oposto onde o David estava mas não conseguia. Ele tinha-me salvo de fazer a maior estupidez da minha vida. Virei-me para onde ele estava e fiquei quase cara a cara com ele. Tinha o lábio inchado e em redor um pouco negro. Sentia-me assustada, quem teria feito aquilo a David. Mas mesmo assim, não deixava de ser o sujeito mais lindo do mundo. Deixei-me levar por aquilo que sentia pelo David e dei-lhe carícias na face. David era perfeito, demais para mim. Por isso mesmo, era bom demais para mim. Não consegui conter as lágrimas que me caiam, não conseguia parar. A enfermeira pedia para entrar, com uma bandeja de comida na mão.
-Sim, muito obrigada – A bandeja tinha uma sandes de fiambre e um compal de pêssego mais uma maçã verde.
-De nada. O seu namorado esteve aqui toda a noite. E você só chegou ao Hospital às quatro da manhã. Ele estava desesperado.
-Pois, eu também…
-Bem, vou entregar o resto dos pequenos-almoços. Quer mais alguma coisa?
-Não, muito obrigada.
A enfermeira saiu e fiquei sozinha com o David outra vez. Ele tinha os braços na cama e com a cabeça deitada nos braços. Ia acordar cheio de dores nas costas, se até quando se deixava dormir no sofá acordava com dores nas costas então nem queria ouvi-lo a queixar-se. Também não ia ouvir. Quando ele acordasse a melhor coisa a fazer é estar calado. Mas tenho de admitir, podia esquecer aquilo tudo. O amor que sentia por ele podia-me tornar cega, ele podia me trair todos os dias pois eu era capaz de o perdoar. Só não conseguia estar longe dele. David mexia os dedos das mãos e levantava a cabeça. Estava acordar. Esfregou os olhos e abri-os, ele olhava para mim com um ar triste. Não achava aquilo normal, ele tinha-me traído, ele não me amava e por isso mesmo necessitou de outra pessoa para se sentir completo. Eu é que devia de estar assim e estava mas controlei o máximo possível todas as minhas expressões. Não ia mostrar a minha parte fraca.
-Bom dia – dizia-me David com uma voz murcha.
-Bom dia.
-Quero contar a você toda a verdade.
-Não, não quero ouvir mais mentiras.
-Não são mentiras.
-Tu estavas na cama com a Luísa. Eu vi. Que vais dizer desta vez? Que estou a precisar de óculos? Eu já nem sei se o que me disseste da outra vez é verdade.
-Então porque é que utilizou o meu ultimo nome no parque?
-Porque precisava de alguma coisa que me ligasse a ti! – Disse irritada – Não tens a noção como estou.
-Você acha? Aquilo foi uma cilada da Luísa para nos separar.
-Bem, ao menos já mudas-te de palavra. Da outra vez foi estratagema, agora é cilada.
-Catarina! Pára! Ouve-me!
-Não! Já chega de mentiras. Eu não acredito em nada que dizes. Nada! – Ouvia alguém a bater à porta. Era Ricardo.
-Olá.
-Olá Ricardo.
-Acho que devias ouvir o David.
-Tu também?!
-Catarina ele não te está a mentir!
-Por amor de Deus… Eu quero ir me embora.
-Não pode ir embora. Os seus médicos não deixam você ir embora.
-David, tu não mandas em mim!
-Mas os médicos sim!
-Catarina, tu conheces-me à muito tempo. Tu sabes que eu não te ia mentir. O David não está a mentir, é verdade.
-Então vá. Conta lá a tua história David.
-Ela meteu-se lá em casa. Eu não sabia de nada.
-Meteu-se lá em casa? Como?
-Ela disse que foi com um cartão de crédito… Catarina, por favor acredita em mim!
-Não sei. Não sei o que acreditar – Estava confusa, de coração partido e as lágrimas caiam sem sentir. Sentia-me zonza e com a cabeça a latejar. – Preciso de sair daqui. Onde está a minha roupa?
