19
Set 10

-Catarina! Acorda! Acorda!! São 10 para as seis da manhã! Vamos para o salão!
-Hã?
-Para o salão!
-Deixa-me dormir!
-Catarina tu vais casar! – Gritava o Jonathan.
-Já vou.
-Não, é agora – Retirou-me os lençóis e deitou um copo de água na minha cabeça.
-Ai! Ai!! Pára! Pronto! Já vou!
-Ainda bem. – Estava meio a dormir e agarrei num vestido, nuns chinelos e num casaco. Às seis da manhã ainda estava frio. Todas as raparigas estavam a dormir lá em casa, elas iam de vestidos iguais mas de cores diferentes. A Cátia ia de Vermelho e a Lúcia de cor-de-rosa. Saimos e fomos a “correr” para o salão de Moniqué que já estava à porta à espera.


-Porque é que demoraram tanto?
-São seis e meia, não é muito tarde.
-Para mim é! Jonathan, a que horas é o casamento?
-Está marcado para o meio dia.
-Bonito. Bem, vamos lá…
Fui puxada para dentro do salão, sentaram-me na cadeira que era chamada a cadeira das noivas pois era grande e podiam estar umas quatro ou cinco pessoas a cuidar da noiva ao mesmo tempo. Sem mais nem menos tinha quatro raparigas a meu lado e a Moniqué a coordenar aquela operação toda. Duas no cabelo, uma na mão e uma nos pés. Sem dúvida, pela primeira vez senti que ir a um salão era uma verdadeira confusão e um puro tormento. Sentia a tirarem as peles dos meus pés, as unhas a serem puxadas e a porem gel nas unhas e os puxões nos cabelos e a porem uma nova cor no me cabelo que tanto tinha sofrido nas últimas semanas. Sai do cabeleireiro às dez e quarenta e cinco e fui com o Jonathan e no carro dele a cem a hora para a Quinta da Inês. Era onze e meia.  Já estava toda a gente preocupada e à minha espera mas eu não tinha culpa que a Quinta ficasse em Alcochete.
-Catarina, finalmente!! Vamos te vestir! Estás linda – Dizia Cátia, preocupadíssima com as horas.
-Obrigada Cátia – O meu cabelo estava preso e tinha um loiro claro. As minhas unhas estavam brancas e com pequenas flores também brancas que pouco se notavam.

 

 

 


-Vá, vamos lá!!
-Jonathan, a Moniqué ainda não chegou com o vestido! – Ouvia-se a porta a bater logo a seguir e Moniqué com duas raparigas agarrarem o vestido com muito cuidado.
-Vocês vão tratar das madrinhas, eu trato da noiva. Anda Catarina.
Fomos para o Quarto da Inês, que era o maior quarto e Moniqué pos o vestido em cima da cama e abriu com muito cuidado. Inês, Cátia e Lúcia que estavam lá ficaram embasbacadas. O vestido era lindo, o melhor vestido de noiva.
-É lindo Catarina, vais ficar tão bonita.
-Eu sei, é perfeito. Nem nos meus sonhos era melhor!
-Então vamos lá, já vestiste a lingeri e as ligas?
-Não vou vestir agora!
-Despacha-te!
Despi-me e vesti rapidamente para a lingeri, era linda também embora, com a minha barriga ficasse um pouco estranho.
-Levanta os braços. – Dizia Moniqué que com muito cuidado me “enfiava o vestido que deslizava  pelo me corpo. Cátia e Lúcia que deviam estar a maquilhar-se olhavam para mim, quase a chorar. Finalmente, já com o vestido colocado, Moniqué deixou-me olhar ao espelho. As lágrimas escorriam-me pela cara, foi nesse momento que senti a importância do casamento. Não era só assinarmos papéis mas sim para jurarmos a Deus que íamos ficar sempre juntos, um compromisso para toda a vida. Cátia e Lúcia abraçaram-me e sentia-me feliz, completa.
-Catarina, porque raio estás a chorar?
-Porque vou casar Lúcia e só me apercebi disso agora. E vou casar com a pessoa que mais amo no mundo, os pais dos meus filhos e isso não me deixa mais feliz. É uma bênção de Deus.
-És tão parvinha! – Dizia Cátia, que já tinha as lágrimas nos olhos. - Estás linda! O vestido é lindo! - A escolha do vestido era realmente bonito. Branco, tradicional. Lindo. Já para não falar dos sapatos que pareciam de bonequinha.

 

 


-Vá meninas, isto é tudo muito bonito mas temos que nos despachar. Carol, vem maquilhar a Catarina. E o que é que vocês as duas estão aqui a fazer? Vá! Vão se maquilhar também! Se não for eu a por ordem nisto já não havia casamento hoje! – Dizia Jonathan que entrava de rompante no quarto. Carolina começou a maquilhar-me e a Cátia e Lúcia foram postas fora do quarto. Faltavam quinze minutos para o casamento começar e ainda tinha que ir para Almada, novamente, para não esquecer das fotos.
-Ok! Ela está pronta! Estás linda, parabéns.
-Obrigada. – A minha cara estava branquinha e uniforme, as bochechas rosadas e os lábios tinham um brilho bonito. Tinha rímel e lápis nos olhos. Esta simples, como as noivas devem estar no seu dia de casamento.
-Muito bem, vamos começar com as fotos!
Começaram por tirar fotos a mim, em todas as posições possíveis e imaginárias. De costas, de lado, de frente, com o bouquet, sem o bouquet. De todas as maneiras. Tirei fotos com toda a gente que estava naquela casa, os meus pais, os meus avós, os meus tios, os meus primos, as minhas madrinhas, com o Jonathan, a Moniqué, as minhas amigas… A casa estava cheiíssima, mas estavam quase todos a comer então quando vinham-me ver aproveitavam para tirar fotografias. Após uma sessão de fotográfica das grandes pedi a todos para irem andando para o casamento, porque também ia. O meu pai sabia que tinha uma paixão por Porsches por isso alugou uma limusina, ainda por cima Hummer (nem sabia onde é que ele tinha ido buscar aquilo). Nada haver não é? Pois, segundo o meu pai “Os porshes só se podem comparar a grandes carros por isso aluguei-te uma limusina”. Era enorme, branca.

 

 

Primeiro entrei eu e depois as minhas madrinhas. O meu pai ia a frente no Mercedes dele e a minha mãe ia atrás do Mercedes do meu pai, no seu pequeno carro peogeut. Atrás deles vinham todos os convidados da minha parte. Ainda faziam uns vinte carro mas já havia pessoas na Quinta. Da minha parte iam cinquenta pessoas e do David mais umas cinquenta. O casamento ficou um pouco maior do que as iniciais setenta e cinco pessoas, mas havia pessoas que tínhamos mesmo que convidar. Jonathan é que não gostou muito da ideia, pois via o numero de pessoas a aumentar de dia para dia. Eu ia no último carro, na Limusina juntamente com Lúcia e Cátia. Já era meio dia e meia. Só me ia atrasar uma hora e tal, pois só podia partir quinze minutos depois dos convidados, para eles se dirigirem para os lugares e assim. Já tinha recebido vinte e cinco chamadas do David. Se o conhecia bem, já tinha feito um buraco de tanto andar de trás para a frente com o telemóvel na mão a telefonar-me. Mas Jonathan já tinha ligado a David e ficou mais calmo. Já não me ligava de cinco em cinco minutos mas de dez em dez. Ao meio dia e quarenta e cinco minutos pus me a caminho. Começava agora a ficar cada vez mais nervosa. O telemóvel tocava cada vez mais vezes. Sabia que David estava a ficar desesperado. Os convidados estavam bem, segundo Jonathan os convidados iam tirar fotos quando lá e comer alguns aperitivos e champanhe. Pelo que o Jonathan disse havia de tudo na festa, desde champanhe até Caipirinhas, ou então sumos de laranja a coca-colas. Por isso estava descansada. Cheguei à Quinta era uma e quarenta, não me atrasei muito, só uma hora e quarenta minutos. Que ironia tão grande. O Jonathan estava a minha espera na entrada para o Jardim da Quinta.
-Tu és a pior noiva de sempre! Nunca vi uma rapariga que se atrasa-se tanto! Uma hora e quarenta!
-Não te preocupes. O David já está habituado.
-Vá, vamos por aqui. – Entramos dentro da grande mansão da Quinta e atravessamos por completo até darmos ao outro lado do Jardim, a parte que ficava atrás da Tenda onde toda a gente ia comer. Jonathan ia a frente e as minhas madrinhas atrás agarrarem-me no vestido para não o sujar. Ele abriu a tenda que era enorme, tinha ar condicionados e muitas mesas. A minha favorita, sem dúvida a principal, era a primeira e não era redonda como todas as outras. Era onde eu e o David nos íamos sentar mais as nossas famílias. Estava tudo tão bonito. O centro da mesa eram rosas vermelhas, as cadeiras eram brancas e as toalhas eram brancas. A cor predominam-te era o branco, sem dúvida. Mas os detalhes em vermelho, as rosas e outras flores deixaram-me encantada. Estava quase a chorar quando o Jonathan olha para mim com um dedo apontado para o meu nariz.
-Atreve-te a chorar ouviste! É o teu dia! Sorri!! Vá, vou dizer a todos que a noiva chegou e manda-los sentar.
-Ok Jonathan. – Fiquei sozinha na tenda. Cátia e Lúcia já tinham ido com Jonathan para ficarem no sitio onde ele queria. Agarrei no bouquet que estava em cima da mesa e olhei para cima para tentar conter as lágrimas.
-Respira Catarina! Respira… Calma…
-Filha, estás linda!
-Pai! – Abracei-o e quase chorei.
-Que foi filha?
-Não sei, está tudo tão lindo que deu-me para chorar. É por causa dos bebés. Alteram-me o sistema todo.
-Ó filha não chores. O Jonathan disse se tu chorasses eu é que pagava e se queres saber, tenho medo dele.
-Ok, vamos lá então.
-Vamos… Mas antes quero-te dizer uma coisa.
-O quê pai?
-Parabéns filha, tenho um prazer enorme em levar-te ao altar. Este homem com quem vais casar ama-te, de verdade e por isso mesmo aceito-o na nossa família, sei que ele vai fazer-te muito feliz.
-Obrigada pai, nem sabes o que isso significa para mim. Ahrrrr!! – Gritei e olhei para cima para mais uma vez tentar conter as lágrimas. – Vamos embora antes que chore! – Sabia o quanto difícil era para o meu pai dizer aquelas palavras. Sempre fui muito “menina do papá” e ele nunca esperou que fosse casar num espaço de dez meses. Nem num espaço de dez anos quanto mais de dez meses.
-O Jonathan disse para te esperar depois de passares na ponte. Vou para lá e depois vens tu está bem filha?
-Está bem pai. Vai lá então. – Ele foi calmamente para o outro lado da ponte, já conseguia ver toda a gente sentada e algumas cabeças de pé, a filha do Luisão ia ser a menina das alianças estava a frente do meu pai vestida de branco e com flores brancas para deixar cair na entrada. Começei a andar e a música começou a tocar após sinal de Jonathan. Senti os joelhos a tremer, passei a ponte e agarrei-me ao meu pai.
-Por favor, não me largues agora se não desmaio.
-Tem calma filha.
-Anda pequenina, está na tua altura.
-Está bem Catarina – Respondia-me Sofia que era um amor de criança.
O meu pai começou andar calmamente atrás da pequena Sofia que já ia mais à frente. Comecei a ver David com um sorriso, sabia o que queria dizer aquele sorriso, que estava linda e que ele estava mais do que feliz. Era por isso que amava aquele homem. Bastava ele sorrir para me acalmar. Entrei menos nervosa e todas as pessoas estavam em pé , até chegar ao pé de David. A partir daqui a história tomava novo rumo, íamos ser marido e mulher.