-Catarina tiveste um traumatismo craniano. Precisas de descansar. – Dizia Ricardo preocupado.
-Não quero saber, quero ir-me embora. Posso ficar em tua casa Ricardo?
-Catarina, por favor.
-David, esquece. Hoje não, nem amanhã, nem nunca mais!
-Catarina…
-David, não dá. Duas vezes?! É de mais.
-Desculpa, por favor. Me perdoa.
-Não dá. Não dá mesmo.
Com tanto alarido o médico chega.
-Que se passa aqui?
-Queria a alta.
-Só à tarde.
-Eu preciso de sair daqui agora.
-Se você for directamente para casa em repouso absoluto posso dar-lhe alta agora. O seu traumatismo não foi muito grave.
-Muito obrigada. Ricardo, posso?
-Sim claro.
-Catarina… Por favor!
-Não David. Deixa-me. – Fui embora com o médico. Ainda tinha que fazer alguns exames. O médico, no fim dos exames indicou-me uma casa de banho para me vestir. As dores de cabeça eram cada vez maiores, sentia-me mal disposta e via tudo a andar a roda. Quando sai vi o Gustavo a fazer companhia ao David, a Lúcia, o Ricardo e o Henrique. A Lúcia veio logo ter comigo, Henrique foi o seguinte, só Ricardo não me veio falar. David, que estava sentado levantou-se imediatamente. Passei por ele sem olhar para ele. Não queria, doía-me só de cheirar o perfume dele quanto mais olhar para ele. Sai do hospital agarrada a Ricardo, sabia que, se me largasse, caia estatelada no chão e não podia. Ele sentou-me no lugar da frente e veio logo para o lugar de condutor. Ricardo arrancou, ficamos ambos em silêncio. A casa do Ricardo era em Almada por isso teríamos muito tempo para falarmos.
-Catarina, ele não estava a mentir.
-Não quero saber. Não quero ouvir. Não quero saber.
-Catarina, não sejas assim… Ele está inocente. Não fez nada de nada!
-Ricardo, deixa-me descansar. Estou cheia de dores de cabeça.
-E o que raio ias fazer?! Matar-te?! Isso sim, é solução!
-Não tenho razões para viver.
-Catarina, que se passa? O que é isso? Eu não acredito que estou a ouvir isto de ti. Nem com o outro otário foste assim…
-Eu AMO-O! E ele traiu-me. Nem sabes como eu estou.
-A Catarina que eu conheço não é assim.
-A Catarina que tu conheces não é dependente de um homem.
-Catarina, se és dependente dele conheces ele muito bem, logo, sabes que ele não está a mentir.
-Eu estou cheia de dores de cabeça, fiz um traumatismo craniano, vi o meu namorado na cama com outra. Achas que eu consigo pensar? Sinceramente. Deixa-me estar revoltada.
-E como achas que ele está? Achas que está a ser fácil para ele? Eu nunca vi um homem assim tão desesperado, tão triste, tão… Sei lá… Nem os meus doentes são assim… Parece que parte dele está a morrer. Se tu morresses, não sei o que era dele.
-Ok, eu sei. Estou arrependida, foi estúpido. Mas eu não me ia atirar.
-Ai não?!
-Sim… Sei lá. Eu só queria acabar com a minha vida. Podemos acabar com a conversa? Está-me a doer muito a cabeça.
-Ok.
Fomos o resto do caminho, Ricardo tinha um T2 pequeno e eu sabia disso mas Ricardo era das únicas pessoas que não me ia perguntar sempre como estava. Ele conseguia ver. Disse para dormir na cama. Fui sempre agarrada a Ricardo, ainda me sentia fraca. Ricardo abria-me a cama e eu deitei-me lá. Fiquei a pensar, se Ricardo tinha razão, se David não me estava a mentir, como devia de matar a Luísa e o mais interessante é que, já sabia, não ia ter coragem para fazer-lhe nada. Depois de ela ter feito aquilo tudo ia sair pela porta grande mais uma vez. Deixei-me dormir a chorar, a dor continuava e a cada segundo que passava crescia.

publicado por acordosteusolhos às 20:55

07
Set 10

-Catarina? Estás aí? Catarina! – Dizia Lúcia no intercomunicador do prédio.
-Catarina abre a porta!! – Gritava David.
A vizinha do primeiro direito veio à varanda ver o que se passava.
-Quem está para aí a gritar? Ah, David! Felicidades pelo casamento! Faz a Catarina muito feliz. Olá Lúcia e Ricardo! Se estão à procura da Catarina ela já saiu. Foi com a Patrícia.
-Com a Patrícia!? Tem a certeza?
-Absoluta. Foi com a maluquinha. Porquê meu queridos? Achei estranho ela ir com a Patrícia, ainda por cima iam carregadas.
-Obrigada.
-Então e agora? – Perguntava David.
-Se conheço bem a Patricia elas foram acampar. Para irem carregadas. Nem a Patrícia nem a Catarina tinham dinheiro para irem para um hotel. Nem para uma pensão! – Ricardo olhava para Lúcia que até dava uma boa inspectora. Ela tinha razão. Tinham que procurar em todos os parques.
-Esperem aí! Nós não podemos procurar em todos os parques do pais!
-Mas podemos ligar. – Dizia Henrique a Ruben.
-Sim! É uma óptima ideia!
-David, é de doidos! Há imensos parques em Portugal. E nós nem sabemos se elas estão mesmo num parque. Quem era o maluco que ia para um parque com este tempo?
-Gustavo, não me importa. Nem que eu tenha que correr este pais todo. Eu quero a Catarina e vou lutar para isso.
-Ok, então vamos para a casa da minha mãe. É já ali à esquina. – Dizia Ricardo.
-Então vamos andando. Foram a pé e chegaram à casa da mãe do Ricardo passados dois minutos. A chuva tinha dado algum descanso e agora tinham que telefonar a todos os parques.
-Não faz sentido telefonarmos a todos. Telefonamos agora aos que estão mais pertos e depois vai-se avançando. – Dizia Henrique.
-Sim. Bem pensado.

Três horas depois…

-Patrícia Silvino? Sim… Quantas pessoas estão? Seis? Veja se há uma Catarina Silva. Não? Então não deve ser a mesmas pessoas… Obrigada.
-Então?
-Era uma Patricia Silvino mas a Catarina que havia era Catarina Marinho.
-Ah.. Por pouco… - Respondia Henrique a Lúcia. Quando todos olharam para David. Que sorria pela primeira vez.
-Ela usou o meu ultimo nome.
-Como assim?
-Catarina Marinho. Eu sou David Marinho.
-Espera aí, tu não és David Luiz?
-Sim, mas esse é o meu segundo nome.
-Então onde era esse parque?! Vamos lá!!
-Era em Sesimbra… Forte do Cavalo.
David não conseguiu conter-se e sorriu outra vez mas desta vez os seus olhos brilhavam. Catarina estava no sitio onde eles se tinham beijado pela primeira vez e o mesmo sitio onde David tinha pedido em casamento ela.
-Vamos lá então. – Dizia David.
-Não, não podemos.
-Porquê Ruben?
-Daqui a uma hora temos treino e sabes como a Catarina é. Pensa no que ela quer, ela quer que vás ao treino. Depois vais… Para além disso, já sabemos onde ela está e isso é que é importante.
-Eu quero lá saber do treino!
-David, o Ruben tem razão. A Catarina queria isso. Vai com eles.
-Ok… Depois à noite vou ter com ela.
-Sim David, mas agora vamos comer. Até já malta. Obrigada por tudo.
-Obrigada.
Seguiu-se os despedimentos de todos. David tinha o lábio inchado, ainda não tinha comido nada mas se fosse por ele já estava a caminho do Forte do Cavalo para dizer tudo o que se passou a Catarina. David ouve o seu telemóvel a tocar. Era a mãe de Catarina.
-Sim?
“David, a Catarina esteve aqui em casa levou roupa e deixou um bilhete. O que se passa?”
-Não se preocupe. Está tudo bem. Ela está com uma amiga. Ela chateou-se comigo. Eu depois falo com você. Vou conduzir agora, mas se telefonar à Lúcia ela conta-lhe tudo…
“Ok David. Adeus.”
-Adeus.
David não ia conduzir logo mas não teve coragem de dizer à mãe a condição em que estava a sua filha. Lúcia iria saber o que fazer.