 

 

Desculpem a demora, apartir de agora vou tentar por mais do que um capitulo por dia. Estes capitulos têm dado muito trabalho. Para além disso tenho um novo trabalho em mãos.

publicado por acordosteusolhos às 15:17

18
Set 10

Cheguei a casa eram três e meia da manhã. Estava cansada, David tinha-se deixado dormir no sofá. Estava carregada com as prendas por isso fui primeiro ao quarto guardar as coisas. Escondi o vibrador debaixo da cama, não queria nada que o David visse aquilo. Depois de tudo guardado fui acordar o David.
-Amor, anda, vem para a cama.
-Já chegou? Que horas são?
-Três e meia. Anda… - David sonolento esfrega os olhos e agarra-se a mim.
-Como foi?
-Bom, amanhã conto-te. Agora, vamos dormir. Os bebés estão cansados.
-Ok, vamos.
Bastou cinco minutos e deixamo-nos dormir, acordei no outro dia ao meio dia. David ainda estava a dormir mas virei-me para ele, tinha de o acordar. Comecei a fazer-lhe carícias na face e a dar-lhe pequenos beijos. David acabou por acordar com um sorriso.
-Bom dia meu amor.
-Bom dia.
-Então como está a minha mamãe linda e os meus filhos?
-Óptimos e o pai mais lindo do mundo?
-Ansioso, nervoso, curioso e a pessoa mais feliz do mundo!
-Porquê curioso?
-Quero saber tudo o que aconteceu ontem!
-Então olha, fomos comer à casa da Inês, falamos muito e apareceu um stripper no final.
-Um quê?
-Stripper, aqueles homens que se despem em troca de dinheiro.
-Está a gozar, só pode!
-Não, e acredita, não gostei nada daquilo. Estava tão farta.
-Estou a ver… E fez a você aquelas danças malucas nas cadeiras?
-Não! Eu recusei! Que horror! Mas o Jonathan adorou ele. Eu não gostei, nem queria nada daquilo.
-Ah. Pronto. – David aprendeu a confiar em mim, acho que tínhamos uma relação muito boa por causa disso, confiávamos um do outro. Desde que aconteceu a situação da Luísa acreditei sempre nele. Para além disso, se não confiasse desta maneira nele não iria casar com ele – Então e recebeu presentes?
-Sim, vários.
-O quê por exemplo?
-Olha a minha mãe deu-me uma pulseira para usar no dia de casamento, a pulseira já era minha mas é muito antiga e já nem me lembrava dela, foi uma óptima prenda. A tua irmã e a tua mãe deram-me uns brincos lindos, depois deram-me lingeri e outras coisas.
-Eu gosto da parte de lingeri! Vai experimentar para mim?
-Só algumas, não quero usar para já as outras, estou tão gorda!
-Estás linda, nada gorda.
-Não estou gorda vá, mas tenho uma barriga enorme já! Imagina com 9 meses! Vai ser gigante!!
-Eu vou adorar, e começar a sentir o bebé a bater! Lindo, lindo de morrer! Mas não deram mais nada a você?
-Como assim?
-Sei lá. Parece que me está a esconder alguma coisa.
-Não me parece boa ideia contar-te.
-Confia em mim ou não?
-Claro que sim, mas tu não vais gostar.
-Porquê?
-Então... É um... Vibrador..
-Vibraquê?

-Queres mesmo que eu te responda?
-Essa prenda vai para o lixo!
-Nem te atrevas. Até foi engraçado.
-Quem foi a tarada que te deu isso.
-Diz antes tarado.
-Aquele Jonathan! Que raio de organizador que você arranjou não? Não interessa, você não vai necessitar dessa coisa.
-Nunca se sabe.
-Claro, que vamos fazer hoje?
-Quero aproveitar bem o dia contigo, o último em que eu vou dizer que és o meu namorado.
-Está bem, queres ir onde?
-Não sei, sabes, hoje acordei e está-me apetecer ir ao Oceanário. Que achas?
-Ao Oceanário?
-Sim, eu em miúda adorava ir lá. Aquilo é tão giro!
-Está bem, isso já é de você se sentir mamãe. O instinto maternal!
-Se calhar. Afinal de contas, a Inês Maria e a Maria Inês vão ter um pouco de mim e vão gostar do mesmo que eu.
-Se é assim o melhor é irmos ao parque porque o Gabriel e o Pedro querem jogar à bola.
-Estás a ver o que disseste sobre o instinto maternal? O meu diz-me que vão ser duas meninas.
-O seu instinto ainda não está a trabalhar a 100%...
-Até parece. Vou tomar um banho, podias ir fazer o pequeno almoço…
-Estou já a caminho!
Tomei um duche rápido e fui ter com o David, fez umas torradas enormes e um sumo de laranja. A comida dava para umas quatro pessoas, David devia pensar que comia por três.
-Para quê tanta comida?
-Então, para mim, para ti, para o Pedro e para o Gabriel.
-Amor, eles ainda são pequeninos. Não é preciso tanta comida.
-Não faz mal. Como eu!
-Ainda vais ficar maldisposto.
-Não vou não!
David disse e cumpriu, comeu todas as torradas. Eu comi duas e ele cinco. O que sofria o estômago daquele rapaz. O dia estava de sol e graças a Deus, ia também ser assim no Sábado. Não estava preocupada, Jonathan era o grande nervoso, Jonathan e também o David. O sentido de irmos ao Oceanário era para descontrair, de sentirmo-nos ainda mais papás, mas nada disso resultou, nem o passeio perto do mar resultou. David parecia uma pulga. Só fazia comentários e perguntas sobre o casamento. O dia passava e o David só me fazia rir, até que despedimo-nos e cada um foi para o seu lado.

-Está pronta?

-Sim.
-É isto que você quer?
-Sem qualquer dúvida meu amor.

-Nem sabe como eu te amo.

-É dificil de explicar o que sentimos. É tão bonito.

-Você foi a melhor coisa que já me aconteceu.

-Amo-te. - David puxou-me para perto dele mas sempre com muito cuidado, tratava-me sempre como se fosse uma boneca de porcelona que se podia partir, pôs a sua mão na minha cara e deu-me um beijo. Era especial aquele beijo. Foi o último de namorados e senti que estava mais que pronta para casar, para estar com ele o resto da minha vida.  Era amanhã o grande dia e todos estavam ansiosos. David tinha ido para a sua despedida de Solteiro e eu tinha que ir para a Quinta da Inês onde ia ser fotografada e vestida.

 

 

 

publicado por acordosteusolhos às 23:01

17
Set 10

-Olá David, viemos buscar a noiva! – Dizia Cátia sorridente – Onde está ela?
-No quarto, está-se a despachar. Cátia, para onde é que vocês vão?
-Não lhe digas, passou a tarde toda nisto. Gira o disco e toca o mesmo. David, nós vamos sair e vai ser uma ladies night. Tu pegas no teu pai e nos teus padrinhos e no teu cunhado e levas eles a dar uma volta pela cidade ok?
-Ok.
-Beijo. – Dei-lhe um beijo e sai.
-Cuidado! Não pode beber nada!
-Achas que ia? – Disse-lhe enquanto estava a entrar para o elevador. Saímos e entramos no carro da Cátia, era um Mini Cooper, o carro de sonho dela. Levaram-me para a casa da Inês. Inês era minha amiga desde de pequena, mas nunca fomos muito próximas. Lá em casa já estava a Mariana, a Rita, a minha mãe, a Joana, a Patrícia, a Ana, Jonathan e Moniqué. O jantar começou de forma calma, estávamos a comer na parte de trás da casa de Inês. Ela tinha uma grande quinta dos pais, e como eles iam de férias ela ficava lá sempre a tomar conta das vindimas e de mais algumas coisas.
-Então, Catarina, desde quando é que festas de solteiros têm homens? – Perguntava-me Joana, sempre pronta para a brincadeira.
-O Jonathan é a pessoa que está a organizar o meu casamento, ele é gay por isso não resisti em convidar-lhe. É verdade, Jonathan, podias ter trazido o teu namorado.
-Não, ele não ia gostar. Era muita mulher para a cabeça dele! – Todas se riram do que o Jonathan disse. Ele era divertidíssimo e sempre pronto para a brincadeira.
-Então não te esqueces de trazê-lo para o casamento.
-Não pode querida, vai estar no Brasil. Aquele vadio só quer é rambóia. Eu bem sei…
-Deixa, são todos assim. Gays, hetero, transexuais.
-O normal. Mas agora vamos passar aos presentes! Toma, este é meu e da Moniqué! – Passaram-me para a mão uma caixa branca com um laço enorme cor-de-rosa.
-Uh, o que será, o que será! – Dentro da caixa estava um grande vibrador. Fiquei chocada quando vi aquilo. – Obrigada, acho…
-Querida, agora não há volta a dar, vais casar e tens que ser fiel e daqui a uns anos ele não vai ter a mesma potência mas um vibrador está sempre operacional e tem várias potenciais! Olha, vai do 1 ao 7. É bom! – Dizia-me Jonathan a rir. Toda a gente soltou uma gargalhada. Afinal, as despedidas de solteiro deviam de ser assim.
-Desculpa lá querida mas prometo-te que a prenda de casamento será melhor. – Dizia Moniqué.
-Obrigada, eu acho é que o David não vai achar muita graça a ideia de um vibrador em casa.
-Pões nas coisas do bebé que ele não nota nada! – Continuava Jonathan, sempre a rir.
-Agora é a minha vez. Toma gaja. – Dizia a Cátia. Era outra caixa, mas desta vez preta e com um laçarote vermelho.
-Olha, isto não é outro vibrador pois não?
-Não, abre!! Quero que vejas.
Abri a caixa e estava lá um conjunto de lingeri cor-de-rosa.

 
-Onde é que tu achas que eu vou com isto?
-Para a tua lua-de-mel.
-Querida, eu estou grávida, isso significa que não há sexo. E tu dás-me isto? És doida. – disse com tom de brincadeira - Obrigada!
-De nada, eu sabia que ias gostar.
-Calma, agora sou eu!! Como sei que não vai haver muita acção na Lua-de-mel quis te comprar uma coisa diferente. – Desta vez não era uma caixa mas sim quase um caixão! Preto e com um laçarote branco. Para vir da Lúcia devia ser algo bombástico. Abri a caixa, trazia uma foto do que era no inicio, uma lingeri mas à coelhinha. Do género de fantasia maluca. Tinha as orelhas, a cueca com um “rabo de coelho”, a parte de cima era justa e tinha um decote grande. Desmanchei-me a rir quando vi aquilo, cada prenda superava a outra.


-Eu não acredito! Lúcia! Obrigada, mas não sei quando irei usar isto.
-No carnaval, é a altura exacta!
-Concordo, só se for aí.
-Agora é a minha vez! – Dizia Patrícia com uma voz querida – Eu pensei na lua de mel mas também pensei que estavas grávida. Espero que gostes.
Era um saco com um laço que Patrícia me tinha dado para a mão. Quando abri vi uma cuequinha de renda e uma Camisa de noite com pormenor de renda no peito e lacinho acetinado, muito bonita. Nada de provocante mas bonito.
-Obrigada Patrícia, é muito giro!
-Este é meu, da Joana e da Ana – dizia a Mariana com um sorriso. – Espero que gostes.
-De certeza que vou adorar. – Dentro da caixa que me tinham dado estava um álbum, de algumas fotos que tinha tirado na minha adolescência, ou seja, quando era solteira.
-Obrigada meninas, muito obrigada. Nem sabem como é especial.
-De nada – responderam em coro.
-Bem, filha, agora dou-te o meu. Toma. – A minha mãe deu-me uma caixinha pequenina, como se fosse uma jóia. Abri e era o meu colar de ouro quando era pequena que tinha uma pequena medalha com uma esmeralda verde. – Sabia que ainda não tinhas ainda nada velho e resolvi-te dar-te isso. Espero que gostes.
-Adoro mãe, obrigada. – Embora já fosse meu, o que importava era o sentimento e aquilo foi uma espécie de uma bênção.
-Bem, e nós sabemos que não tem nada de novo não é, então resolvemos comprar uma coisa nova para você! – Dizia a mãe do David.
-Espero que gostes! – Dizia a irmã.
-Vou pois! – Abri o saco e estava uma caixinha, mais uma. Quando abri a caixa e vi um par de brincos muito bonitos de prata, faziam um género de uma flor virada para baixo, as suas folhas eram pequenas pedras e a flor era uma pérola. Ficavam muito bem no meu vestido.
-Muito Obrigada. São lindos! Nem sei o que dizer.
-Já disseste e já fizeste minha querida. O meu filho é feliz a teu lado e não há maneira de agradecer isso.
-Obrigada. Muito, muito obrigada!
-Bem, agora é a minha vez e a da Rita!
-E a nossa é bem diferente!
-Como assim?
-Duarte! Estás aí? – Apareceu um homem vestido de polícia. – Vamos começar a festa!
-Oh Meu Deus! Eu mato-vos! Vocês são doidas! Eu sou uma mulher grávida! 4 meses! Gémeos! E vocês trazem-me um stripper?
-É saudável.
O Stripper colocou-se em cima da mesa e começou a fazer uma dança sensual, quando menos se esperava tirou a camisola e depois as calças com um puxão. Era o tradicional stripper, grande. Continuava a dançar feito maluco.
-Queres uma Lap Dance?
-Não!
-Mas podes dar uma a mim. – Dizia Jonathan. Todos se riam menos eu, que desesperava para que espectáculo acabasse.