*

-Catarina onde vais a esta hora da noite?
-Vou dar uma volta. Talvez ao cabo…
-Queres companhia?
-Não, gostava de ir sozinha se não te importas…
-Claro Catarina… Ainda é um bom esticão até lá.
-Não me importo. Vai-me fazer bem.
-Ok… Até já então. Se precisares de ajuda liga.
-Não tenho telemóvel.
-Leva o meu. – Mandava Patrícia para as mãos de Catarina o seu telemóvel.
-Obrigada. – A tarde tinha sido animada. Eu não ria, mas ao menos também não chorava. O que já era óptima noticia. Entrava no carro de Patrícia, o que já tinha dado a volta a Portugal mais do que uma vez. Já tinha feito o caminho até o parque agora eram só 13 quilómetros. Cheguei ao cabo era quase nove horas da noite, já estava escuro e pareciam ser já dez ou mais. Fui para o sitio onde David me tinha pedido em casamento. Não queria chorar mas não resisti. Sentei-me no chão e levei as mãos à cabeça. Soltei um grito que até no Brasil devem ter ouvido. Um grito de raiva, de dor, de sofrimento. Um grito a pedir ajuda. O cabo estava vazio como estava a maior parte dos dias de inverno. Apetecia-me ir à ponta do cabo mas era perigoso. Mas neste momento já não sentia mais nada sem ser dor. Se caísse, não ia fazer falta a ninguém. Caminhei até à ponta do cabo, levantei os braços e senti o vento, a água do mar que estava tão forte com bocadinhos de água chegavam à minha cara. A lua não se via, estava coberta por nuvens. Apetecia-me mandar-me dali, daquela altura e daquela maneira só para ver o que me acontecia. Já estava morta por dentro, agora a Catarina era só um corpo a andar para trás e para a frente. A soltar sorrisos amarelos e a desejar que o dia passasse o mais rapidamente possível. Todos os dias a partir daquele iam ser iguais, monótonos, sem alegria. O melhor era acabar com esse sofrimento ali e agora. Voltei a olhar para o anel de noivado, voltei a pensar na perfeição que tinha sido há dois dias e na perfeição do anel. As palavras que ele me tinha dito. Recordei-me de todos os bons momentos que me passaram pela cabeça em segundos. Sorri para os céus e agradeci a Deus aqueles meses de sonho.
-Amo-te David. – Disse ao mesmo tempo que fechava os olhos e a minha perna direita dava o primeiro passo para o que seria a minha morte. Naquele sitio tinha dado o primeiro beijo da minha história com David, tinha ficado noiva e agora ia morrer. Algo ainda mais trágico do que o romance de Romeu e Julieta.
-Não! Catarina! – Alguém me puxou para trás. Não vi bem quem mas ao puxar-me para trás fez-me cair e bati com a cabeça numa pedra. – Catarina, você está a deitar sangue. – Abri os olhos lentamente, estava zonza e não conseguia focar a imagem mas conhecia aquele cheiro muito bem, era David.
-Cheguei ao céu?
-Não! Você não vai a lado nenhum sem mim. Anda. Vou-te levar ao médico. – Não ouvi mais
nada, os meus olhos fecharam e não senti mais nada.

publicado por acordosteusolhos às 21:32

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