publicado por acordosteusolhos às 20:16

16
Set 10

Nove da manhã, o meu despertador tocava. David que estava agarrado à minha barriga (agora dormíamos nesta posição, já não era eu a tocar no seu peito mas ele a tocar na minha barriga e de costas para ele) sussurrou ao meu ouvido.
-Desliga isso e continua a dormir…
-Não, tenho de ir ver do vestido, para ver se está bom ou não. – Queria levantar-me mas o braço de David proibia-me do fazer.
-Catarina, só uma coisa, já escreves-te os teus votos?
-Sim, já!
-Ahh…
-Ainda não escreves-te os teus?
-Não, tenho andado bloqueado.
-David, não precisas de pensar em nada espectacular. Um “amo-te” para mim é suficiente.
-Ó, quero fazer algo especial.
-Depois logo te lembras de alguma coisa. Agora preciso ir tomar um banho rápido.
-Vai então mas desliga o telemóvel.
-Claro… - David ficou a dormir, era o primeiro verão que ficava em Portugal, de férias. Uma vez ficou parte, mas por causa de uma lesão. David costumava ir todos os anos ao Brasil, mas este ano foi diferente, os familiares do Brasil é que vieram a Portugal. Depois de tomar um banho e de me vestir com umas calcas de fato de treino e uma blusa sai de casa. Quando sai de casa David já tinha adormecido outra vez, dei-lhe um pequeno beijo na testa, não o queria acordar.
Cheguei atrasada à loja de vestidos de noiva da Moniqué, já lá estava a Jonathan em pé a bater o pé.
-Só agora?
-Foram só vinte minutos!
-Sim, vá, vamos entrar!
-Moniqué o bicho chegou.
-Finalmente Catarina!! Vá, vamos lá experimentar. – Puxou-me para o grande quarto onde as noivas se vestiam, vesti o vestido rapidamente, era simples. – Está perfeito! Não é preciso fazer nada! Está lindo! Vês? Nota-se a barriguinha mas de uma forma linda! Está lindo.
-Adoro, obrigada Moniqué. – Abracei-me a ele, ela criou logo a distância.
-Cuidado! Não estragues já o vestido!
-Claro. Jonathan! Vem cá ver! – Jonathan entrou de rompante na sala e olhou para mim.
-Estás linda, maravilhosa, perfeita. Adoro.
-Eu sei! Eu acho que vou chorar…
-Não chores então, ainda falta sofreres muito Catarina.
-Ui… No sábado é para estar no teu salão a que horas?
-Às seis da manhã!
-Às quê?
-Seis! E certas!
-Ok… Bem, preciso de ir andando, quero ir ter com o David, vamos dar uma volta e depois vou para a minha despedida de solteiro.
-Então e a dele é quando?
-Só na sexta, espero que me tragam o homem vivo para a cerimónia.
-É melhor adiar o casamento para Domingo o casamento – dizia Moniqué a sorrir para Jonathan. Moniqué ajudava-me a despir o vestido e Jonathan já tinha saído.
-Já tens uma coisa azul, outra velha, outra emprestada e uma nova?
-Já tenho a nova e a azul.
-Então olha, já tens a emprestada também. – Moniqué afastou-se e voltou com uma pulseira de prata, simples, com pequenas pedras transparentes, verdes e azuis. – Leva isto ao teu casamento, é a única maneira de te agradecer.
-Agradecer do quê Moniqué?
-Tu sabes quantas noivas já passaram por este salão? Sabes quantas já me entregaram um convite para o casamento? Tu foste a primeira querida.
-Foi a única maneira que arranjei para te agradecer do vestido. – Disse ao mesmo tempo que me apoiava na Moniqué para despir o vestido. Tirei-o com cuidado e Moniqué agarrou nele com todo o cuidado do mundo.
-Não precisas de agradecer, mas aceita.
-Obrigada Moniqué, muito obrigada. – Guardei a pequena pulseira na mala e comecei a vestir-me. Despedi-me depois da Moniqué e do Jonathan, eles iam a despedida de solteiro, foram grandes pessoas que encontrei e que me ajudaram imenso e agradecia por isso, logo, tinha que lhes agradecer de alguma forma. Cheguei a casa já era uma da tarde. Cheirava bem, a comidinha da boa, a dona Regina devia estar a fazer comida.
-Boa tarde! – disse quando entrei na cozinha que estava cheia de gente, tal como eu gostava.
-Boa tarde Catarina. – Diziam-me o pai do David, a mãe e a irmã que estava com o marido.
-Oi meu amor – Dizia David que se preparava para se levantar e para me dar o seu lugar.
-Deixa-te estar David.
-Então como estão os bebés? – Perguntava-me a irmã de David
-Cheios de fome! – Toda a gente que estava lá sorriu.
-Então alimenta bem que aqui os padrinhos querem eles fortes! – Dizia Ruben que também estava na cozinha mas encostado ao balcão.
-Não te preocupes, eles vão ser como o pai. Grandes… Passa-me um prato já agora.
-Deixa estar querida, eu sirvo você.
-Não é preciso…
-Deixa estar. – Dona Regina era sempre assim, sempre pronta para ajudar, muito simpática e alegre, todos os dias. Encheu-me o prato de bifinhos com cogumelos e natas. Acho que tinha disposição de comer aquilo tudo.
-Obrigada.
-De nada querida.
-Anda para aqui amor, sentas-te a meu colo. – Dizia-me David. Dirigi-me até ele. E sentei-me levemente na sua perna, não quis fazer muita força. – Que andou a fazer hoje?
-Fui ver do vestido, está tão lindo. Eu adoro o meu vestido!
-Ainda bem, hoje é a despedida não é?
-É.
-Vão jantar onde?
-Segredo.
-Então? Vá diz!
-Só se me disseres onde é que vocês vão.
-Não sei, o Ruben e o Gustavo é que estão a fazer isso tudo.
-Então pronto, a Lúcia e a Cátia é que estão a organizar tudo. Não sei de nada.
-Assim não vale… E depois se você precisa de ajuda?
-Tenho lá a tua irmã e a tua mãe, não é suficiente?
-Sim… Mas eu quero saber, vá lá!
-Eu também quero saber onde vais e não te estou a perguntar pois não? É a despedida de solteiro, serve para isso mesmo e os maridos não devem ver o que se faz lá.
-Concordo, deixa de ser assim chatinho David – Reclama a irmã de David.
-Mudando de assunto, o teu filho podia-se chamar Ruben! Que achas? – Perguntava o Ruben com um sorriso enorme.
-Não é para te chatear Ruben, mas gostava mais de Gustavo. Até cheguei a discutir esse nome com o David.
-Gustavo? O nome deste aqui? Tché! Que mau gosto! – Todos soltam uma gargalhada enorme.
-É, vê lá… O meu nome é lindo! E perfeito para o filhinho deles!
-É, e que alcunha vou dar ao puto. Gugu?
-É melhor do que ruru.
-Não interessa, não vai ser Ruben, nem Gustavo. Nem sabemos se vão ser rapazes.
-Vão ser pois, eu quero os meus rapazes para puder ensinar eles a jogar futebol! – Dizia o David no meio das rizadas que se davam.
-Há vários nomes que nós já tivemos a ver. De rapazes foi Gabriel e Pedro. De raparigas Maria e Inês.
-Eu gosto bastante dos nomes, principalmente das raparigas. Depois podem pôr Maria Inês e Inês Maria e fica muito bem. – Dizia a Dona Regina.
-Por acaso até fica. Temos óptimas escolhas não achas David?
-Concordo, sem dúvida. Mas eu vou ser papai de dois meninos, eu sei disso, fui eu que os fiz.
-Ah-ah. Só podes estar a gozar, tu colaboraste. Mais nada!
-Não, eu fiz.
-David, tens dois bebés em crescimento na tua barriga?
-Não, mas…
-Mas nada. Vá, come a batata, isso é fome. – Dei-lhe a batata frita à boca e ele deu uma dentada que ia quase mordendo os meus dedos. Toda a gente se ria com o que fazíamos. O almoço foi continuando e David perguntou-me mais duas vezes onde ia ser a festa de solteiro mas isso era um segredo dos Deuses.

publicado por acordosteusolhos às 20:46

15
Set 10

-Então é assim, a mãe da noiva está sentada deste lado, o pai deste, a madrasta… Ai sente-se ao lado e pronto! O mesmo para este lado mas a irmã senta-se no lugar da madrasta e o cunhado do David fica ao lado – Ordenava Jonathan meio desesperado – o noivo fica deste lado e os padrinhos com um metro de distancia do noivo. Atrás dele! Catarina, tu vens da tenda, passas a ponte…
-Jonathan! Qual ponte? Não há ponte!
-Dá a volta à piscina Mulher! Grávidas… As madrinhas dão a volta por trás e põe-se aqui à espera. Como os padrinhos estão.
-Jonathan!
-Sim Mulher!
-Porque é que temos um microfone?
-É para mim! Quando tu te esqueceres das ordens ao menos tenho um microfone e escuso de estar a gritar feito maluco!
-Ah, está bem…
-Não fale assim com ela, está grávida – dizia baixinho David ao Jonathan.
-Não te preocupes que eu sei lidar com estás mulheres!
-Jonathan, ainda não percebi, a passadeira não ia ser branca?
-Mudei de ideias, com tantas pessoas a passarem aqui antes de ti, chegavas aqui com a passadeira mais preta do que branca.
-Ah, boa ideia… Então e vai ser este vermelho?
-Sim, o buquê é que não vai ser esse. Vai ter umas flores vermelhas… Mas isso logo se vê amanhã quando decidires ir experimentar o vestido.
-Eu faltei hoje porque estava ocupada.
-A fazer o quê?
-Passei os últimos dias mal disposta, nem sai da cama. O nervosismo, a gravidez e ter um marido em pulgas para saber o sexo dos bebés dá nisto!
-Catarina, AMANHÃ É QUINTA! CASAS DAQUI A TRÊS DIAS! Como podes estar assim tão tranquila?
-Eu não estou tranquila, mas nos últimos dias tenho-me preocupado mais com os bebés do que com o meu casamento. Agora, podemos começar.
-Quando quiseres… Espera! Ó pai da noiva, não se está a esquecer de nada?
-De quê?
-Não sei bem, mas talvez… DE ACOMPANHAR A SUA FILHA AO ALTAR!
-Já vou, já vou… Chiça filha, eu organizava isto melhor.
-QUERIA VER ISSO! Vamos lá começar, vou fazer a música tan-tan-taram-tan-tan-taram-tan-tan-taram-tan-taram-tan-taram…
-Isso é horrível Jonathan, pára.
-Ok, ok… Vá, vem andar dessa maneira, exactamente… Belo, chegas aqui o pai entrega a mão da filha ao marido…
-Ai, o que isso vai custar… Filha…
-Pai! Faz o que o Jonathan está a dizer se não ele perde a cabeça.
-Pronto, pronto. Toma lá a mão da minha miúda. Cuidadinho, vou estar de olho em ti.
-Obrigada. - Dizia David e piscava o olho ao meu pai, num sinal de "tudo vai correr bem".
-NÃO!! Você não diga isso no dia de casamento! – Gritava Jonathan – Isto é uma família de loucos. Vamos lá ver, você dá a mão da sua filha e o David agarra, diz “obrigada” e nada de piscar os olhos. Agarras na mão dela e ajudas ela a subir, no máximo dos máximos podes dar um beijo na mão dela, não há beijos em mais lado nenhum! Vocês ficam aqui em pé e o conservador levanta-se e cumprimenta-vos com um aperto de mão. Vou começar com o discurso. Todos prontos? Então vamos lá. Hoje, estamos aqui reunidos para celebrar a união de David e Catarina. Agora vem papelada, papelada, informações, informações, blá blá blá, ah, sim a parte importante, Agora os noivos vão passar aos votos e à troca de alianças. David, tu dizes o teu, Catarina, tu dizes o teu. Trocam as alianças e depois o conservador há de dizer, São oficialmente marido e mulher, o noivo pode beijar a noiva, vocês beijam-se – preparava-me para dar um beijo a David enquanto Jonathan estava concentrado a ler os papeis. – Não é preciso beijarem-se agora! Ai…
-Já está! Vai ser lindo!
-Eu também acho meu filho, estava um pouco receosa mas vocês vão ter um casamento lindo.
-Dona Regina o que importa é o sentimento e nós só queremos estar juntos os dois. O casamento é um dia marcante e uma promessa a Deus que vamos estar juntos para sempre.
-Gostei muito da sua compreensão por causa das religiões. – Dizia o pai de David
-Preferi assim, cada um de nós temos a nossa religião e somos os dois muito crentes. Não podia obrigar o David a ser católico ou o David obrigar-me a ser Evangélica.
-Fizeram muito bem.
-Obrigada Pai.
-De nada filhote! O meu menino loirinho e pequenino já está um homem e vai casar! Incrível não é Regina?
-Você tinha a mesma idade, agora entendo o porquê de tanta lamuria da minha mãe e do meu pai.
-Não vos vou roubar nada, só ficar um bocadinho com ele… - todos dê-mos uma gargalhada e o David agarrou-me enquanto a minha mãe e meu pai falavam com Jonathan que de repente dá um grito.
-Ai!
-Que foi Jonathan?
-Vocês não têm menina das alianças?
-Temos pois mas coitada estava dormir. Por falar a dormir, tenho sono. Podemos ir embora?
-Claro, e o escravo fica aqui!
-Jonathan, tu vais para a caminha porque eu amanhã às dez da manhã vou ter contigo e depois à noite tu vais ser o meu convidado especial da minha Despedida de Solteiro.
-Eu comprei-te uma prenda tão linda! Vais adorar! – Dizia Jonathan ao mesmo tempo que saltava e batia palmas. Toda a gente se riu das figuras que ele fez. Quando reparou parou quieto e despediu-se de todos. O mesmo foi acontecendo com as outras pessoas que lá estavam. Todos se foram embora desejosos que os dias passassem depressa.

publicado por acordosteusolhos às 18:34

14
Set 10

-David, a ecografia é só a tarde, às três, vais lá ter? Eu vou ter que ir experimentar o vestido.
-Sim, o treino é só às cinco. Não queres que te leve?
-David, ainda consigo andar de carro!
-Sim, mas eu ficava mais contente se fosse eu à levar.
-E eu ficava mais contente se tu me deixasses ir.
-Está bem… - Deu-me um beijo e finalmente deixou-me sair. – Catarina não te esqueças de comer bem!
-Claro meu amor. – Sai de casa, o Jonathan e a Moniqué já deviam estar à minha espera e a Moniqué ainda não tinha visto o meu barrigão.

Loja de Vestidos da Moniqué:

-Oh Meu Deus! Que barrigão! Estás tão linda!
-Obrigada Jonathan!
-Oh Meu Deus! Isso está enorme! Isso é o quê? Gémeos?
-Sim Moniqué, são gémeos. Surpresa!
-Que grande surpresa me dás. Bem, vamos tirar as medidas? Daqui a três dias vens cá para experimenta-lo.
-Ok! – Estávamos no dia três de Julho, o tempo passa a correr. A barriga continuava a crescer e hoje ia fazer outra ecografia para verificar se o bebé não sofria do síndrome de Down. Quer dizer, se os bebés…
-Então mamã, pronta para o casamento? – Perguntava Jonathan enquanto eu me despia para a Moniqué tirar as medidas.
-Agora preocupo-me mais com a ecografia que vou fazer logo à tarde…
-Então?
-É por causa do Sindrome de Down. Querem verificar se os bebés possam o ter. Estou tão nervosa! Não quero que nada aconteça aos meus bebés!
-Nada vai acontecer. Vai ficar tudo bem querida.
-Obrigada Moniqué. Espero bem que sim.

Hospital da Luz:

-Ora bem , está tudo bem com os bebés, não é preciso se preocuparem com nada! Está tudo bem com eles. Agora, a ecografia do sexo querem marcar para quando?
-Não dá para ver já agora? – Dizia David.
-Ainda não dá para ver, ainda é muito pequeno.
-Ah pois… - Dizia esmorecido.
-Então, nós vamos de lua-de-mel e só voltamos dia 21, por isso, talvez no dia 23 ou perto…
-Muito bem. Então dia 23 cá estaremos para ver-mos o sexo do bebé.
-Eu de facto, já sei qual é. São dois meninos não é!
-Não, são duas meninas! Eu sei que são, eu sinto!
-Mas eu é que decido o sexo! Fui eu que dei o cromossoma que decide ou que é. Estava lá na internet.
-É verdade, mas o homem ainda não tem capacidade para decidir se o cromossoma é Y ou X.
-Eu tenho! Eu sou diferente! – Soltam ambos uma risada. Eu tentava sair da cama onde estava. 
-Então até dia vinte e três, felicidades e tenham um bom casamento. – O médico vira as costas e vai-se embora.
-Nunca pensei estar com a barriga tão grande. Como é que isto cresceu tanto? O médico disse que eles só têm 6 centímetros!
-Sim mas depois tens …
-Não comeces a dizer isso tudo. Ainda viras obstetra.
-Profissão engraçada por acaso.
-Sim, deve ser, às vezes…
-Então e o vestido? – Perguntava-me David enquanto saímos do hospital, ele com o braço por cima dos meus ombros e eu agarrada a cintura dele.
-Só me estiveram a medir. Na segunda vou experimentar.
-Só falta uma semana.
-Eu sei… Estou tão nervosa!
-Eu também!
-E se a Luísa aparecer lá?
-Não vai, todos os convidados têm bilhete e só com esse bilhete entram no casamento, depois vais ter seguranças e já disse as características dela ao Jonathan, assim se ele sabe quem contratar… Ela não vai estragar o seu dia…
-Espero bem que não.
-Não vou deixar isso acontecer. Estava agora a pensar, se forem dois rapazes como queres que se chamem?
-Não sei, gosto de Gabriel e de Davi.
-Gabriel e Davi?
-Sim, não gostas?
-Davi, é muito parecido ao meu.
-E Gabriel, gostas?
-Sim, é bonito. Desse eu gosto mas Davi…
-Então e se for Gustavo?
-Isso é o mesmo nome do Gustavo.
-Eu sei, mas eu gosto.
-Não gosta de Pedro?
-Pedro? Não é muito vulgar?
-Não acho, acho um nome muito bonito.
-Pois, sim é…
-E segundo nome?
-Segundo nome? Eu gosto de Pedro Miguel.
-Pedro Miguel?
-Sim.
-Não fica mal?
-Amor, é para ficar mal. Nós só vamos chamar o nome dele quando ele fizer algo de mal. Imagina “PEDRO MIGUEL VEM IMEDIATAMENTE AQUI!”
-Sim, sem dúvida. Maravilhoso. Mas depois vemos isso. Então… E se forem raparigas?
-Se forem raparigas quero que uma delas se chame Maria.
-Porquê?
-Adoro esse nome! E é bonito… Não gostas?
-Sim, adoro. E se for menina?
-Não sei…
-Eu gosto de Catarina.
-Não! E Isabel?
-Isabella é a minha irmã.
-E Joana? Não, não gosto…
-Adoro como tu dizes os nomes e depois dizes que não gostas!
-Então e não gostas de Lúcia?
-A tua melhor amiga não se chama Lúcia?
-Sim, mas é bonito.
-Eu gostava que fosse Inês.
-Inês?
-Sim…
-Então olha, tu escolhes o nome de um rapaz ou rapariga e eu escolho o nome do outro, ou outra.
-Por mim… E se eu não gostar do nome que escolhes?
-Se for rapaz escolho Gabriel, se for rapariga Maria.
-Ok, eu gosto.
-Então e tu?
-Só no dia em que eles nascerem saberás.
-És mau! – Entramos para dentro do carro, eu meio amuada com a situação toda. Não quis saber, daqui a dois dias era o ensaio do casamento.

publicado por acordosteusolhos às 21:51

13
Set 10

“Drim, Drim, Drim”
-Catarina, amor, desliga o telemóvel.
-Vou já. – O telemóvel continuava a tocar em cima do armário do bebé e David impaciente punha a almofada por cima da cabeça para não ouvir aquele som irritante. Sai da cama lentamente, para não acordar o bebé, ou seja, o David. Estávamos da nona semana. As dores de cabeça eram enormes e as alterações de humor ainda maiores. Perguntava-me todos os dias se iria ser boa mãe ou não. Esperava que sim, mas a insegurança tomava conta de mim. – David acorda, temos que ir fazer a ecografia.
-Já? Que horas são?
-Nove horas e a ecografia ficou marcada para as dez. O médico quer ver se está tudo bem com o bebé …
-Ah, esta é tal importante?
-Sim, o médico falou que esta era a mais importante de todas as ecografias. – David acompanhava todos os momentos da minha gravidez, não faltava a uma consulta, mesmo que fosse uma consulta só de informação, ele estava lá a meu lado. Às vezes via ele a procurar na internet coisas sobre os bebés. Às vezes boas, às vezes más. E quando eram más via-se no olhar dele que o bebé, embora pequeno e ainda nada bebé, já fazia parte da sua vida e não podia haver nada que estragasse isso.
-Vai correr tudo bem. Tenho a certeza.
-Sim, mas vai-te despachar enquanto eu vou fazer o pequeno-almoço.
-Claro meu amor – Dava-me um beijo na bochecha.

Hospital da Luz:

-Então Catarina, como tens passado? – Perguntava o meu médico.
-Bem, com as coisas de grávida mas bem.
-Então vamos lá ver se está tudo bem.
David agarrava-me na mão, tinha um ar nervoso, eu estava calma. Para a próxima já sei, tiro-lhe a internet. O médico espalhava o gel pelo abdómen e eu esperava pela imagem no pequeno ecrã.
-Ora aqui está ele, ainda não dá para perceber muito bem mas está aqui. Como ainda é um feto, ainda não está desenvolvido… Olha, há uma surpresa.
-Surpresa? – Dizia o David já aflito.
-Sim, boa claro. Parece que têm mais um filho a caminho.
-Como assim?! – Perguntei, meio desesperada. Isto não me podia estar acontecer.
-São gémeos!
-Gemeos! – Gritava o David entusiasmado.
-Yeah! Gémeos! – Dizia eu de forma sarcástica – graças a Deus que vou casar já daqui a três semanas se não, parecia uma bola a entrar no casamento.
-Vai adorar ser mãe de gémeos, a minha mulher foi. Ficou radiante.
-E eu estou, só por dizer que não vinha nada a calhar. – Toda a gente soltou um gargalhada.
-Catarina, não se esqueça que quero você cá na décima primeira Semana para fazer Translucência nucal está bem?
-Sim, aqui estarei.
-Então pronto, vou ver da ecografia para vos dar e depois podem ir-se embora à vossa vidinha.
-Desculpe mas… Como é que não viram que eram gémeos na primeira ecografia?
-Sabe, nessa ecografia eu faltei, foi o meu colega a fazer por isso não me culpe. Se fosse eu já sabia. Quando foi a primeira?
-Às 7 semanas.
-Miúdos novos dá nisso.
-Pois, estou a ver… - Estava aborrecida. Já me tinham dado um carrinho para bebés, mas era só com um lugar. Que raiva. “Miúdos novos” deviam aprender a fazer ecografias! O médico saiu da sala.
-Vamos ter gémeos!! Agora não sei como vai ser não é? Como vou ensinar futebol aos dois? Situação complicada.
-Tu estás preocupado com o futebol? Então imagina quando forem os dois a chorar à noite, amamentar os dois, mudar as fraldas aos dois, ter os dois!
-Sim, mas isso é só uma fase…
-Claro que é, até aos dezoito anos… - Médico entra novamente.
-Esqueci-me de vós mostrar o som do bater do coração. – Por momento ouvimos o som de dois pequenos corações a bater, uma das experiências mais lindas que tive. Foi maravilhoso. Senti-me ainda mais mãe.
-Que lindo.
-Mesmo meu amor…
-Bem, vou agora tirar dar-vos a imagem enquanto a enfermeira trata de tirar-te o gel. – O médico foi-se embora e logo de seguida chegou a enfermeira.
-Então, gémeos?
-Sim!
-Muitas felicidades aos dois. – A enfermeira partiu e eu já pude levantar-me. O médico chegou com um envelope e a imagem na mão. Agradecemos ao médico e despedimo-nos. Estávamos radiantes. Se antes já era complicado gerir o espaço, agora ainda ia ser pior.

publicado por acordosteusolhos às 17:30

12
Set 10

-David! David!
-Que foi?
-Está tudo desarrumado! Outra vez!
-Não tenho culpa! De quinze em quinze minutos aparece uma prenda nova! Impressionante!
-Ai… Estou irritada! Sabes quantas vezes é que já fui à casa de banho hoje? Quinze! E só são seis da tarde!
-Então e eu? Tenho também as minhas necessidades e não as posso satisfazer!
-Utiliza a mão! Desculpa lá, mas nós não temos espaço para tantos presentes! E de onde vêm tantos presentes?
-Olha, estes três são do Ruben, este é da mãe do Ruben, este é do Luisão, este do Saviola, este do Fábio, este do…
-Já compreendi! – Estávamos no terceiro mês, faltava cerca de 4 semanas para o casamento. Durante o segundo mês correu tudo bem, senti-me às vezes com desejo mas foi normal. Agora, o terceiro mês estava a ser infernal, todos os dias ia mais de quinze vezes à casa de banho, sentia tonturas várias vezes. À noite chegava açordar com cãibras, como é que podia ter cãibras à noite? Nem estava a fazer qualquer esforço físico. A boa noticia é que a barriga já se notava e sai à rua toda vaidosa. A má noticia é que à coisa de dois dias fizemos um jantar de comemoração, por causa do nascimento e agora recebíamos várias prendas durante o dia. Algumas vinham do Brasil, outras de amigos do David de Espanha, do Norte do pais, até dos lagartos recebemos prendas. Não achava normal e isso deixava-me muito irritada. Os pais do David iam chegar nesta mesma semana e odiava não ter espaço em casa para recebe-los. Era isso que mais me irritava no nosso T1.
-Catarina, tem calma…
-Eu estou calma… Agora, tu é que me tens que aturar e prepara-te que isto vai piorar!
-O médico disse que este era o pior mês, juntamente com o oitavo.
-Queria tanto que isto já tivesse passado e já de estar aqui em casa com a minha menina.
-Menina? Não! Vai ser o menino do papá, para o papá ensinar ele a jogar futebol. Não é bebé, não é? – Dizia o David enquanto punha as suas mãos na minha barriga.
-Não, é a minha menina. Vai ser cientista como a mãe.
-A mãe ainda não acabou o curso.
-A mãe não acabou o curso porque o pai obrigou a mãe a sair do curso porque achava que não era seguro!
-E não era! Bem, já chega…
-Também acho. Olha, sabes o que me apetecia agora?
-Desde que não seja uma Sericaia.
-Não tenho culpa! Há anos que não comia isso.
-Sim, mas daí a pedir à tua prima para vir cá para fazer uma Sericaia…
-O Alentejo não é assim tão longe…
-200 Quilómetros?!
-Ela veio porque quis!
-Os teus desejos são incríveis. Já da outra vez andei por Lisboa à procura de uma Francesinha!
-E estava óptima!
-Sim, mas não tiveste que correr Lisboa inteira!
-E tu também não! Ligas-te ao Nuno e ele disse-te onde havia uma casa.
-Não foi bem assim! Eu só me lembrei que o Nuno era do Norte meia hora depois de andar feito parvo por Lisboa!
-Amor, menos, agora posso-te contar o meu desejo?
-Sim.
-Quero um beijinho!
-Um beijinho?
-Sim!
-Não dou desses.
-Então?
-Só dou beijos e dos grandes!
-Aceito então! – David agarra em mim com todo o cuidado do mundo, ultimamente era assim que me tratava, como um boneco de porcelana. As suas mãos na minha face e dava-me um beijo com todo o carinho do mundo. Ouvíamos o telemóvel.
-Impressionante como interrompem sempre.
-É o teu?
-Achas que é o meu David?
-Pronto, vou procurar o meu telemóvel. – David foi-se embora e ficou a falar ao telemóvel. Continuei a arrumar as coisas, biberões, chupetas, babetes, babygrows e outras coisas para bebés. – Nem sabes quem me acabou de telefonar!
-Quem?
-O Kaká.
-A sério?
-Porquê?
-A desejar as felicidades pelo bebé e que tudo corresse bem.
-Quem bom amor, ele é muito simpático mesmo. Bastante parecido contigo, a sua maneira de ser…
-Sim, ele é como um ídolo para mim, um modelo a seguir!
-É um óptimo modelo. Ainda bem que te ligou.
-Já está mais animada?
-Sim, mais… É tanta coisa…
-Eu sei. Precisamos de uma casa maior.
-Depois vê-mos isso quando mudares de clube.
-E se eu não quiser mudar de clube?
-David, eu sei que tens um grande amor ao Benfica, como eu, para além de jogador és adepto. Mas agora é diferente, um dia podes voltar mas no Benfica não poderás chegar às finais da Champions como no Barcelona consegues. Não porque o Benfica seja um clube inferior, porque não é, talvez até é maior do que o Barça, a nossa história é linda, mas eles tem dinheiro, como outros clubes têm e o futebol agora resume-se a isso mesmo, a quem tem mais dinheiro. Talvez um dia possas voltar ao Benfica mas por agora tens que seguir os teus sonhos, ganhar as grandes taças europeias e talvez alguns prémios individuais. Era óptimo que conseguisses ganhar no Benfica mas é algo difícil de alcançar….
-Eu entendo, mas como você disse à uns tempos atrás, o bebé para crescer precisa de estar num sitio e não sempre a mudar.
-Ele nos primeiros anos nem vai dar por isso, o que é preciso é termos cuidado quando ele fizer seis anos e for para a escola, quero que seja numa portuguesa.
-Nessa altura, julgo que já estamos cá em Portugal. Gostava de fazer o mesmo que o Rui Costa. Voltar um dia cá. Tenho que agradecer ao Benfica tudo, ao jogador que me transformou, à mulher que me deu, ao filho que vai nascer. Tenho que agradecer tudo.
-Eu sei, Deus sabe o quanto tu estás agradecido e ninguém pode dizer o contrário.
-Eu sei. Mas preciso de agradecer.
-E achas que ficar aqui mais um ano não é? Recusares óptimas propostas de outros clubes… Continuares a dar tudo por este clube… Isso sim, é demonstrares que estás agradecido por tudo…
-Você torna tudo mais claro, nada que eu possa fazer vai demonstrar o quanto eu estou agradecido por ter você a meu lado.
-E como achas que eu estou? Nunca pensei que ao fim de alguns meses iria estar noiva e grávida e com o melhor homem do mundo a meu lado. Não há palavras para descrever isto, foi quase como um milagre. Agradeço a Deus por ter-te posto no meu caminho.
-Eu também – David acaricia Catarina e dá-lhe um beijo, rápido. Interrompe o momento – Desculpa amor, tenho de ir para o treino.
-Então vai meu bem. 

 David dá outro beijo e vai buscar a mala dele e sai de casa. Fiquei sozinha outra vez em casa. Havia papéis por todo o lado, coisas de bebés por todo o lado. Já chateava um pouco. Engraçado, é que numa data aproximada, quando nós nos íamos casar o bebé ia fazer 4 meses. Íamos casar no dia 11 de Junho. Estava tão próximo, já era dia dez de Maio, faltava pouco mais de um mês. Agora, o nervosismo entrava em serviço, sentia-me mais nervosa a cada dia que passava. Jonathan ligava-me todos os dias com novidades, ora era do Bolo, ou da cor das toalhas ou então do centro de mesa das mesas dos convidados. As revistas apelidavam-me de “a mamã do ano”. Impressionante, a barriga tinha crescido pouco mas já falavam sobre eu ser a mamã do ano. O casamento estava quase pronto, o David já tinha escolhido o fato e continuava a não me dizer o que era, e as minhas madrinhas iam de igual. Sim, eu continuava a chamar de madrinhas, embora nos casamentos por civil chamassem “as testemunhas”. Até parecem que vão presenciar um crime. Apenas uma ia assinar o papel mas não me importava, isso ficava para elas decidirem e ao que parece, já tinham decidido, a Lúcia ia assinar. Da parte do David, o Gustavo e o Ruben iam ser os seus padrinhos, acho que o Gustavo ia assinar, ainda não tinha tido a certeza. Os últimos dois meses foram caóticos. Entre andar de um lado para o outro à procura dos sapatos perfeitos ou então a experimentar a comida que iam servir na festa. Uma grande confusão para uma pessoa que está grávida e que as suas mudanças de humor são constantes. Tínhamos comprado um pequeno armário para o bebé, para pôr as suas roupinhas, mas neste momento o bebé era capaz de ter mais roupa que eu e o David juntos. Os biberões já tinham ocupado a cozinha e os babetes as gavetas das toalhas. Parecia uma revolução histórica. Ainda faltavam seis meses para o bebé nascer, quantas mais coisas virão?

publicado por acordosteusolhos às 19:07

11
Set 10

-Estás linda!
-Eu, após 45 vestidos acho que este é o tal. YES! Logo no primeiro dia! Devo estar com sorte!
-Adoro, mas não me está um pouco pequeno? A barriga depois vai crescer….
-Não te preocupes, este é o modelo que eu tenho para noivas normais, depois quando faltar duas semanas para o casamento, experimentamos novamente e eu faço na tua medida. Vais ficar linda.
-Que achas? – Perguntava Jonathan
-Lindo… Não tenho palavras, é tão simples…
-Jonathan, estava a pensar pôr ela com o cabelo loiro e com uma faixa fina dourada, que achas?
-Ficava maravilhoso.
-Eu? Loira?! AH-AH! – Fez-se um silêncio na sala – vocês tão a falar a sério?
-Sim! E vai ser já hoje que vamos pintar esse cabelo! – Dizia o Jonathan meio irritado.
-Não! Eu, loira? Nem pensar!
-Sim, sim!
-O David não gosta de loiras. – Ficaram ambos a olhar para mim com uma cara estranha, de aborrecidos – Que foi?
-Hello!! Qual é o homem que não gosta de uma loira?
-Não interessa!
-Pois não! Vá, o meu cabeleireiro é já aqui ao lado. – Dizia Moniqué.

Salão de Beleza “Moniqué”.

-Ah, o salão é mesmo teu.
-Claro! A Moniqué não brinca em serviço. Querido Jonathan, peço imensa desculpas mas apenas mulheres são permitidas.
-Como assim?
-Tens um pénis, não podes entrar.
-Eu sou gay, por amor de Deus!
-Não interessa, o bicho continua lá pendurado.
-Como queiras. Vou dar uma volta e volto para ver como está isso. – Jonathan partiu, meio amuado, não queria acreditar que aquilo estava-lhe acontecer. Nem a ele, nem a mim.
-Muito bem, Carolina, vem cá.
-Sim madame.
-Vais tratar desta rapariga, eu vou escolher a cor. Não te preocupes querida, a Carolina é a nossa melhor cabeleireira.
-Obrigada madame, venha, vamos para o meu cantinho, então que cor vai ser?
-A Moniqué quer me pintar o cabelo de loiro! Loiro! Dá para acreditar?
-Sim, ela já quis pintar o meu de preto e eu pintei e adorei.
-Então, porque mudou?
-Depois quis pintar de castanho.
-Ah, pronto. Ela é que escolhe as cores?
-Sim, a Moniqué é muito boa na parte da moda, mas escolheu os vestidos de noiva, não sei porquê. Há quem diga que é por causa do seu casamento.
-Casamento?
-Sim, aquele que ela nunca teve. O Marido dela morreu duas semanas depois de ele pedir-lhe em casamento. Nunca mais se relacionou com ninguém e hoje já tem cinquenta anos!
-É este! Vamos pôr-te um louro dourado. Fica lindo com os teus olhos! Comecem meninas. – Quando dei por mim estavam mas três raparigas de roda de mim, Carolina no cabelo, Patrícia nas mãos e Amélia nas sobrancelhas. Durante três horas e meia estive sentada naquela cadeira, ora falávamos do meu casamento, ora do casamento de algum famoso. Nunca me deixaram sozinha, foi um dia doloroso mas no final…
-Estás pronta?
-Não sei.
-É bom que isso seja um sim! Porque, Tchanam!
-Ai! Eu não acredito! Estou loira!
-Isso nem é loiro! É um louro dourado escura, mas que te fica muito bem!
-Moniqué isto para mim é loiro. Mas, está bonito!
-Eu sabia que ias dizer isso, a Mónique nunca falha!
-Claro Moniqué, já devia de saber isso. Obrigada, muito Obrigada!
-De nada querida, eu depois digo ao Jonathan quando é preciso voltares para experimentar o vestido.
-Claro, obrigada!
Sai do salão e pus-me a caminho de casa, já tinha duas chamadas do David, já devia estar preocupado. Nunca me tinha imaginado loira, mas nem estava muito mau. Queria era ver a reacção do David.

Casa do David:

-Catarina onde foi todo o dia? AH!! Você está loira!
-Eu sei, que achas?
-Está bonita mas… Nunca te tinha imaginado loira…
-Tu não gostas!
-Não, nada disso… Pensava que você não gostava de cabelos loiros.
-Não é louro, é louro-dourado. É diferente…
-Está bem, você é linda de todas as maneiras. Mas assim, os seus olhos ainda brilham mais.
-Gostas mesmo?
-Adoro!
-Ainda bem… Já me estavas assustar…
-Não! Você está linda. Mas, onde esteve todo o dia?
-A tratar do casamento, nem estás a imaginar, vai ficar lindo! O Jonathan sabe mesmo o que quero e vai ficar maravilhoso! Nós até vamos ter uma ponte por cima da piscina!
-Bem… Isso é que vai ser um casamento!
-O Jonathan diz que vai ser o casamento mais bonito que ele alguma vez irá fazer!
-Espero bem que sim, quero que seja o casamento dos seus sonhos.
-O casamento dos meus sonhos não era assim. Era muito mais simples… Este supera todos os sonhos que já tive.
-Porquê?
-O noivo é perfeito.
-Quem é ele?
-Um rapaz chamado David.
-Ah, não estou vendo não.
-Não sejas assim. Ah, já escolhi o vestido.
-A sério?
-Sim.
-Como é?
-Lembras-te daquele vestido de sonho que te contei? O do corpete e que tem vários folhos e todo branco?
-Sim, lembro, você não parava de falar desse vestido.
-Pois, como vou estar grávida não o posso usar por isso, vai ser diferente. Mas é lindo na mesma.
-Se calhar é melhor adiar o casamento.
-Não! Agora já estou a pensar no casamento com o bebé.
-Ok, tudo bem.. Então e vamos de Lua de Mel para onde?
-Não sei, mas estou grávida…
-Sim, por isso estou perguntando a você, não faz sentido irmos para muito longe, tive a falar com a minha mãe e ela diz que é melhor não fazeres viagem de avião com o bebé.
-Então e a cerimónia no Brasil?
-Vamos ter que adiar, pelo menos até o natal.
-Não acredito… Então e se não posso andar de avião só nos resta o Algarve e eu não quero ir para aí. E eu posso andar de avião, não pode ser é muitas horas… Os médicos não aconselham…
-Sim, claro… Mas mesmo assim…
-Tenho uma ideia! Vamos à cidade do amor!
-Paris?
-Paris?! Que horror! Não! Veneza, já foste lá?
-Nunca, mas parece-me uma óptima ideia.
-Eu sei que é…
-Mas só com uma condição!
-Diz.
-Eu trato da Lua de Mel.
-Por mim!
David puxou-me para o sofá onde estava sentado e encostei-me a ele. Ele colocou as suas mãos em cima da minha barriga.
-Estou ansioso para que comece a crescer.
-E eu, quero ver como vai ser. Será que vai ter os caracóis do pai?
-Se tiver os olhos da mãe… - Virei-me para David e dêmos um beijo apaixonado, a vida corria bem, estava perfeita.

publicado por acordosteusolhos às 20:57

10
Set 10

C-Olá Jonathan!
-Olá Catarina! Bem, que linda. Vamos ver vestidos e vamos à Quinta!
-Jonathan, precisamos de falar.
-Ai, o que virá dai…
-Eu estou grávida.
-Grávida?! De quê? Como?
-Ó Jonathan, de um bebé, e como achas que foi?
-Ai, que pergunta parva! Mas, e agora? Vai adiar o casamento?
-Não, de maneira alguma. O casamento continua, em Junho, no inicio.
-Muito bem então, e de quantas semanas estás?
-4
-Ai! Então quando for o casamento vais estar de quatro meses!
-Sim, vai ser maravilhoso!
-Aii, está-me a dar uma coisinha.
-PorquÊ?
-Querida, as pessoas que me contratam não são assim. Só querem o casamento perfeito e só se preocupam com elas. Tu és diferente! Queres ter um casamento bonito e vais tê-lo mesmo com todas as dificuldades que te aparecem à frente. Se as minhas clientes tivessem grávidas havia duas opções, ou abortavam ou então adiavam o casamento.
-Abortar, nunca. Atitude imoral e para mim, monstruosa. Adiar o casamento? Eu amo o David e só de pensar que vou casar com ele e já com um filho dele, deixa-me a mulher mais feliz do mundo!
-Muito bem, então, hoje vamos ver o sitio.
-Ok.

Quinta da Bela Vista:

-Nem sabes, esta quinta é linda! Ainda não fiz nenhum casamento aqui, é muito complicado nesta quinta, pedem imenso dinheiro. Para além disso, pensava que nem se faziam casamentos aqui.
-Pois, o David é muito amigo de Nuno o casamento de Nuno foi aqui então eles conseguiram-me arranjar os contactos.
-Que belos contactos! Estava a pensar, neste jardim que tem vista para o Tejo fazíamos a cerimónia, púnhamos as cadeiras aqui– dizia o Jonathan enquanto corria que nem um doido no jardim – Pomos aqui a passadeira vermelha, aqui a mesa e depois aqui… Não! Tudo em branco!
-Hã?
-Sim, tu és muito branquinha e depois com um vestido branco e tudo em branco, o casamento vai ficar lindo! Rosas brancas, passadeira branca, cadeiras brancas. Vai ficar maravilhoso. Com algumas flores vermelhas. Estás a imaginar? – Dizia Jonathan enquanto me agarrava e punha o seu braço fazer gestos estranhos à minha frente.
-Sim, estou… O David não vem de branco pois não?
-Não! Ai que horror! Não gosto nada quando os noivos vão em branco! Por exemplo, eu vou em preto e o meu namorado vai em preto.
-Ah, então, homens nada de branco?
-Sim! A não ser a camisa.
-Muito bem.
-Vai haver muitas crianças?
-Sim, algumas.
-Quantas?
-Não sei, mas vai haver muitas.
-Então, é melhor tratar da animação, no outro jardim, que não tem piscina, pomos trampolins e palhaços e pinturas!
-Muito boa ideia, por acaso ia-te falar disso.
-E a festa vai ser deste lado, montamos um tenda branca, linda deste lado, com vista para a piscina, mas vamos ter sempre um segurança daquele lado para as crianças não se aproximarem muito da piscina.
-Estou adorar as tuas ideias! Espectaculares mesmo, quando me disseram que eras bom nunca pensei que fosses assim tão bom!
-Querida, eu não sou bom, eu sou o melhor!
-Ok, o melhor!
-E para as pessoas não darem a volta toda à tenda, podemos fazer uma ponte aqui! Sim, lindo! Deixa-me mostrar umas fotos. Vai ser assim, claro que depois vais ter as rosas vermelhas e a passadeira vai ser maior. Mas vai ficar lindo. Estou já imaginar tu a entrares na ponte e a vista para o mar e… Ai… - suspirava Jonathan – isto é capaz de ser o meu melhor casamento, a seguir ao meu claro.

 


 

 

 

-Aos quatro meses ainda vou poder andar de sapato alto?
-Não sei, mas o melhor é perguntar a alguém especializado no assunto quando formos!
-Ok.. Eu sou pequenina então queria utilizar uns grandes sapatos altos mas sendo o casamento no jardim e estando eu grávida, sem dúvida, sem saltos altos.
-E não há maneira de convencer-te do contrário?
-Não me parece.
-Como queiras. Agora a tenda, vai ficar deste lado e tu vais sair pela tenda, passar a ponte e entrar na passadeira. Lindo! Magnifico!
-Como assim? Já não entendo nada…
-Deixa-me eu fazer-te um desenho. – Jonathan fazia o desenho e continuava a explicar como iria ser. – Vai ser mais ou menos assim…

 

(para ver maior, carregar na foto)

 

-Lindo Jonathan! Nem sabes o quanto eu estou agradecida, vai ser lindo o casamento.
-Eu sei! E o melhor é que nem precisamos de pôr uma daquelas tendas foleiras para fazer sombra quando for a cerimónia de casamento, as árvores vão fazer sombra! Lindo!
-Estou adorar! Diz-me, como vai ser o catering, as fotografias e a música?
-Eu tenho o meu pessoal que vai comigo para todo o lado! Não é preciso estares preocupada. Uma coisa, não queres caviar nem aquelas comidas…
-Não! Nada disso. Coisas de casamento mas caviares e coisas que não prestam, não!
-Ah, ainda bem... No meu catering fazem sempre coisas tão boas e estão sempre a pedir caviar, é insuportável!
-Pois, eu sei… Então e onde vamos comer?
-Numa tenda.
-Não disseste que isso era foleiro?
-Mas estas não, estas são vindas da França, são grandes, majestosas, lindas!
-Ok, já não digo mais nada.
-Já que despachamos isto rápido, vamos ver do vestido?
-Sim, claro!

Na loja de vestidos favorita do Jonathan:

-Moniqué!
-Jonathan! – Boa, mais uma tia.
-Esta é a Catarina, ela vai casar e vai ter um dos casamentos mais lindos que já fiz.
-Que linda que é! – Dizia Moniqué com um sotaque francês.
-Moniqué com esta não vale a pena fazeres o sotaque.
-A sério? Ai que bom! Muito melhor, sempre que me trazes clientes é só tias. Olá querida, eu sou a Monique, vou ser eu que te vou ajudar a escolher o vestido de noiva. O que estavas  a pensar?
-Antes, estava a pensar num vestido longo, branco, com um corpete.
-Sim! Sim! Lindo! Estou a ver o que queres! Lindo!
-Agora… - Fiz uma pausa.
-Ela está grávida e não pode utilizar corpetes, pronto, está dito!
-Ó, que azar minha querida, e o que estavas a pensar utilizar agora?
-Não sei, um vestido clássico talvez.
-Não! Tenho uma ideia!
-E lá vamos nós. Vou mandar vir as pizzas – dizia Jonathan quando pegava no telemóvel. Percebi-me que a tarde ia ser longa.

publicado por acordosteusolhos às 20:17

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